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Simplice

A vida é simples

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O touro de bronze

Diria-se que eu, depois de tantos anos activo no cristianismo, de ter estudado Teologia no Instituto Bíblico Português, de ter liderado e semi-liderado vários departamentos em várias igrejas, e ter estado por dentro de quase todas as denominações evangélicas imagináveis, e de em todo esse tempo ter estudado e interagido com tantas outras, e de ter de várias formas combatido e enfrentado todo o tipo de erros teóricos e práticos, que dificilmente me deixaria surpreender por algo que os cristãos façam. Afinal de contas já vi de tudo, desde hipocrisias a extremismos, desde apatia a milagres. Mas nada do que vi me preparou para isto:



Passo a explicar o que eles estão a fazer. Estão a orar a Deus para que o sistema económico recupere. E se não bastasse isso, estão a fazê-lo junto ao touro de bronze de Wall Street, símbolo da economia americana. Eu sei, quem não é cristão não deve estar a ver a ironia disto. Talvez com algumas passagens Bíblicas, fique mais clara a minha estupefacção:

"Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro." (Mateus 6:24)

"Vendo que Moisés demorava a descer do monte, o povo reuniu-se à volta de Aarão e disse-lhe: «Vamos! Façamos para nós um deus que caminhe à nossa frente, pois a Moisés, esse homem que nos persuadiu a sair do Egipto, não sabemos o que lhe terá acontecido.» Aarão respondeu-lhes: «Tirai as argolas de ouro das orelhas das vossas mulheres, dos vossos filhos e das vossas filhas, e trazei-mas.» Eles tiraram as argolas que tinham nas orelhas e levaram-nas a Aarão. Recebeu-as das mãos deles, deitou-as num molde e fez um bezerro de metal fundido. Então exclamaram: «Israel, aqui tens o teu deus, aquele que te fez sair do Egipto.» Vendo isso, Aarão construiu um altar diante do ídolo, e disse em voz alta: «Amanhã haverá festa em honra do SENHOR.» No dia seguinte de manhã, ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão. O povo sentou-se para comer e beber e depois levantou-se para se divertir.
O SENHOR disse a Moisés: «Vai, desce, porque o teu povo, aquele que tiraste do Egipto, está pervertido. Desviaram-se bem depressa do caminho que lhes prescrevi. Fizeram um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios e disseram: «Israel, aqui tens o teu deus, aquele que te fez sair do Egipto.»"
(Êxodo 32:1-8)

Como é possível o povo cristão estar tão cego, que em vez de se preocuparem com os problemas de injustiça no mundo, com a fome, com a pobreza, estão antes preocupados com o sistema monetário actual? Onde está a nossa segurança? O que é que dita o nosso sistema de valores? A quem damos a nossa aliança? O sistema financeiro, ou Deus?

Visto aqui, e com origem aqui.

Contemplar

AlentejoNo que diz respeito a um relacionamento com Deus, creio que temos perdido várias coisas ao longo do tempo. O relacionamento com Deus parece reduzida à oração e à leitura da Bíblia. A oração para nós falarmos com Ele, e a Bíblia para ele falar connosco.

Embora muitas outras formas de relacionamento tenham caído em desuso, uma das que gostava de salientar é a contemplação. A tal ponto, que muitos de nós nem fazemos ideia do que é contemplar Deus. Nem saberíamos por onde começar.

Contemplar Deus pode ser feito de várias formas. Podemos contemplar Deus através da sua criação. Observando a natureza ao nosso redor, e percebendo que Deus é o criador de todas essas coisas. Meditar nesse facto, e nas aplicações práticas à nossa vida. Ou então simplesmente contemplá-lo em espírito, na sua presença, admirando-o e meditando nele.

Oração por alinhamento

Existem pelo menos duas formas de ver a oração (mais especificamente, a oração de petição, visto que oração é qualquer relacionamento com Deus). Uma, segundo o modelo de alinhamento, e a outra é segundo o modelo de persistência. Os títulos são um bocado maus, mas foi o melhor que consegui arranjar :)

Modelo de persistência

O modelo de persistência é aquele que é mais usado na igreja dos dias de hoje. De uma forma resumida, este modelo baseia-se na persistência. É a ideia de que se pedirmos algo a Deus de uma forma persistente (e com a fé suficiente, e às vezes com certos factores auxiliares), Deus responde à nossa oração (positivamente). Esta forma de pensar sobre a oração é baseada em textos como a parábola do juiz e da viúva (Lucas 18:1-8).

A inferência errada que é retirada deste texto, é de que nós devemos pedir a Deus a mesma coisa quantas vezes for preciso até que ele responde, pois se persistirmos em pedir algo, ele vai responder.

O problema é que não é isso que o texto diz. Afinal de contas, Deus não é um juiz iníquo. O que o texto diz é que se até um juiz iníquo responde, quanto mais Deus. O que o texto mostra é que podemos ter fé de que Deus vai responder às nossas orações.

Este tipo de mentalidade muitas vezes gera erros em que as pessoas pensam na oração como algo que tem mais ou menos poder. Em que uma oração feita por um pastor, ou colocada no muro das lamentações, tem mais poder do que uma oração feita por uma pessoa "normal". O poder é desviado da capacidade de Deus, para a qualidade da oração.

Modelo do alinhamento

O modelo do alinhamento tem uma abordagem bastante diferente. Este modelo baseia-se no alinhamento daquilo que pedimos com a vontade de Deus. A ideia principal é de que se a nossa vontade estiver alinhada com a vontade de Deus, ele irá responder às nossas orações. O texto onde podemos ver isso claramente é na alegoria da videira e dos ramos (João 15:1-16).

Isso implica muito mais do que pedir a Deus o que queremos. Isso implica toda uma mudança da nossa vida, para que ela seja de acordo com Jesus em todas as coisas. Quando isto acontece, deixa de ser uma questão de "o que é que Deus pode fazer por mim", para passar a ser uma questão de "o que é que eu posso fazer para Deus". Implica que não estarei a pedir coisas segundo o meu plano, mas segundo o plano de Deus.

Mistura de sentimentos maus

Este fim de semana estive no Algarve, e fui a um culto evangélico. Sim daquele tipo normal, numa igreja tipicamente institucional. Saí de lá com uma mistura de sentimentos maus.

Primeiro, fiquei triste. Triste por ver pessoas a cantar "Sou feliz em Cristo Jesus" com caras de enterro. Triste por ver pessoas a fazer orações em que 90% do que diziam era para as pessoas à volta ouvirem, e não para Deus.

Mas depois fiquei irritado. Fiquei irritado com a pregação. O pregador, pegando nos versículos de Êxodo 17:8-16, pregou sobre o tema "A oração tem poder". Irritou-me por várias razões. Primeiro, porque a pessoa que pregou foi meu colega no Instituto Bíblico, e tinha mais que capacidade de ver que o texto não fala de oração. Segundo, fiquei irritado com a mentira que estava a ser pregada, porque o que tem poder não é a oração, mas Deus.

Fiquei triste também por ninguém reparar nisso. Mas no fim fiquei imensamente triste e frustrado ao perceber que o tradicional culto evangélico é um entorpecedor de mentes. Nunca tinha pensado nisto assim, mas o culto ajuda-nos a não questionar, a engolir tudo o que nos dizem. Não há espaço para falar, apenas para ouvir.

Sem dúvida que é tudo feito com a melhor das intenções. Neste culto onde estive conheço uma boa parte das pessoas envolvidas, algumas até bastante. E sei que a atitude dos seus corações é de servir a Deus. Mas infelizmente, as pessoas podem estar sinceramente erradas.

Ou posso ser eu que estou errado, ou com má atitude. Mas por mais que eu queira que seja isso, não me consigo convencer.

A relatividade do tempo

O tempo é algo que faz sentido para seres temporais como nós somos. Mas quando se fala de Deus, que é intemporal, deixa de fazer sentido. Ele é omnisciente, sabe todas as coisas que cada um de nós fez ou vai fazer. Como tal, ele está presente em todo o tempo "ao mesmo tempo". Agora permitam-me expor uma teoria que eu tenho.

Imaginemos que uma pessoa corre perigo de vida na segunda-feira. É possível uma outra pessoa orar na terça-feira seguinte pela sua proteção, e Deus responder à sua oração, pois ele na segunda-feira já sabia que a outra pessoa ia orar acerca do assunto.

Ainda não os consegui confundir? Então reparem. Imaginem que outra pessoa precisa de um emprego, e pede a Deus com a atitude correcta. Imaginem ainda que no mês seguinte ela muda de atitude, e passa a ter uma atitude incorrecta. Então se calhar Deus não vai responder a essa oração porque ele sabe o futuro.

O que acham desta teoria?

Questão: Porque pediram os discípulos a Jesus para que os ensinasse a orar?

"Sucedeu que Jesus estava algures a orar. Quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João também ensinou os seus discípulos.» Disse-lhes Ele: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; dá-nos o nosso pão de cada dia; perdoa os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixes cair em tentação.»" (Lucas 11:1-4)

Nas nossas igrejas nós oramos publicamente, e uma das formas pelas quais aprendemos a orar, é ouvindo as pessoas à nossa volta que já o fazem à mais tempo.

Aqui vai uma pergunta para a qual ainda não tenho resposta. Jesus orava com regularidade. Sendo assim, porque pediram os discípulos para que lhes ensinasse a orar? Será que Jesus nunca orava publicamente? Será que ele orava sempre em privado? E se sim, quais são as consequências disso para a oração pública? Como devemos nós orar?

Procura-se informação sobre oração

Tenho estado à procura de sites ou livros que falem da forma como se orava na igreja primitiva. Como era a vida privada de oração? Como era a vida pública de oração? Quando é que se começou a fazer a oração como fazemos nos tempos de hoje? Que diferenças há?

Se conhecerem algum estudo interessante sobre o tema, agradecia que colocassem nos comentários onde é que posso pesquisar mais nesse tema.

Oração: Ritual ou vivência com Deus?

Oração é falar com Deus. A questão que se põe é: isso deve ser feito de uma forma ritualizada, ou no contexto de uma vivência com Deus? Analisando a minha vida no passado, e a igreja no geral, muitas pessoas, apesar de acreditarem terem um relacionamento com Deus, fazem-no de uma forma ritualizada. Separam um determinado tempo por dia ou por semana para falar com Deus, como se no resto do dia Deus não estivesse connosco, e falam com todas aquelas palavras teológicas que nunca usariam com outras pessoas.

Uma boa comparação foi dada por uma rapariga canadiana que está no nosso grupo. Ela tem um namorado, que ficou no Canadá. E de vez em quando telefona-lhe. No pouco tempo que tem para falar, tenta falar de todas as coisas importantes. Mas quando ela está no Canadá, ela fala com ele sempre que está com ele, e fala tanto das coisas importantes, como das coisas mais banais.

Muitas vezes falamos com Deus como se estivessemos a falar por telefone numa chamada de longa distância. Temos aquele tempo para falar com ele, e falamos só do mais importante. Mas Deus não está longe, Deus está no meio de nós. E devemos relacionar-nos com Ele como fazemos com a nossa família. Falando às vezes das coisas mais banais, constantemente, ao longo do dia. O nosso relacionamento com Ele deve ser constante, e não esporádico. Afinal de contas, Deus está no meio de nós, ou não está?

Labirinto de oração

Ontem tivemos uma reunião bem diferente. Cada um de nós trouxe algo que exemplificasse ser sal (Mateus 5:13-14). Decidi levar uma actividade interessante: Levei todo o grupo a fazer um origami, enquanto explicava o paralelo entre o origami e ser sal. Entre a forma como o papel é moldado, e a forma como nós somos de influência na vida das pessoas à nossa volta. O Allan exemplificou o efeito do sal no gelo, e o Carlos conduziu-nos numa sessão de expressão corporal e a desenhar a forma como víamos Deus naquele momento.

Depois disto, atravessámos um labirinto de oração. Para quem não conhece, é um labirinto (neste caso desenhado no chão), que tem vários versículos para meditação no trajecto (neste caso versículos do Salmo 32), e várias paragens com propósitos específicos. Haviam 4 paragens. Uma para reflectir sobre a nossa vida, outra para lavar os pés ou mãos a alguém, outra para contemplar a criação de Deus, e outra para o louvar.

Um exemplo de labirinto de oração encontra-se aqui.

O tempo da oração

Achei interessante ler neste artigo que a oração que Jesus ensinou aos discípulos não é longa. É até bastante curta. Por outro lado sabemos que Jesus e a igreja passavam longas horas em oração.

Até que ponto o tempo que passamos em oração "conta"? Não terá mais valor a atitude que temos perante Deus? O que será que tem mais valor? Passarmos muito tempo em adoração a Deus, ou aquilo que nós fazemos (e a forma como fazemos) no dia a dia ser um louvor a Deus?

Acho que tudo isso é importante, e há tempo para tudo. Para orações curtas e compridas, para dias em que adoramos com palavras, e para dias que adoramos com actos. De tudo isso Deus se agrada.

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