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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Mudança

"Se as práticas da tua igreja entram em conflito directo com com a revelação do Novo Testamento, estás disposto a ajustá-las?" (Frank Viola em Rethinking the Wineskin, p. 166)

Um dos lemas da reforma protestante era "Semper Reforma", ou seja, reforma contínua. Os líderes do movimento reformador admitiam assim que a sua reforma não era suficiente, e que era necessário continuar sempre a reformar (repensar, mudar) a igreja.

A maior oposição a essa reforma contínua é a tradição religiosa. Estamos nós dispostos a questionar toda a nossa prática cristã? De analisar à luz da Bíblia aquilo que fazemos? E ao encontrarmos conflictos entre a nossa tradição, estamos nós dispostos a mudar essa tradição? Infelizmente acho que são mais os que dizem que sim, do que os que o fazem. Mas tenho esperança.

A santidade do altar

Uma coisa que sempre me fez impressão é a reverência que as pessoas têm pela igreja-edifício, especialmente a zona do púlpito, a que alguns denominam "altar". Essa "reverência" não pode vir da igreja primitiva, pois eles reuniam-se em casas. Não pode vir do novo testamento, pois lá está escrito que nós é que somos o templo vivo de Deus, e não o edifício. Algures no tempo alguém se lembrou de começar a instituir essa tradição, que continua a ser seguida nos dias de hoje, sem que ninguém questione o porquê disso.

Acho esta tradição particularmente destrutiva, porque coloca o foco no edifício, em vez de colocar o foco nas pessoas, como deveria. Leva os cristãos a pensarem que só no edifício se manifesta a presença de Deus, ou pelo menos que só no edifício se pode experimentar a presença de Deus de uma forma mais intensa. Cria uma dependência no edifício para sentir a presença de Deus, para estar com Deus.

Não é o edifício que proporciona tudo isso, mas sim o facto de os cristãos estarem juntos, com o propósito de louvar e adorar a Deus, acreditando que Deus está no meio deles e que se manifestará. Podia ser feito em qualquer sítio: Num cinema, num estádio de futebol, na praia, onde quer que fosse, porque o que interessa é o povo de Deus estar junto para o adorar. O sítio onde o fazem é meramente circunstancial.

O tradição e a doutrina

Quase toda a igreja-instituição tem uma tradição. Pode ser uma tradição escrita ou não, mas têm. E as pessoas tentam seguir à risca essa tradição o melhor que podem. O problema é quando a tradição se confunde com a doutrina.

A doutrina é algo imútavel. A verdade continua a ser a verdade seja em que época vivermos. Mas a forma como vivemos essa verdade pode mudar. Se eu louvo a Deus numa casa, num jardim, ou numa nave espacial é indiferente, desde que continuemos fiéis à doutrina.

As pessoas vêem com maus olhos a mudança na igreja porque pensam que a tradição é doutrina, mas não é. Defendem a sua tradição como se de doutrina se tratasse, como se fosse a única forma de viver o cristianismo. A forma de viver o cristianismo deve seguir o evoluir dos tempos. Uma igreja estagnada no tempo é uma igreja irrelevante para os que mais precisam dela.

Música adequada

Isto entristece-me um bocado, mas já tenho ido a reuniões cristãs que me fazem lembrar esta música. Muitas vezes as pessoas não pensam a sério sobre o que estão a fazer, fazem-no apenas por tradição. Ou pior ainda, fazem o mesmo de sempre mas com um pouco mais de espetáculo. Mas aquilo expremido não sai nada. O louvor é feito para entreter, a pregação não diz nada nem deixa de dizer, mas é tudo feito de uma forma viva. Pula-se, salta-se, mas é só fogo de artifício. Mais valia porem esta música de fundo. Espero não ter ofendido ninguém, estou a falar de um número pequeno de igrejas, a maioria tem outra música, a marcha fúnebre. E as pessoas que estão lá merecem mais do que isso. É tempo de mudar a "música" para algo vivo e novo, com sinceridade e verdadeiro sentido de comunidade.

13 Pontos de Tensão na Igreja Emergente

Hoje o Andrew Jones colocou um artigo excelente sobre as principais diferenças entre a igreja emergente e a igreja tradicional. É uma boa forma de compreender melhor o que é isto da igreja simples.

Gostei especialmente da forma como ele acabou o artigo:

"Vamos agarra-nos ao que é bom. Vamos ser graciosos com aqueles que não vêem o filme todo ou que não entendem as mudanças, sabendo que também não vemos tudo claramente. Jó também não, mas Jó permaneceu sem culpa.

Vamos suportar o sofrimento por causa da retidão, sabendo que o Senhor sofreu debaixo dos líderes religiosos que não conseguiam ver claramente o que Deus queria para o seu povo. E foi ele que enviou os seus seguidores como ovelhas entre lobos.

Existe um corpo, o Corpo de Cristo, e somos todos membros dele. Apenas juntos com eles seremos completos."

Peixe frito

Uma receita de peixe frito passou de pessoa em pessoa. Pega-se no peixe, tira-se o rabo e a cabeça do peixe, põe-se um determinado número de especiarias, e leva-se a fritar. Acompanha-se com batatas.

Quando essa receita chegou a uma pessoa, essa pessoa achou curisoso que se tirasse a cabeça e o rabo. Porquê isso? E perguntou à pessoa que lhe passou a receita, e ela não soube responder. "Sempre se fez assim", disse ela. Essa pessoa ainda ficou mais curiosa, e foi de pessoa em pessoa, para descobrir a razão disso, cada vez mais perto da origem da receita. Até que chegou a uma avozinha já bem idosa, que tinha inventada a receita. "Porque se corta a cabeça e o rabo do peixe?" perguntou à idosa, ao que ela respondeu: "Ah! Isso é porque a minha frigideira é pequena e o peixe não cabe inteiro lá dentro."

Quantas vezes continuamos a impôr tradições, quando a razão para a tradição já não existe? As tradições são criadas para irem ao encontro de uma necessidade. Quando essa necessidade deixa de existir, é melhor deitar fora essa tradição.

Sagrado vs Profano

St. Patrick Cathedral
Alguns tendem a categorizar determinadas coisas como sagradas. Apenas aquilo que é sagrado pode fazer parte da vida da igreja. Tudo o que não é sagrado é automaticamente profano, claro. Por exemplo. O futebol é sagrado? Claro que não, logo, é profano. Logo, o crente em Cristo não deve jogar futebol. E assim vão-se separando coisas da vida da igreja.

Existe música sagrada, e música profana, e claro que apenas devemos ouvir música sagrada. São criadas regras para identificar o que se pode ou não ver ou ouvir. Regras que criam separação. Regras que transformam de tal modo a igreja, que passado algum tempo já ninguém se identifica com a igreja, apenas aqueles que criaram as regras.

As coisas em si não são sagradas ou profanas. Uma faca em si mesma não é sagrada ou profana. Um determinado estilo de música não é sagrado ou profano. O uso que fazemos dessas coisas é que são para edificação ou não. Uma faca pode ser usada para matar, ou para cortar alimentos. A música pode ser criada para gerar efeitos negativos ou positivos. Em vez de regras sem sentido, precisamos olhar para as atitudes, e aceitar que a demonstração de fé de uma pessoa pode usar um estilo de música que nós não gostamos. Desde que Deus esteja a ser glorificado em tudo o que fazemos, então está tudo bem.