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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

Religiões do Japão por Michiko Yusa

Recentemente dei com este livro numa livraria. Rápidamente me chamou a atenção, quer pelo assunto, quer pelo preço: 5 euros. Comprei-o com o objectivo de aprender mais sobre o Japão, em particular do ponto de vista religioso.

Este livro tem a vantagem de ser um livro pouco extenso, mas ao mesmo tempo de expôr com algum detalhe não só as religiões do Japão, como a sua evolução ao longo do tempo. A abordagem ao tema é histórica, o que nos permite compreender melhor a ligação entre as várias religiões.

Além disso acabei por aprender bastante acerca do Budismo e do Xintoísmo, visto que o livro descreve com algum detalhe cada uma dessas religiões, que acabam por criar uma perfeita simbiose no Japão. Outro facto interessante foi o registo histórico do cristianismo no Japão, introduzido por portugueses, que mesmo após 300 anos de perseguição e sem contacto com o ocidente, continuou a existir.

Acabou por ser uma óptima compra. Recomendo-o a quem queria saber mais sobre o aspecto religioso da nação japonesa, e a quem queira perceber a influência destas questões na história do país.

O Cristianismo é uma religião oriental

Neste artigo a autora mostra-se chocada por haver algumas pessoas que afirmam que o cristianismo é uma religião oriental. Bem, eu sei que algumas pessoas têm dificuldades com mapas, mas se a minha memória não me falha, Jerusalém fica no oriente, e foi lá que o cristianismo começou.

O que a preocupa, e a outras pessoas que pensam como ela, é que se o cristianismo é uma religião oriental, então, como diz Paul, talvez não seja uma religião altamente racional, teórica, permeada de pensamento iluminista, e focada em doutrina. Se calhar, como o judaísmo e quem sabe a igreja primitiva, é uma religião bastante emocional, comunitária, e focada na prática. E isso foge bastante da tradição cristã ocidental.

Não será caso que o cristianismo pode ter doutrina, e ao mesmo tempo emoção, comunidade, e prática? Ou será que o cristianismo tem de ser uma religião de rituais e doutrinas que não influenciam a vida dos cristãos na prática?

A vida religiosa é parecida à vida espiritual

Às vezes tão parecida que quase não se distingue uma da outra.

O religioso é como o fariseu dos tempos de Cristo. Tem a aparência de pessoa santa, mas essa é apenas uma capa hipócrita da malícia que tem por dentro. À primeira vista parece um santo, mas quando se começa a conhecer a pessoa, vemos que é só fachada.

A pessoa espiritual, por outro lado, por ser humilde, sincera e transparente, pode parecer mundana à primeira vista, mas aquilo que está no seu coração logo vem ao de cima, e vemos a verdadeira identidade dessa pessoa.

Ocidentalização da igreja

O cristianismo começou no oriente, e não no ocidente. No entanto, devido a questões históricas das expanção do cristianismo, hoje em dia o cristianismo é considerado ocidental. E a maioria dos cristãos tem uma mentalidade ocidental.

Na realidade, o cristianismo não é nem ocidental nem oriental. O cristianismo é acultural. O que não é acultural é o evangelismo feito nos dias de hoje. Hoje, quando evangelizamos, temos a soberba de também culturalizar, comprometendo a universalidade da mensagem de Cristo.

O amor

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita." (1 Coríntios 13:1-3)

O amor é a cola que nos une. É o que faz tudo valer a pena. É o que distingue a vida cristã da religião cristã.

Activismo religioso

Este artigo da Paula inspirou-me a escrever algo sobre o activismo. São apenas alguns pensamentos soltos. Gostei especialmente da expressão "exaustão santificada" de Calvin Miller.

Entristeço-me quando vejo pessoas à volta de mim que esgotam todo o seu tempo na "obra de Deus", acabando por não ter tempo nem para Deus, nem para a família, nem para elas próprias. Entristeço-me quando vejo pessoas que pensam que só é possível servir a Deus dentro das actividades e ministérios da igreja. Pessoas que se sentem obrigadas a fazer coisas. É uma espécie de prisão, e não uma liberdade.

Faz-me lembrar algo que a minha Paula me disse ontem. No livro de Jeremias (ver 19:4-6), Deus diz que as pessoas estavam a sacrificar os seus filhos, e ele não requeria isso delas. É incrível como algumas pessoas, por religião, estão dispostas a fazer muito mais do que Deus requer delas, e às tantas já não estão a servir a Deus, mas a servir o seu eu religioso.

Os escribas, os fariseus, e nós

Jesus criticou muitas vezes os religiosos da altura dele por várias razões, mas principalmente por várias formas de hipocrisia que eles demonstravam. No exterior aparentavam grande religiosidade, mas ficavam por aí.

Aprendi com o Fernando Almeida há uns tempos que os religiosos de hoje somos nós, os cristãos, e que devemos prestar especial atenção ao que Jesus diz aos escribas e fariseus, porque pode bem ser que se aplique a cada um de nós...

Liberdade Religiosa para mim

Mas para os outros não. Infelizmente esta é a atitude de muitas pessoas, e não pode ser. Todas as pessoas têm direito à sua liberdade religiosa, e de defenderem (verbalmente) a sua religião, espaharem a sua religião, etc. A partir do momento em que dizemos que não a isso, estamos a mostrar duas coisas. Primeiro, não estamos a amar. Segundo, a convicção na nossa fé se calhar não é tão forte assim, se temos medo da influência dos outros.

Digo isto tudo apesar de eu não ver o cristianismo como uma religião, mas como uma vivência.