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Simplice

A vida é simples

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Dia 6: Sayonara Tokyo

Aposto como já pensavam que eu me tinha esquecido de contar como foi a viagem, mas a verdade é que tenho andado ocupado com outras coisas (entre elas o meu novo vício com o site Smart.fm).

Bom, o sétimo dia foi o dia de dizer adeus a Tokyo. Devido a má organização da minha parte, não comprei bilhetes no Shinkansen suficientemente cedo, e em vez de ir logo de manhãzinha para Kyoto (como eu queria), tive de ir ao fim da tarde. Por isso aproveitamos para ver uma zona que tínhamos falhado: Asakusa.

A principal atracção de Asakusa é o templo Sensoji, o maior templo budista de Tokyo, com o Kamarimon gigante.

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O templo em si é giro, assim como a área circundante, com o pagode e um lago japonês. Vale a pena visitar. Mas o mais espectacular é a rua de acesso ao templo.

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São lojas e mais lojas cheias de todo o tipo de souvenirs que se possa imaginar. E uma quantidade enorme de pessoas. Foi realmente impressionante. Há sempre muito comércio dentro e à volta dos templos, mas este ultrapassou tudo o que se possa imaginar.

Depois atravessámos o rio Sumida, ali perto, e fomos descansar um bocado no parque Sumida.

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O parque Sumida não tem nada de muito especial, mas é um sítio calmo e bonito, e fica já nos limites de Tokyo, o que faz com que as pessoas sejam mais cordiais e se interessem mais pelos turistas. Houve várias pessoas que nos abordaram para saberem de onde éramos, e falar um pouco connosco.

E por fim lá fomos para a estação de Tokyo apanhar o Shinkansen em drirecção a Kyoto.



O Shinkansen é algo fenomenal, mas disso já tinha falado noutro artigo. A viagem passou-se muito bem, e no caminho deu para ver muito bem o monte Fuji (tenho fotos, mas ainda não estão na net). E chegados a Kyoto, fomos directos para o hotel dormir, para nos prepararmos para o dia seguinte.

Shinkansen

Enquanto estive no Japão, tive a oportunidade de fazer várias viagens de Shinkansen, a maioria delas no mais recente N700.



Não é só o comboio mais rápido em que já andei (velocidade máxima de 300 km/h), como é o comboio mais bonito, espaçoso e confortável em que já andei.



Com este comboio dá para fazer o trajecto Tokyo-Kyoto em duas horas (são quase 600km), numa situação de conforto sem paralelo.



Com condições destas, vale mesmo a pena andar de comboio. Eu prefiro sempre o comboio a qualquer outro meio de transporte, mesmo quando demora um pouco mais de tempo. Mas contra um comboio destes, não há concorrência possível.

Dia 5: As bonecas andantes e a torre

O dia começou com a minha ida à Yodobashi Camera, onde fui comprar uns binóculos e uma lente Sigma 10-20mm (que foi a que utilizei para a maioria das fotos a partir deste dia). É difícil imaginar o que é a Yodobashi Camera. Tentem imaginar uma loja de fotografia de 7 andares. Um andar para as máquinas SLR, outro para as lentes, outro para os tripés, outro para filme, etc. E esse é só um dos 3 edifícios em Shinjuku. Os outros dois têm máquinas mais simples, material informático, telemóveis, etc. Além de que os preços são melhores que aqui na Suíça (em relação a Portugal nem vale a pena dizer. É a Mecca da fotografia.

Este foi também o dia de visitar o bairro com as pessoas que se vestem da maneira mais espampanante que se pode imaginar: Harajuku. Já tínhamos passado lá perto, mas desta vez estivemos mesmo no meio das lojas a ver o que por lá havia, e para ver algumas das pessoas que se vestem assim. É tudo o que possam imaginar, e mais além.



Mas diga-se a verdade, não foi o único sítio onde as vimos, havia bastantes pessoas vestidas de forma peculiar em toda a cidade.

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Foi interessante, mas não posso dizer que tenha sido um ponto alto da viagem, foi apenas uma manhã bastante divertida.

Por fim dirigi-mo-nos para a Tokyo Tower. Uma torre que é uma cópia melhorada da Torre Eiffel.



Valeu a pena, a vista de lá é espectacular, mas é caro subir à torre (800 yenes até ao meio, e mais 640 para ir até ao topo), e gostei mais da vista do edifício do governo de Tokyo. Seja como for, vale a pena.



Depois passámos pelo templo Zōjō-ji que está lá perto. Nada de especial, apenas mais um grande templo. Achei interessantes umas estatuetas pequenas que estavam lá.




Terminámos o dia no rio Sumida, a ver o anoitecer perto da Rainbow Bridge. Essa é uma vista que recomendo vivamente. Há qualquer coisa de especial em ver as luzes lentamente a acenderem-se, à medida que a noite avança.




Foi um dia mais calmo que os outros, porque já estávamos cansados, mas muito bem passado.

Dia 4: Museus e Templos

Neste dia decidimos ir ao Parque Ueno, principalmente pelos museus que se encontram na zona. É uma coisa que sempre gostámos de fazer, visitar museus nos sítios por onde viajamos. A primeira paragem foi o museu de ciência nacional, onde se podem ver secções para todos os tipos de ciência. Gostei em especial do árvore da vida, onde estão representadas todas as famílias de espécies do mundo. Foi uma forma muito visual de ver a árvore da vida.

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Outra parte que gostei bastante foi a parte da tecnologia, que tinha jogos muito divertidos, e alguns exemplos das mais diversas tecnologias.

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Seguiu-se o museu nacional de Tokyo, outro dos que queríamos visitar. Gostámos principalmente da secção japonesa, mas ainda assim achámos que ficou muito aquém de outras colecções privadas que já tivemos a oportunidade de visitar. Infelizmente, não se pode fotografar lá dentro.

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Depois destes dois museus, fomos dar uma volta pelo parque. O parque em si não é muito especial, mas tem alguns templos e santuários interessantes, um pagode, e uma parte com um lago enorme.

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Finalizamos por visitar um templo que fica já fora do parque, na zona sudoeste, que pela quantidade de tabuinhas de orações pareceu-nos um dos templos mais populares de Tokyo, apesar de o templo em si não ter nada de especial.



Foi um dia muito bem passado, mas mesmo assim acho que acabou por ser o dia mais fraco da nossa estadia em Tokyo. Os museus foram bons mas não deslumbraram, e os templos, depois de vermos vários, começam a cansar. Mas os melhores templos ainda estavam para vir.

Finalizamos o dia com uma saída em Shinjuku oriental à noite, que nunca nos deixou de surpreender com a quantidade de luz e movimento que tem.

Dia 3: Viagem ao mundo da fantasia

Uma das coisas que queria fazer no Japão era ir ao museu Ghibli. Por isso, apanhamos o comboio até Mitaka, onde o museu está situado.

O museu Ghibli é um museu dedicado aos filmes de animação produzidos pelo estúdio Ghibli, ou seja, os filmes do Hayao Miyazaki (Viagem de Chihiro, Princesa Mononoke, O Castelo Andante, etc). O museu foi feito para parecer um cenário de um desses filmes. No seu interior encontramos vários pormenores e objectos dos filmes de animação. Infelizmente não se pode fotografar no interior, mas o exterior já é suficientemente fantástico.



Alguns dos pontos altos do museu é a sala de cinema, onde são projectadas curtas metragens que não se podem ver em mais lado nenhum, quase todas elas baseadas nas personagens dos filmes que fizerem, e a estátua do robot do filme "Castle in the Sky" que se encontra no tecto do edifício.



Adorei tudo neste museu. Cada sala é uma nova descoberta, até as casas de banho valem a pena serem vistas com mais atenção. Gostei bastante do bilhete para filme, que são 3 frames de um filme a sério. Enfim, tantos pequenos detalhes que é difícil explicar.

Podem ver algumas fotos do interior no site do museu ghibli, e informação mais detalhada nesta descrição feita por outro visitante.

Já agora, uma dica. O melhor sushi que comi no Japão vende-se numa lojinha que há na estação de comboio de Mitaka. Uma que fica logo junto a uma das entradas da estação.

Depois fomos para a estação de Tokyo, passear na zona do palácio imperial. O palácio só está aberto no dia de aniversário do imperador e no ano novo, o que não era o caso. Mas a zona circundante é bastante bonita.



Depois fomos na direcção do mercado de peixe de Tokyo (infelizmente não tivemos oportunidade de o visitar, dizem que vale a pena), para visitarmos o jardim HamaRikyu. É um jardim muito bonito, com vários lagos, uma casa de chá, e várias áreas de jardim muito interessantes.



Na volta para o comboio, tivemos a oportunidade de passar por mais uma zona de arranha céus, com várias pontes que se cruzavam (para comboio, pessoas, auto-estrada), uma visão impressionante.



Foi um dia bem cheio, mas o melhor foi mesmo a visita ao museu Ghibli, para mim um dos pontos mais altos da viagem.

Questões práticas: O vil metal

Uma das perguntas que mais me fazem, pelo menos os portugueses (deve ser da crise), é: "O Japão é caro, não é?" E eu respondo que não. As pessoas ficam muito admiradas, e se me conhecem, dizem: "Isso dizes tu porque agora estás na Suíça!"

Vamos por partes. A viagem e hotel são caros. Paguei cerca de 1500 euros nas passagens de avião para duas pessoas, e gastei outro tanto para o hotel (quartos duplos). Comprei tudo pela internet (Finnair e Agoda), e fiquei em hotéis de poucas estrelas, mas perto do centro. Todos eles tinham boas condições.

As deslocações de longo curso lá dentro também são caras. As viagens no Shinkasen rondam os 100-150 euros, mas é possível comprar um Japan Rail Pass, que custa uns 250 euros para uma semana, e permite andar nos comboios que quisermos dentro da rede JR (excepto os nozomi). Se o objectivo é visitar várias cidades, vale a pena comprar um passe (atenção que tem de ser comprado fora do Japão). Mas basta fazer uma viagem ida e volta Tokyo-Kyoto, para já valer a pena comprar o passe. Aviões não sei que não precisei, a rede de comboio é excelente.

Quanto a viagens dentre das cidades, é muito variável, mas eu acho que tende para o barato. A parte má é que existem várias linhas privadas de comboio e de metropolitano. E se o nosso percurso obrigar a mudar para linhas de 3 companhias diferentes, são 3 bilhetes que se pagam. Mas regra geral, dá para escolher percursos menos óptimos sem ter de mudar de rede de metropolitano. O preço dos bilhetes varia conforme a distância, mas é cerca de 1 euro, euro e meio para percursos dentro de Tokyo.

Existem alguns passes para todos os transportes, mas normalmente são caros, e não valem a pena. Custam cerca de 10-20 euros por dia, e são cheios de limitações. O que rende é o cartão Suica, que é um cartão que se carrega com dinheiro, e depois só temos de passar o cartão à entrada e saída das estações, que é deduzido automaticamente. Sim, porque o sistema de bilhetes é uma porcaria.

Mas bem, sobre os transportes falarei mais tarde em detalhe. Vamos voltar à vaca fria: O custo das coisas.

Achei a comida barata. Nos supermercados os preços são equivalentes aos de Portugal, sendo que o peixe é mais barato (não me estou a ver comprar um Safio de 1Kg por 5 euros em Portugal). Algumas frutas são estupidamente caras. Por exemplo, uma meloa custa 20-40 euros!!! Enfim. As bebidas nas máquinas automáticas são 1 euro, e há tantas e em tantos sítios, que não vale a pena andar com água atrás.

Restaurantes são baratos. Ou caros :) Depende do que se escolher. Eu comi em muitos restaurantes diferentes, e paguei sempre 6-10 euros por refeição. Mas claro, fui aos restaurantes de bairro, onde os japoneses vão almoçar, comer noodles e tempura. Se forem para um restaurante com vista para um jardim japonês, talvez seja melhor multiplicarem o preço por 10 :)

Museus e Monumentos são baratos, mas não são grátis. Muitos templos são grátis, mas nem todos. Os preços variam entre 2 e 5 euros (excepto o Museu Ghibli, que é cerca de 15 euros, sobre o qual falarei mais tarde).

As coisas nas lojas são baratas, e têm um IVA de 5%, que pode ser deduzido no preço para estrangeiros que tenham o passaporte à mão. Coisas electrónicas, e de fotografia são muito mais baratas. Digamos que foi mais barato comprar lá numa loja normal (se é que uma loja de fotografia com 7 andares é uma coisa normal) do que comprar online aqui na Suíça. Ou seja, deve ser metade do preço em Portugal.

Viver lá é outra conversa, não faço ideia. Mas reparei que os preços de aluguer de casas são como aqui em Genève, só que as áreas das casas são menores. Ou seja, 3 vezes mais caras que em Portugal, e com metade da área.

Em resumo, não achei o Japão caro, gastei bastante menos do que pensaria gastar.

Tokyo: O silêncio e a ausência dele

Tokyo pode ser a cidade mais barulhenta do mundo, mas também a mais silenciosa. Já me tinham avisado disso, mas mesmo assim é impressionante.

Quando estamos numa rua de lojas, ou numa área de divertimentos, o barulho é muito. Cada loja tem a sua música, em volume bem alto, e com altifalantes para a rua. E muitas lojas têm vendedores à porta com megafones e cartazes a anunciar as promoções do dia.

Mas se estivermos fora dessas ruas, o silêncio é quase absoluto. E não, não estou a falar de quando estamos num templo ou num jardim. Estou a falar de quando estamos numa rua normal, com carros a passar. Ou no metro. As pessoas, quando falam, falam em voz baixa, quase imperceptível. Foi muito raro ouvir os passos de uma pessoa, e acho que só ouvi uma vez um telemóvel tocar.

Os carros esses, não sei qual é o segredo, mas quase não fazem barulho. E se isso pode ser explicado por haver bastantes carros eléctricos, o certo é que os outros também fazem bastante menos barulho que na Europa. Para mim, este continua a ser um mistério. Foi impressionante ver sítios com um enorme movimento de carros e de pessoas, e onde o barulho era tão pouco, que se fazia notar.

Dia 2: Casas a perder de vista

Depois de uma noite muito bem dormida, fomos finalmente ver Tokyo como deve de ser. Escolhemos começar pela parte mais perto do hotel: Shinjuku, Shibuya, e Yoyogi.

A primeira parte foi passada em Shinjuku Ocidental, uma parte de Tóquio onde estão enormes arranha céus pertencentes a diversas empresas, e um dos grandes centros de trabalho em Tokyo. O contraste com Shinjuku Oriental não podia ser maior. Se na parte Ocidental Tokyo trabalha, na oriental Tokyo diverte-se. Shinjuku Oriental acorda quando Shinjuku Ocidental vai dormir. Ao fim do dia de trabalho, é ver inúmeros trabalhadores a se deslocarem de um lado para o outro.

Ver o tamanho dos edifícios é impressionante para qualquer um, mesmo para quem já esteve em sítios como Manhattan. Passeamos por vários edifícios, mas o principal foi o edifício do Governo de Tokyo.


Esse edifício tem um observatório gratuito num dos últimos andares, que tem, na minha opinião, a melhor vista da cidade de Tokyo.



É impressionante ver a quantidade de casas que existem em Tokyo. São quilómetros e quilómetros de casas, até perder de vista. Infelizmente não deu para ver o monte Fuji, porque a visibilidade não era suficiente.

Outro edifício a visitar é um que tem um hall com 36 andares de altura, e um enorme relógio movido a água.




Fartos de ver arranha céus, apanhamos o comboio até Shibuya, um dos bairros comerciais de Tokyo, mais vocacionado para a juventude, com edifícios de design futurista, e cheio de lojas de moda, música, etc.



Cansados de tanto movimento e de vendedores com megafones à porta das lojas, prosseguimos para o parque Yoyogi, onde passamos pela cidade olímpica e acabamos por ver o templo Meiji Jingu, dedicado ao imperados Meiji.




O templo é um dos maiores de Tokyo, e está no meio de uma floresta deslumbrante. Foi irreal passar de uma zona tão movimentada como Shibuya, e aterrar numa floresta no meio do maior centro urbano do mundo.


O templo é simples, mas bonito. Vale a pena visitar. Outra coisa que vale a pena visitar é o jardim japonês logo ao pé do templo. É um jardim muito calmo, com uma beleza muito simples.

Finalizamos por ver o museu do tesouro, que não achei muito interessante, e por fim fomos para o relvado do parque descansar do longo dia.

No geral, foi um dia cheio de surpresas, a cada esquina víamos algo de novo, e para quem tinha acabado de chegar, foi uma experiência quase demasiado intensa. Ainda não estávamos habituados ao ritmo das coisas, e Tokyo é demasiado intensa para os nossos sentidos. Foi como se andássemos num mundo imaginário, sem termos ainda bem noção de onde estávamos. Mas com o tempo lá nos fomos integrando no ambiente à nossa volta.