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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Contemplar

AlentejoNo que diz respeito a um relacionamento com Deus, creio que temos perdido várias coisas ao longo do tempo. O relacionamento com Deus parece reduzida à oração e à leitura da Bíblia. A oração para nós falarmos com Ele, e a Bíblia para ele falar connosco.

Embora muitas outras formas de relacionamento tenham caído em desuso, uma das que gostava de salientar é a contemplação. A tal ponto, que muitos de nós nem fazemos ideia do que é contemplar Deus. Nem saberíamos por onde começar.

Contemplar Deus pode ser feito de várias formas. Podemos contemplar Deus através da sua criação. Observando a natureza ao nosso redor, e percebendo que Deus é o criador de todas essas coisas. Meditar nesse facto, e nas aplicações práticas à nossa vida. Ou então simplesmente contemplá-lo em espírito, na sua presença, admirando-o e meditando nele.

Envolvimento

Ontem falava com um amigo meu sobre a igreja onde ele está inserido. Essa igreja em particular é uma igreja que no passado recente fez a mudança para um igreja em células/grupos familiares.

A conversa chegou ao tema do envolvimento das pessoas na igreja. Perguntei-lhe se notava mais envolvimento das pessoas na igreja, e ele disse que sim. Perguntei-lhe se esse aumento de envolvimento era na igreja-instituição ou na igreja-pessoas (relacionamentos), e ele disse que era claramente na instituição.

Na minha opinião, é triste que isso tenha acontecido. É triste que a única diferença notada seja no envolvimento na maquinaria da instituição. É que no fundo, as pessoas estão mais sobrecarregadas de trabalho, sem que se veja quaisquer frutos disso.

É bom que nos lembremos do seguinte: Mais actividade não implica mais fruto. Não é por aumentarmos o número de actividades numa igreja que passaremos a ter mais relacionamentos, mais pessoas a seguirem Jesus, mais pessoas a crescerem espiritualmente. Não é só o que se faz, mas principalmente a forma como se faz.

Construir algo novo

Estes últimos tempos têm sido desgastantes. Muitas mudanças na minha vida e na das pessoas à minha volta. Este fim de semana houve um ciclo que se fechou, os 4 canadianos que estavam aqui a ajudar o Movimento Vida Nova voltaram para a terra deles, e já estamos com saudades. Eles eram parte importante do nosso grupo principal, e vão-nos fazer muita falta. Teremos que ir matando as saudades pela internet.

Neste momento estamos a investr no relacionamento com várias pessoas. Umas desencantadas com a igreja, outras sem um relacionamento com Deus. E daí creio que surgirá uma igreja. Porque a igreja deve começar pelos relacionamentos. Eu sou igreja com outros porque temos um relacionamento de amizade, eu não faço uma igreja para ter amigos. Criar primeiro uma "igreja" e só depois relacionamentos é pôr a carroça à frente dos bois.

Sem relacionamento não há comunidade

Um grupo de pessoas pode fazer imensas coisas, pode fazer todo o tipo de obras: Alimentar os famintos, formar os incultos, mudar a sociedade, e toda a forma de acções positivas para a sociedade. Mas ainda que façam tudo e mais alguma coisa, sem relacionamento entre elas, não são uma comunidade. E se não são uma comunidade, mais tarde ou mais cedo aquilo que estão a fazer deixará de existir, não haverá continuidade.

Sem relacionamento não há comunidade

Acesso directo a Deus

Jesus veio, entre outras coisas, para restaurar o relacionamento entre o homem e Deus. Graças a Jesus, hoje temos acesso directo a Deus, sem precisarmos de intermediários. Mas o homem parece ter problemas com esse conceito. Basta ver o que acontece nas várias igrejas cristãs.

Na igreja católica existem vários intermediários. O padre, os santos, e Maria. Confessam-se ao padre em vez de se confessarem directamente a Deus. Rezam aos santos e a Maria em vez de falarem directamente com Deus. Alguns chegam até a adorar Maria, quando deviam adorar somente a Deus.

Na igreja evangélica, muitos desses intermediários foram cortados. Confessam-se a Deus, e falam directamente com ele, pelo menos na maioria das vezes. No entanto continuam a ter um intermediário em muitos dos casos: O pastor. Muitos preferem pedir ao pastor que ore por eles, pois pensam que a oração do pastor tem mais poder que a oração deles. E acreditam que tem ainda mais poder se for feito no fim de um culto, na zona do altar da igreja-edifício. Como se Deus estivesse mais limitado a nos responder se a oração for feita fora desse contexto.

A culpa desta situação tem duas faces. Por um lado alguns líderes alimentam essa dependência. Por outro lado, algumas pessoas querem intermediários para não terem de se responsabilizar pelos próprios actos. E com isso perdem um dos maiores presentes que Deus nos deu, o acesso directo a ele.

Conhecer a cultura do outro

É impossível ter um relacionamento chegado com outra pessoa sem se falar das diferenças culturais que existem entre ambos. É preciso conhecer a sua cultura para realmente compreendê-lo. E infelizmente falar das diferenças culturais é um tabu, as pessoas evitam-no ao máximo, e sentem-se ofendidas quando se aborda esta questão. Era bom que isso mudasse, pois só com o diálogo as diferentes culturas podem aproximar-se.

Oração: Ritual ou vivência com Deus?

Oração é falar com Deus. A questão que se põe é: isso deve ser feito de uma forma ritualizada, ou no contexto de uma vivência com Deus? Analisando a minha vida no passado, e a igreja no geral, muitas pessoas, apesar de acreditarem terem um relacionamento com Deus, fazem-no de uma forma ritualizada. Separam um determinado tempo por dia ou por semana para falar com Deus, como se no resto do dia Deus não estivesse connosco, e falam com todas aquelas palavras teológicas que nunca usariam com outras pessoas.

Uma boa comparação foi dada por uma rapariga canadiana que está no nosso grupo. Ela tem um namorado, que ficou no Canadá. E de vez em quando telefona-lhe. No pouco tempo que tem para falar, tenta falar de todas as coisas importantes. Mas quando ela está no Canadá, ela fala com ele sempre que está com ele, e fala tanto das coisas importantes, como das coisas mais banais.

Muitas vezes falamos com Deus como se estivessemos a falar por telefone numa chamada de longa distância. Temos aquele tempo para falar com ele, e falamos só do mais importante. Mas Deus não está longe, Deus está no meio de nós. E devemos relacionar-nos com Ele como fazemos com a nossa família. Falando às vezes das coisas mais banais, constantemente, ao longo do dia. O nosso relacionamento com Ele deve ser constante, e não esporádico. Afinal de contas, Deus está no meio de nós, ou não está?

Rotina outra vez

Hoje pensei um pouco mais sobre o que escrevi no artigo Rotina é bom/mau.

Se a igreja para nós é um sítio onde vamos, e a nossa visão de reunião de igreja é ir à igreja (lugar), então faz todo o sentido fazer disso uma rotina.

Por outro lado, se a nossa visão de igreja é um grupo de cristãos que se reunem para se relacionarem uns com os outros e com Deus, então rotina não faz qualquer sentido. Não pode haver rotina num relacionamento, pois deixa de ser um relacionamento para passar a ser um protocolo.

Cada um escolhe o tipo de igreja que quer.