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Simplice

A vida é simples

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Aviação Low-Cost

Recentemente tem havido alguns problemas com os aviões, e em muitos dos casos têm-se tratado de empresas de aviação Low-Cost. E o facto tem sido aproveitado para se apontar o dedo à falta de segurança nas empresas Low-Cost. Obviamente que o tema me interessa precisamente porque a minha esposa trabalha como hospedeira numa dessas empresas.

Diz quem viu, que quando foi o acidente da Spanair (por curiosidade, a Spanair nem faz parte da lista das Low-Cost) na semana passada, foi um piloto da TAP para o telejornal falar sobre o tema, e dizer, do alto da sua sabedoria, que é incrível como é que essas empresas conseguem vender bilhetes tão baratos, e que para isso ser possível, é claro que têm de cortar em algo, e claro que esse algo tem que ser a segurança, e depois acontecem estes acidentes.

Nem sei por onde hei-de começar. Se pela total ignorância mostrada por quem diz esse tipo de coisas, ou se pela falta de rigor jornalístico de se dar tempo de antena a uma empresa para falar mal das concorrentes.

Vou começar pela falta de rigor jornalístico. Se convidam um piloto da TAP para falar sobre as Low-Cost, que são precisamente as empresas que se estão a safar melhor e a custar muitos passageiros à mesma TAP, estão à espera de quê? Que ele seja imparcial e idóneo? Obviamente que ele vai aproveitar o tempo publicitário grátis para falar mal da concorrência para conseguir sacar clientes à concorrência. Parece-me mais do que óbvio.

Quando à ignorância, o modelo de negócio das Low-Cost é bem conhecido. Não, não é na segurança que eles cortam. A maioria tem aviões muito recentes, e a manutenção dos aviões e o tempo de horas de voo dos empregados são segundo regras estabelecidas internacionalmente, e que todas as companhias têm de respeitar. E não as empresas "normais" não fazem mais manutenção do que a que precisam de fazer, porque também estão interessadas em ter lucro. O modelo é simples: O preço dos bilhetes serve para pagar o custo do voo, o lucro vem daquilo que se vende no voo, e no facto de se cortar nas regalias do cliente (os bancos têm menos espaço, não há comida ou bebida grátis, paga-se a bagagem, não há almofadinhas nem mantinhas, etc).

O que fazia falta às empresas de aviação "tradicionais" era rever o seu modelo de negócio para se adaptar às novas realidades, em vez de se fecharem na sua pseudo-realidade a falar mal de quem tem modelos de negócio que funcionam.

Lei de Darwin: Adaptem-se ou morram.

Não fazemos as coisas com qualidade e segurança

Se por um lado levamos as coisas demasiado a sério, por outro lado, por incrível que pareça, fazemos as coisas sem qualidade e sem segurança.

Quantas igrejas conseguem apresentar projectos sociais com qualidade suficiente para receberem fundos comunitários? Quantas igrejas conseguem apresentar um projecto com qualidade para receber terrenos para a construção de instalações? Ou pior, quantas igrejas sabem que essas coisas existem?

Quantas igrejas têm extintores, planos de evacuação, caixas de primeiros socorros? Quantas igrejas têm seguros contra incêndios, roubos, acidentes? Quantos acampamentos e saídas são feitos sem os seguros obrigatórios?