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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Limpeza = Liberdade

O tempo é uma coisa tramada. Não estica, mas às vezes encolhe. Aqui vai uma reflexão demasiado grande sobre o tema:

Nos últimos tempos tenho feito uma limpeza em tudo o que me consome tempo. E essa limpeza tem sido feita principalmente na internet. Comecei por uma limpeza das redes sociais que usava, e fiquei com as que mencionei no post anterior. O facto de quando se pesquisa no Google por Nuno Barreto as duas primeiras páginas serem quase completamente minhas é um bom sinal de que estava a exagerar (existem outras pessoas com esse nome, uma delas um famoso velejador de Faro que ganhou uma medalha de Bronze nos jogos olímpicos). Depois disso, reduzi a utilização dessa mesmas redes sociais.

O passo seguinte foi analisar todos os feeds que seguia. Eram mais de 200, e verdade seja dita, não conseguia ter tempo para seguir nem metade. Fiquei com cerca de 80, e acho que ainda vou limpar mais. Além dos feeds há também as mailing lists, que ainda estou a ponderar o que vou fazer com elas.

Por fim, os meus blogs. Neste momento tenho 3 blogs (este, O Emigra, e o Fotos da Natureza). Ninguém precisa de 3 blogs. Ainda não sei bem o que vou fazer. Reduzir a quantidade de vezes que escrevo já o fiz, mas isso surgiu naturalmente. Afinal de contas, fez 3 anos que ando nisto dos blogs no dia 18 deste mês, e parece que uma pessoa perde assunto com o tempo, ou se não o perde, prefere partilhá-lo de outras formas.

Com tudo isto ganhei bastante tempo. Tempo para estar com quem quero, tempo para fazer aquilo que gosto de fazer, e tempo para descansar. Afinal de contas, existe vida após a internet...

Mau tempo

Aí está o primeiro fim de semana de Março que deveria ser um óptimo dia para observação de aves (primavera, os bichos andam no ar, blá blá blá), e o tempo não está capaz :(

Pode ser que no próximo esteja bom.

A relatividade do tempo

O tempo é algo que faz sentido para seres temporais como nós somos. Mas quando se fala de Deus, que é intemporal, deixa de fazer sentido. Ele é omnisciente, sabe todas as coisas que cada um de nós fez ou vai fazer. Como tal, ele está presente em todo o tempo "ao mesmo tempo". Agora permitam-me expor uma teoria que eu tenho.

Imaginemos que uma pessoa corre perigo de vida na segunda-feira. É possível uma outra pessoa orar na terça-feira seguinte pela sua proteção, e Deus responder à sua oração, pois ele na segunda-feira já sabia que a outra pessoa ia orar acerca do assunto.

Ainda não os consegui confundir? Então reparem. Imaginem que outra pessoa precisa de um emprego, e pede a Deus com a atitude correcta. Imaginem ainda que no mês seguinte ela muda de atitude, e passa a ter uma atitude incorrecta. Então se calhar Deus não vai responder a essa oração porque ele sabe o futuro.

O que acham desta teoria?

O tempo da oração

Achei interessante ler neste artigo que a oração que Jesus ensinou aos discípulos não é longa. É até bastante curta. Por outro lado sabemos que Jesus e a igreja passavam longas horas em oração.

Até que ponto o tempo que passamos em oração "conta"? Não terá mais valor a atitude que temos perante Deus? O que será que tem mais valor? Passarmos muito tempo em adoração a Deus, ou aquilo que nós fazemos (e a forma como fazemos) no dia a dia ser um louvor a Deus?

Acho que tudo isso é importante, e há tempo para tudo. Para orações curtas e compridas, para dias em que adoramos com palavras, e para dias que adoramos com actos. De tudo isso Deus se agrada.

O tempo e o seu uso

Há várias coisas que gostamos de fazer, e procuramos ocupar o nosso tempo livre nelas. Andar de bicicleta, jogar futebol, passear, observar aves, fazer escalada, fazer mergulho, etc. Estamos a usar o nosso tempo em coisas que nos fazem sentir bem, que lidam com o stress do dia a dia. E apesar de isso serem coisas necessárias, alguns de nós têm um certo sentimento de culpa por estar a "desperdiçar" o seu tempo nestas coisas.

A sociedade capitalista criou este defeito, o defeito de pensarmos que temos de estar sempre a fazer algo de "importante", obra que se veja. Em vez de "desperdiçar" o tempo nessas coisas, sentimos que deveríamos usar o tempo a trabalhar em algo importante, a ajudar os desfavorecidos, a orar, a participar em 1001 ministérios na igreja. Criámos a mentalidade de que o tempo de lazer é tempo desperdiçado.

Se formos analisar as Escrituras, vemos que Deus criou um dia por semana para o descanso, criou várias festas nas quais os Judeus eram "obrigados" a descansar e celebrar. O tempo de lazer fez sempre parte dos propósitos de Deus. Mas nós estamos mais preocupados com as obras que fazemos, do que com a nossa atitude.

"Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.»
O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.»"
(Lucas 10:38-42)

Tempo, e a sua ausência

É possível ter muito tempo, e é possível não ter tempo nenhum. E ambas as coisas dependem de nós próprios. Se eu quiser, consigo estar sempre ocupado, não é difícil arranjar coisas para fazer. Por outro lado, não ter nada para fazer também é fácil, basta não me envolver em nada além do essencial.

O problema está em conseguir manter um equilíbrio, em que não estou demasiado ocupado, nem demasiado desocupado. O que acaba por acontecer na prática, é que em certas alturas estou demasiado ocupado, e depois altero a minha vida de forma a ficar menos ocupado do que seria saudável, e continuo nesse ciclo. Mas acho que cada vez o ciclo é mais fechado, e a cada vez chego mais perto do equilíbrio.

A arte de usar bem o tempo é uma arte difícil de domar.

Persistir até ao fim

"E não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido." (Gálatas 6:9)

Hoje em dia não queremos nada disto. Leva demasiado tempo. Desistimos demasiado cedo, se a coisa não dá os resultados esperados em 6 meses, então passamos imediatamente para outra coisa. Isto porque não temos verdadeira convicção da nossa missão. Temos antes uma certeza dos alvos que queremos alcançar, e vamos experimentar mil e uma maneiras de os alcançar.

Eu não estou a dizer que devemos seguir cegamente na mesma direcção independentemente de tudo o que acontece. Mas estou a sugerir que em vez de esperarmos resultados rápidos e fáceis, precisamos pensar diferente, e estar dispostos a perseverar até ao fim. Porque se estamos a fazer o bem, a seu tempo colheremos. Precisamos é perceber que bem é esse que precisamos fazer, e persistir nisso, até que haja colheita.

Estamos sempre com pressa

Estamos sempre com pressa de ver as coisas acontecerem. Queremos fazer n coisas ao mesmo tempo, queremos que tudo se concretize rápido. E por isso todo o nosso esforço é colocado em fazer coisas que trazem resultados imediatos, visíveis e mensuráveis. Chegamos a um ponto em que o que importa é o alvo, e não a forma como atingimos o alvo. Importa o crescimento numérico, não a qualidade desse crescimento.

Precisamos parar. Precisamos ver que a forma como fazemos as coisas é fundamental para a sua qualidade e durabilidade. Não basta fazer, é preciso fazer bem. E fazer bem requer tempo, muito tempo. Requer um investimento contínuo naquilo que não é visível ou mensurável. E só o podemos fazer se estivermos numa posição em que não somos pressionados por ninguém, em que estamos livres para agir conforme Deus nos mostra, e levarmos o tempo necessário para fazer as coisas bem.