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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Agências Missionárias

Se Paulo tivesse sido enviado por uma agência missionária moderna, não tinha feito metade do que fez.

O modelo usado nos tempos da igreja do novo testamento era bem diferente. Eram as igrejas que enviavam os apóstolos, e não agências missionárias. Esses apóstolos iam a uma zona e fundavam uma igreja. Quando essa igreja tinha um número suficiente de cristãos habituados a viver em comunidade debaixo da soberania de Cristo e a usar os seus dons, o que levava cerca de um ano, o apóstolo passava para outro sítio. A igreja continuava a crescer, chegando a um ponto em que surgiam naturalmente líderes do meio deles. Mais tarde o apóstolo voltava e reconhecia os líderes que já haviam emergido. Nos anos seguintes o apóstolo continuava a ajudar através de cartas, ou visitas esporádicas. Financeiramente, o apóstolo suportava-se a ele próprio muitas das vezes, outras vezes era suportado pela igreja de origem.

Em contraste, o missionário do dia de hoje não é carne nem peixe. É enviado por uma agência (que organiza um grupo de igrejas para lhe dar o dinheiro), e espera-se que ele se mantenha lá durante 3-5 anos. No decorrer desse tempo, é esperado que arranje um espaço onde congregar a igreja, e que comece a trazer pessoas a esse edifício. Se as coisas correrem de feição, ele próprio cria uma equipa de liderança, e em grande parte dos casos torna-se o pastor principal da igreja, passando a ser pago pela igreja. O missionário é uma mistura de apóstolo e pastor.

O resultado do primeiro caso, é uma comunidade de discípulos que se habitua a viver debaixo do senhorio de Cristo, e onde cada membro é participante activo, usando os dons que o Espírito lhe deu liberalmente. O resultado do segundo caso é uma instituição, constituída por uma pequena liderança que faz tudo, e um grande número que apenas assiste à missa (ou culto), sem que se tornem participantes, utilizem os seus dons (muitos nem os conhecem), ou façam muito mais do que aquecer cadeiras.

A instituição é castradora

Ou pelo menos tem um grande potencial para o ser. Conheço vários missionários que têm de voltar à sua terra durante imenso (meses) tempo porque o sistema funciona assim, interrompendo em parte o seu trabalho. Outras pessoas têm ideias, mas essas mesmas ideias não são implementadas, porque quando chega ao fim do processo burocrático, são chumbadas. A entropia que situações como estas geram é uma coisa monstruosa.

Isto já funciona assim há séculos, e ninguém muda isto?!

Franchising de Igrejas

Cada país tem a sua cultura, a sua forma de ser e de estar, as suas particularidades. É pena quando as organizações missonárias e os seus missionários fecham os olhos a isso, e plantam igrejas franchisadas, cópias daquilo que têm nos países de origem. Esse tipo de igreja pode até ser relevante no país de origem, mas não o são quase de certeza no país de destino.

Está na altura de isso acabar, e de começarem a surgir cada vez mais igrejas que estão de acordo com a nossa cultura, sem comprometer as verdades bíblicas. Igrejas que são um espelho da realidade portuguesa, e não da realidade americana, inglesa, ou chinesa. Igrejas que falam à nova geração. Igrejas que conseguem ver e aceitar formas diferentes de louvor e adoração. Formas diferentes de oração. Formas diferentes de comunhão.

Até o McDonalds já vende sopas e Pita Macs, mas nós ainda insistimos nos hinos, e no pastor de fato e gravata, e na rotina de culto (Louvor, Oferta, Pregação), e nas pregações não participativas, e no sei lá mais o quê. Vamos ter a humildade de aceitar que a igreja pode ser bastante diferente, e ainda assim ser igreja.