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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

Como Jesus intervia na sociedade?

É crença comum nos dias de hoje que a igreja necessita de instituições para ser relevante para a sociedade. É interessante que a igreja pense nisso, visto que esse caminho nunca foi o adoptado por Jesus, nem pela igreja primitiva. Aliás, o momento em que a igreja passou a ter isso, com a conversão de Constantino, foi o momento em que começou a perder a sua força, a deixar de ser uma comunidade, a deturpar as palavras de Cristo com doutrinas que não lembram a ninguém.

Alguns dizem que essa é a forma dos dias de hoje. Que para sermos relevantes na sociedade de hoje, é necessário estarmos organizados em instituições. Eu concordo parcialmente. Eu não acredito que a igreja necessite de ser uma instituição. Não sinto que a igreja, como organismo, precise ser um instituição no sentido hierárquico do termo, embora dê jeito ter representatividade jurídica. Agora, para intervir socialmente, creio que devemos sem dúvida organizar instituições de solidariedade social. Mas isso será outro assunto.

A igreja deve acima de tudo intervir na sociedade através do testemunho pessoal de cada crente. De que serve fazer uma marcha para Cristo com milhares de cristãos, quando as igrejas estão em conflito entre si? De que serve fazer um grande dia do evangélico com mais outros milhares de cristãos quando o amor de Cristo não está a ser mostrado por esses mesmos cristãos? De que serve dizer que somos cristãos quando não mostramos no dia a dia o que somos?

"De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta.
Mais ainda: poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé. Tu crês que há um só Deus? Fazes bem. Também o crêem os demónios, mas enchem-se de terror."
(Tiago 2:14-19)

A igreja é uma sociedade à parte?

Esta é uma questão pertinente. Somos uma sociedade à parte, e é nosso papel converter as pessoas à nossa sociedade? Ou fazemos parte da mesma sociedade que as outras pessoas? A igreja está inserida na sociedade? De que forma?

Eu creio que não somos uma sociedade à parte, e que o facto de nos vermos muitas vezes como uma sociedade à parte, leva a que nos tornemos pouco relevantes para a sociedade actual. O cristianismo é acultural, não depende de nenhuma cultura específica. Uma pessoa não precisa mudar a sua cultura para se tornar cristão, mas sim viver o cristianismo devidamente inserido na sua cultura e sociedade.

Ao nos tornarmos uma sociedade à parte, com a sua cultura, costumes e regras próprias, criamos barreiras à mensagem de Cristo. Tornamos o processo de conversão mais difícil. Fazemos o oposto do exemplo que Cristo nos deixou. Ele estava devidamente inserido na sociedade, estava onde estavam os pecadores, comia e bebia ao lado deles, partilhava das tristezas deles, estava nas suas festas, e tudo isso sem comprometer o que ele era (e é) e a sua mensagem.

Ajudar os outros, mas só se valer a pena

Eu acredito que os cristãos devem fazer coisas em prol da comunidade, no sentido lato, sem esperar nada em troca. Vejo o amar os outros e o fazer o bem aos outros como fins em si mesmo. Sempre que temos a oportunidade de servir as pessoas, acredito que estamos a servir a Deus.

Fico triste quando vejo igrejas (institucionais, quais haviam de ser) a pôr de parte a área social, ou a torná-la como serva do ministério de evangelismo. O que interessa, para esses, é o evangelismo, e se não se estão a converter pessoas com esse trabalho social, então não vale a pena continuar com ele. Será que se o Desafio Jovem não convertesse ninguém, mas libertasse o dobro de pessoas das drogas, deixaria de ser algo válido? Será que Deus só ama as pessoas que se irão converter? Creio que não. No entanto vejo que em muitas das nossas igrejas a área social é negligenciada, esquecida, relegada para um papel secundário.

Creio que a obra social deve ser vista como um fim em si mesmo, algo que fazemos por sermos seguidores de Cristo. E se alguém no processo vir a luz e se converter em discípulo de Cristo, tanto melhor.