Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

O que gostava de ter feito na vida

Gostava de ter amado mais.
De ter parado para contemplar mais vezes,
contemplar o mundo à minha volta,
as pessoas com que me cruzo,
os animais e as flores,
a beleza criada por Deus.

Gostava de ter sido mais paciente,
mais simpático e tolerante,
menos argumentativo.
Mas também mais activo,
mais defensor das causas maiores,
menos indiferente à injustiça.

Gostava de ter feito a pouca diferença que posso fazer,
porque somada à de outros,
ganha força, ganha peso.

Gostava de ter dedicado mais tempo às minhas paixões,
àquilo que realmente tem valor:
À família e aos amigos,
aos projectos que nascem do meu coração,
às coisas cheias de significado.

Não posso fazer muito em relação ao passado,
mas posso olhar o futuro com outros olhos,
perceber o que realmente importa,
e viver isso.

O foco do cristianismo: Vida ou morte?

Acho que o cristianismo actual está demasiado focado no futuro. O grande foco do cristianismo actual, no que diz respeito ao ser humano, é o que lhe acontece quando morre? Irá para o céu ou para o inferno? E todo o processo evangelístico anda à volta disso: Converte-te ou vais para o inferno!

O foco do judaísmo, já antes da vinda de Cristo, não era o que acontece quando morremos, mas como a vida deve ser vivida. E o Novo Testamento, que retrata a igreja nos seus primórdios, foca-se também na vida, em como ela deve ser vivida. Fala-se no que acontece quando morremos, é verdade, mas principalmente em como devemos viver de uma forma que agrada a Deus. O esforço evangelístico foca-se em as pessoas se voltarem para Deus porque ele é Senhor, e não porque assim safam-se do Inferno. Havia uma grande preocupação em amar as pessoas hoje, ir ao encontro das necessidades das pessoas, porque o foco era o hoje, a vida.

Um cristianismo focado na morte é um cristianismo irrelevante, pois esquece as necessidades à sua volta. É um cristianismo que fica simplesmente à espera que tudo acabe.

A vida religiosa é parecida à vida espiritual

Às vezes tão parecida que quase não se distingue uma da outra.

O religioso é como o fariseu dos tempos de Cristo. Tem a aparência de pessoa santa, mas essa é apenas uma capa hipócrita da malícia que tem por dentro. À primeira vista parece um santo, mas quando se começa a conhecer a pessoa, vemos que é só fachada.

A pessoa espiritual, por outro lado, por ser humilde, sincera e transparente, pode parecer mundana à primeira vista, mas aquilo que está no seu coração logo vem ao de cima, e vemos a verdadeira identidade dessa pessoa.

Gostamos da vida como ela é

No meio do novo branding da TMN, surge esta frase: Gostamos da vida como ela é. Eu acho esta frase brilhante. Realmente é altura de gostarmos da vida como ela é. Com os defeitos que tem, com os problemas que tem, a vida é assim. E se não gostarmos da vida como ela é, seremos sempre pessoas frustradas por as coisas não serem melhores. Sem dúvida que é preciso procurar melhorar as coisas, mas há coisas que são como são porque é suposto serem assim. E se nós aceitarmos as coisas como elas são, estaremos numa posição de melhorar as coisas com a atitude correcta, em vez de nos culparmos pelo passado.

Eu gosto da vida como ela é.

Aborto Reloaded

Hoje o parlamento aprovou um novo referendo ao aborto. Nada de novo, todos já esperávamos isso.

A diferença entre os apoiantes do aborto e os que são contra é simples. Os que são contra acreditam que o ser humano o é desde o momento da concepção, e os outros acreditam que só a partir das 5/10/15/20 semanas (aí há para todos os gostos). Eu sou contra o aborto, porque considero que um embrião é um ser humano. E como tal, matá-lo é um assassínio. Mas compreendo que outras pessoas tenham uma visão diferente da coisa.

Quanto ao referendo, eu vou votar não. Mas para ser sincero, o resultado do referendo para mim é irrelevante. O que é para mim relevante, é se a igreja em vez de limitar-se a criticar quem o faz, vai ter a coragem de apoiar as pessoas que não têm condições para ter os filhos. Sim, porque aquelas que abortam porque sim, pouco há a fazer. Abortam quer seja legal ou não. Mas há pessoas que gostavam de ter os filhos, e por pressões económicas, socias, ou familiares optam pelo aborto. E se a igreja decidir levantar o rabo do sofá confortável para ir ajudar essas pessoas, aí sim vamos fazer a diferença. Se a igreja não o fizer, continuará a ser apontada como os velhos dos marretas, que criticam da sua posição de conforto, e não se importam realmente com as pessoas que estão a passar por essas situações.

O amor

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita." (1 Coríntios 13:1-3)

O amor é a cola que nos une. É o que faz tudo valer a pena. É o que distingue a vida cristã da religião cristã.

O lado bom da vida

Vejo que as pessoas podem ser divididas em duas categorias. As que olham para o lado bom da vida, e as que olham para o lado mau da vida. Tenho pena quando vejo pessoas que conheço, que sempre que converso com elas, só sabem falar dos seus problemas e das suas doenças. Por outro lado, vejo outras pessoas que realmente têm problemas e passam dificuldades, mas que raramente se queixam.

A questão não é o que se tem, mas a atitude que se tem. Se as pessoas fossem capazes de mudar a sua atitude, a sua qualidade de vida melhoraria substancialmente.

Liberdade Religiosa para mim

Mas para os outros não. Infelizmente esta é a atitude de muitas pessoas, e não pode ser. Todas as pessoas têm direito à sua liberdade religiosa, e de defenderem (verbalmente) a sua religião, espaharem a sua religião, etc. A partir do momento em que dizemos que não a isso, estamos a mostrar duas coisas. Primeiro, não estamos a amar. Segundo, a convicção na nossa fé se calhar não é tão forte assim, se temos medo da influência dos outros.

Digo isto tudo apesar de eu não ver o cristianismo como uma religião, mas como uma vivência.