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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Reuniões sem objectivo

Depois de ontem ler um artigo que defende que as reuniões são negativas, hoje no comboio falei um pouco com uma amiga sobre uma situação muito semelhante.

Na minha opinião, não é que as reuniões em si próprias sejam más, eu acho é que a forma como as reuniões são feitas pode ser má. Sejam reuniões de trabalho, conferências, ou reuniões religiosas, se não há vida nelas, tornam-se completamente aborrecidas.

E como é uma reunião viva?

Primeiro, algo vivo nunca é igual. Pensem numa árvore e numa pedra. A pedra mantém-se imóvel, sofrendo apenas uma lenta erosão. A pedra é uma coisa chata, aborrecida. Já a árvore, por outro lado, move-se com o vento, cresce, modifica-se, perde ramos e folhas, rejuvenesce a cada ano, etc. Assim devem ser as reuniões, devem evoluir com o tempo, modificar-se, morrer e ressuscitar.

Segundo, algo vivo implica o envolvimento de todos os membros. Porque uma reunião não é apenas uma árvore, mas várias árvores em conjunto. Como seria uma floresta se apenas uma árvore fosse verde e frondosa, enquanto as outras ou estavam secas, ou estagnadas? Assim é quando apenas uma pessoa (ou um pequeno grupo de pessoas dentro de um grupo maior) é motivado a envolver-se na reunião. É o que acontece quando uma pessoa faz uma reunião para as outras.

Em vez disso, as reuniões devem ser feitas por todos, para todos, e devem mudar e evoluir ao longo do tempo.

Parábola das reuniões

Um grupo de pessoas reuniu-se, e o líder apresentou um projecto já estudado e organizado por ele. Expôs o projecto, e no fim perguntou: Concordam? Alguma sugestão? E as pessoas viram que já estava tudo decidido e feito, por isso não disseram nada. Depois, o líder teve dificuldades em arranjar pessoas para ajudar no projecto.

Outro grupo de pessoas reuniu-se para delinear um projecto. Cada uma das pessoas deu a sua sugestão do que podia ser feito, e todas as sugestões foram consideradas e discutidas por todos. Por fim, juntos chegaram a uma decisão sobre o que devia ser feito e como devia ser feito. E juntos foram e fizeram.

Música adequada

Isto entristece-me um bocado, mas já tenho ido a reuniões cristãs que me fazem lembrar esta música. Muitas vezes as pessoas não pensam a sério sobre o que estão a fazer, fazem-no apenas por tradição. Ou pior ainda, fazem o mesmo de sempre mas com um pouco mais de espetáculo. Mas aquilo expremido não sai nada. O louvor é feito para entreter, a pregação não diz nada nem deixa de dizer, mas é tudo feito de uma forma viva. Pula-se, salta-se, mas é só fogo de artifício. Mais valia porem esta música de fundo. Espero não ter ofendido ninguém, estou a falar de um número pequeno de igrejas, a maioria tem outra música, a marcha fúnebre. E as pessoas que estão lá merecem mais do que isso. É tempo de mudar a "música" para algo vivo e novo, com sinceridade e verdadeiro sentido de comunidade.

Venham à missa

"Estejamos atentos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, sem abandonarmos a nossa assembleia - como é costume de alguns - mas animando-nos, tanto mais quanto mais próximo vedes o Dia." (Hebreus 10:24,25)

Muitos usam estes versículos para apontar o dedo àqueles que não vão assiduamente à igreja-edifício, pois o sinal máximo do verdadeiro cristão para eles, é não faltar ao culto/missa de Domingo. Na realidade, muitos deixam de o fazer porque não acontece o que está no resto dos versículos. Não se sentem atendidos, nem estimulados ao amor, nem estimulados às boas obras, nem animados. E no entanto talvez sintam isso tudo num outro sítio que não tem o aspecto formal de igreja. É difícil ser cristão a sério na igreja-instituição sem nos tornarmos religiosos. Se as pessoas não estão a ir regularmente, talvez a igreja-instituição tenha de apontar o dedo a ela própria.

Controlo

Ontem, numa conversa com o Allan e a Fabiana, acabamos por falar sobre o controlo que é exercido na forma como as reuniões se processam. Quando as coisas não têm uma "ordem de culto", há o perigo de acontecerem coisas das quais não se goste muito. Coisas que podem ser incomodativas. É muito mais fácil as coisas "correrem bem" se só as pessoas aprovadas pelo comité falarem.

Mas a vida não é assim. Todos nós fazemos e dizemos coisas que não devemos. E se retiramos essa liberdade de expressão das pessoas, vamos estar a torná-las menos participativas, até ao ponto em que se tornam meros espectadores do que poucos fazem. O formato que damos às nossas reuniões, e o estilo de ensino que usamos influenciam bastante a acção das pessoas.

Liberdade, passa também por ter liberdade de expressão, mesmo que se digam coisas erradas. Porque só assim poderemos corrigir-nos uns aos outros. Para crescer é preciso ter oportunidade de errar.