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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

Casamentos e relacionamentos

Gostaria de falar de um fenómeno engraçado. Determinadas pessoas, uns meses antes de casarem, esfriam os relacionamentos com algumas pessoas até ao dia do casamento, e depois volta tudo ao normal. O objectivo? Não convidar essas pessoas para o seu casamento.

Parece absurdo, não é? Mas é o que acontece. É preferível para alguns esfriar o relacionamento do que, não o fazendo, não convidar essas pessoas. Porque fica mal, por causa das aparências, etc.

No que me diz respeito, a quantos menos casamentos eu for, melhor. Por isso podem dizer-me na cara que não me vão convidar, que eu não só não fico chateado, como agradeço.

As pequenas coisas

Hoje estou com a sensação de que são as pequenas coisas as culpadas. São essas pequenas coisa que vão minando, e que fazem no fim despoletar uma coisa maior. E depois a culpa é sempre apontada para essa coisa maior.

Ou então é ao contrário. Coisas grandes acontecem que passam despercebidas, e que acabam por contaminar todas as pequenas coisas que mantém os relacionamentos.

As pessoas que vão desaparecendo

"Resulta uma sensação de alívio da percepção de que as pessoas que vão desaparecendo da nossa vida não fazem falta nenhuma." (Micróbio)

Identifico-me perfeitamente com esta frase. Não em relação a familiares ou amigos que morreram, não é disso que se trata, mas em relação às amizades que vão desaparecendo. Estou cada vez mais convicto de que as pessoas que vão desaparecendo da minha vida não fazem falta nenhuma.

Os verdadeiros amigos permanecem sempre, independentemente de espaço, tempo, ou seja o que for. E são esses relacionamentos que realmente importam. Os outros, os que se relacionam porque precisam de nós, ou enquanto temos interesses em comum, ou enquanto trabalhamos juntos, ou por outra razão estranha; esses, no fim das contas, não fazem falta nenhuma.

Amizade

Amizade é quando as pessoas gostam de estar connosco independentemente de fazermos parte de algo em conjunto. Quando as pessoas estão connosco apenas porque fazemos parte de algo em conjunto (um clube, uma igreja, um projecto), então isso não é amizade. É algo meramente circunstancial.

Simples objectos

Já antes o tinha afirmado neste blog, e volto a afirmar: Os relacionamentos não são meios para atingir um fim.

Por vezes espanto-me que algumas pessoas pensem que me conseguem enganar tão facilmente. Pessoas que não me contactam há muito tempo, e que de repente lembram-se de mim, e que "por coincidência", precisam de algo de mim.

Os relacionamentos, ou são honestos, ou são manipulação. Tão simples quanto isso. As pessoas não são algo do qual nos servimos. As pessoas são seres que devemos amar, independentemente da utilidade que elas possam ter.

Igreja família

A igreja é uma família. Não é uma empresa, não é um clube desportivo, não é uma associação recriativa, não é uma organização social. A igreja é uma família.

Numa família as pessoas vivem debaixo do mesmo tecto, comem juntas, passam tempo umas com as outras, protegem-se, chateiam-se, reconciliam-se, ajudam-se, conversam, partilham. Numa família existe intimidade, confiança, companheirismo, amizade, amor, altruísmo.

Pensar na igreja como algo menor do que isto, é pensar em algo que não é a igreja. Chamemos-lhe outra coisa: Organização, religião, empresa, seja o que for. Mas por favor, não lhe chamemos igreja.

Institucional ou relacional?

"Longe de ser um corpo ou uma família, a igreja para a maioria de nós é uma organização ou uma instituição. O contraste entre a forma institucional da igreja contemporânea e a forma relacional da igreja do primeiro século dificilmente poderia ser mais contrastante." (Hal Miller)

Hoje em dia falamos da necessidade de reavivamento, de renovação, até de reforma. Queremos ver a manifestação da presença e do poder de Deus no nosso meio. Mas pensar que é possível experimentar isso dentro da igreja institucional, é o mesmo que pensar ser possível experimentar a potência de um carro de Fórmula 1 com uma bicicleta. Não é possível. Se queremos experimentar o que a igreja do primeiro século experimentava, precisamos praticar o que eles praticavam.

Mikado e outros jogos

MikadoJuntámo-nos sábado à noite com o objectivo de jogarmos uns jogos e comermos um bolo, e acabámos por não fazer praticamente nada. Ainda jogámos um pouco de Cartas, e quase jogámos ao mikado mas acabámos por estar simplesmene uns com os outros na conversa. É bom quando os relacionamentos entre as pessoas chegam a um ponto em que podemos simplesmente disfrutar da presença uns dos outros. Ser comunidade, ser igreja, também é isto.

Transparência

Desconfio bastante das pessoas que nunca têm problemas comigo, ou com a minha forma de pensar. Isso só pode acontecer por duas razões (que eu me lembre): Ou a pessoa é exactamente como eu, ou a pessoa esconde-me as suas diferenças. E eu acredito que todas as pessoas são diferentes, por mais parecidas que sejam.

No fundo, a pessoa que está sempre em concordância comigo não está a ser transparente. Está a procurar agradar-me de uma forma doentia, mostrando uma máscara, ou na melhor das hipóteses, uma ténue imagem do que ela realmente é. Quem concorda sempre comigo, nunca poderá ser meu verdadeiro amigo, pois eu nunca o conhecerei verdadeiramente. E sem verdadeiro diálogo (leia-se debate, dicussão, divergências de opinião), nunca haverá o relacionamento que é necessário haver entre os membros de uma comunidade.

Não devemos ter medo de mostrar as nossas opiniões e gostos, mesmo quando isso diverge do que os outros pensam e sentem. O problema não está em sermos diferentes, mas em não sabermos aceitar as nossas diferenças. O problema não vem de sermos transparentes, mas sim de sermos intransigentes. E é com esse problema que devemos lidar.

O rascunho

Quando começamos algo novo, por mais que se planeie, o mais provável é que a coisa não corra nada bem. Vão sempre surgir coisas das quais não estávamos à espera. E sempre vamos chegar a um ponto em que faríamos a coisa diferente se começássemos de novo. E porque não começar de novo? Porquê insistir com algo que podia ser melhor? Afinal de contas, o erro é a melhor forma de aprender como fazer bem.

Mas para que se possa começar tudo de novo, é necessário que os relacionamentos sejam profundos. Porque se o que une as pessoas é apenas o projecto de que fazem parte, então se começarmos tudo de novo, cada um vai para o seu lado. Se calhar por isso é que temos tanto medo da mudança, porque os relacionamentos não existem.