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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Fim de um ciclo, começo de outro

Guarda Rios

Terminei a semana que passou o primeiro ano do mestrado em Biologia da Conservação. Agora só falta a tese, que já está pensada e encaminhada.

 

Foi um ano muito intenso. Não fazia idéia de que o primeiro ano de um mestrado fosse algo tão trabalhoso. Acho que perto disto, a tese vai ser quase um passeio. Ainda por cima os primeiros 2/3 estive a trabalhar ao mesmo tempo. À distância, é um facto, mas nem por isso deu menos trabalho. Chegou a um ponto que tive de desistir do trabalho (também por outras razões, mas não vêm ao caso). Só parava para dormir. Agora preciso de umas férias bem merecidas.

 

Foi também um dos anos que mais gozo me deu. A Biologia é uma área pela qual tenho muito interesse, e foi imensamente recompensador o que aprendi e pratiquei ao longo destes 9 meses. Também me permitiu finalmente perder a imagem idílica que tinha do trabalho em Biologia, algo que era essencial para levar a minha vida em frente.

 

Agora terminado este ciclo, e com a tese de mestrado já encaminhada e preparada, é altura de começar um novo ciclo, que passará pelo menos para já por voltar à programação. Não estou ao corrente do mercado português de trabalho na área, não sei se vai ser fácil ou difícil, mas entre Setembro e Outubro espero já estar a trabalhar.

Força da gravidade

Tudo o que sobe, tem de descer. Ou pelo menos é essa a tendência.

A lei da gravidade aplica-se também à mudança. É difícil mudar. Muitas são as mudanças que só se notam a curto prazo, mas logo voltam ao mesmo de antes. São mudanças bem intencionadas, mas falta-lhes a vontade e a força necessárias para se oporem à força da gravidade.

É preciso mais do que isto.

A mudança e os odres

"Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo puxa parte do tecido e o rasgão torna-se maior. Nem se deita vinho novo em odres velhos; de contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e estragam-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos; e, desta maneira, ambas as coisas se conservam." (Mateus 9:16-17)

Naqueles tempos, os odres eram feitos de pele de animais. E se fosse colocado vinho novo em odres já secos, os odres rebentariam com o processo da fermentação. E embora estes sejam bons conselhos para os fabricantes de vinho da altura, Jesus falava por parábolas de algo bem mais importante. Jesus falava do processo de mudança. Da substituição do novo pelo velho, da renovação, da reforma.

Se queremos renovar a igreja dos dias de hoje, temos de ter em atenção este versículo. Será que tentar mudar a igreja por dentro não é o mesmo que tentar inserir vinho novo em odres velhos? Eu creio que sim. E o resultado será a destruição tanto do odre, como do vinho.

A igreja dos dias de hoje existe como existe, e é relevante para um determinado grupo de pessoas. Não creio que tenhamos o direito de pressionar ou obrigar essas pessoas a adoptar uma nova forma de ser igreja.

Se realmente queremos mudança, temos de coser os nossos próprios odres. E aí fazer aquilo que Deus revelar ao nosso coração. Menos do que isso, é embrulhar-nos em quesílias internas que não levam a lado nenhum.

Mudar o mundo pelo exemplo

"O exemplo convence-nos mais do que as palavras" (Séneca)

É fácil olharmos à nossa volta e vermos coisas que estão erradas. Isso é algo que nos frustra. A reacção mais natural, é criticarmos. Ou até mesmo chegarmos a conflicto aberto, tentando obrigar os outros a agir correctamente. Ou então desistirmos de participar.

O caminho que Cristo nos ensinou é diferente. Embora haja espaço para a crítica, a forma que devemos usar primeiramente é o exemplo. Se existem pessoas que estão a agir de forma errada, então vamos nós agir correctamente, e através do nosso exemplo ensinar os outros.

Se existem pessoas que deitam lixo para o chão, nós vamos pegar nele e pôr no lixo. Se existem pessoas que ignoram o necessitado, então vamos e ajudemos. Se existem pessoas que gananciosamente se aproveitam dos outros, então vamos e ensinemos a forma correcta de lidar com as pessoas.

Mudança

Flying awayNesta foto, nota-se que faltam algumas penas nas asas da gaivota. É natural, significa que ela está a mudar as penas. Se a gaivota não mudasse as penas, mais tarde ou mais cedo elas envelheceriam, perderiam propriedades, e ela deixaria de conseguir voar.

Também é assim connosco. Se mantivermos tudo na mesma, se nos agarrarmos demasiado ao que somos e temos neste momento, um dia deixaremos de conseguir voar. Não devemos ter medo da mudança, faz parte do processo natural da vida.

O problema da crítica

A igreja tem uma cultura de aversão à crítica. De vez em quando recebo comentários no meu blog de pessoas confusas ou chateadas com o facto de eu criticar tanta coisa no meu blog. Estou a falar de pessoas genuinamente interessadas no reino de Deus, pessoas que merecem todo o respeito.

Eu acho muito negativo ignorarmos os problemas que existem, que é o que acontece nos dias de hoje. Não se fala do que está mal. E ao fazermos isso, o erro é prolongado, e fica cada vez maior.

É preciso ter a coragem de falar do que está mal, e debater a solução do problema. É preciso deixarmos a apatia, a indiferença, e lutarmos por uma igreja melhor, mais perto da vontade de Cristo. Para isso é preciso falarmos do que está mal na comunidade onde estamos inseridos. Mas fazê-lo com uma atitude de amor, de humildade, de respeito. Só assim a igreja poderá tornar-se na noiva sem mancha que Jesus procura.

Mudança

Esta última semana foi tempo de mudança. A comunidade em que estava inserido tomou um rumo mais institucional nos últimos 6 meses, por diversas razões. A semana passada, conversando sobre a situação, chegámos à conclusão de que, para todos seguirmos a direção de Deus, era necessário que cada um seguisse o seu caminho. Oramos uns pelos outros, para que Deus nos mostrasse o caminho que devemos tomar, e trocamos algumas palavras de incentivo.

Fica alguma tristeza e alguma saudade, mas os verdadeiros relacionamentos continuarão a existir, e a igreja, universal, continua. A igreja toma muitas formas diferentes, mas continua uma só, unida em Cristo Jesus.

Mudança

"Se as práticas da tua igreja entram em conflito directo com com a revelação do Novo Testamento, estás disposto a ajustá-las?" (Frank Viola em Rethinking the Wineskin, p. 166)

Um dos lemas da reforma protestante era "Semper Reforma", ou seja, reforma contínua. Os líderes do movimento reformador admitiam assim que a sua reforma não era suficiente, e que era necessário continuar sempre a reformar (repensar, mudar) a igreja.

A maior oposição a essa reforma contínua é a tradição religiosa. Estamos nós dispostos a questionar toda a nossa prática cristã? De analisar à luz da Bíblia aquilo que fazemos? E ao encontrarmos conflictos entre a nossa tradição, estamos nós dispostos a mudar essa tradição? Infelizmente acho que são mais os que dizem que sim, do que os que o fazem. Mas tenho esperança.

O rascunho

Quando começamos algo novo, por mais que se planeie, o mais provável é que a coisa não corra nada bem. Vão sempre surgir coisas das quais não estávamos à espera. E sempre vamos chegar a um ponto em que faríamos a coisa diferente se começássemos de novo. E porque não começar de novo? Porquê insistir com algo que podia ser melhor? Afinal de contas, o erro é a melhor forma de aprender como fazer bem.

Mas para que se possa começar tudo de novo, é necessário que os relacionamentos sejam profundos. Porque se o que une as pessoas é apenas o projecto de que fazem parte, então se começarmos tudo de novo, cada um vai para o seu lado. Se calhar por isso é que temos tanto medo da mudança, porque os relacionamentos não existem.