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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Limpeza = Liberdade

O tempo é uma coisa tramada. Não estica, mas às vezes encolhe. Aqui vai uma reflexão demasiado grande sobre o tema:

Nos últimos tempos tenho feito uma limpeza em tudo o que me consome tempo. E essa limpeza tem sido feita principalmente na internet. Comecei por uma limpeza das redes sociais que usava, e fiquei com as que mencionei no post anterior. O facto de quando se pesquisa no Google por Nuno Barreto as duas primeiras páginas serem quase completamente minhas é um bom sinal de que estava a exagerar (existem outras pessoas com esse nome, uma delas um famoso velejador de Faro que ganhou uma medalha de Bronze nos jogos olímpicos). Depois disso, reduzi a utilização dessa mesmas redes sociais.

O passo seguinte foi analisar todos os feeds que seguia. Eram mais de 200, e verdade seja dita, não conseguia ter tempo para seguir nem metade. Fiquei com cerca de 80, e acho que ainda vou limpar mais. Além dos feeds há também as mailing lists, que ainda estou a ponderar o que vou fazer com elas.

Por fim, os meus blogs. Neste momento tenho 3 blogs (este, O Emigra, e o Fotos da Natureza). Ninguém precisa de 3 blogs. Ainda não sei bem o que vou fazer. Reduzir a quantidade de vezes que escrevo já o fiz, mas isso surgiu naturalmente. Afinal de contas, fez 3 anos que ando nisto dos blogs no dia 18 deste mês, e parece que uma pessoa perde assunto com o tempo, ou se não o perde, prefere partilhá-lo de outras formas.

Com tudo isto ganhei bastante tempo. Tempo para estar com quem quero, tempo para fazer aquilo que gosto de fazer, e tempo para descansar. Afinal de contas, existe vida após a internet...

Liberdade de expressão

É impossível haver verdadeira liberdade, se não houver liberdade de expressão. E quando falo de liberdade de expressão, não é ouvir, calar, e pôr a pessoa de parte porque não concorda connosco. Liberdade de expressão é debater as coisas e não quebrar relacionamentos. É aceitar os outros mesmo que não concordem connosco. É amar independentemente das coisas em que discordamos. É estar pronto a ouvir e considerar as opiniões diferentes das nossas, porque podemos vir a aprender. Não é debater apenas para convencer o outro da nossa opinião, mas tentar perceber se a outra pessoa tem razão, porque se tiver, então somos nós que temos que mudar. E se não encontrarmos razão no que o outro diz, ainda assim, devemos respeitar e amar.

Controlo

Ontem, numa conversa com o Allan e a Fabiana, acabamos por falar sobre o controlo que é exercido na forma como as reuniões se processam. Quando as coisas não têm uma "ordem de culto", há o perigo de acontecerem coisas das quais não se goste muito. Coisas que podem ser incomodativas. É muito mais fácil as coisas "correrem bem" se só as pessoas aprovadas pelo comité falarem.

Mas a vida não é assim. Todos nós fazemos e dizemos coisas que não devemos. E se retiramos essa liberdade de expressão das pessoas, vamos estar a torná-las menos participativas, até ao ponto em que se tornam meros espectadores do que poucos fazem. O formato que damos às nossas reuniões, e o estilo de ensino que usamos influenciam bastante a acção das pessoas.

Liberdade, passa também por ter liberdade de expressão, mesmo que se digam coisas erradas. Porque só assim poderemos corrigir-nos uns aos outros. Para crescer é preciso ter oportunidade de errar.

Colossenses e a liberdade da lei

"Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne." (Colossenses 2:20-23)

Li Colossenses pensando no tema do misticismo cristão, e também pensando no tema da liberdade da lei/ordenanças. Foi uma experiência libertadora. Sinto que nos livrámos da lei do antigo testamento, mas substituímos tudo isso por regras nossas, que nada têm a haver com Cristo. Ajudamos as pessoas a libertarem-se da tirania do pecado, para as subjugar-mos à tirania das leis. Isso não é a liberdade que Deus tem para nós. Nós somos livres em Cristo, e as únicas "regras" que existem é amar a Deus acima de todas as coisas, e amar ao próximo como a nós mesmos. Tudo o resto, são regras dos homens, regras criadas por homens para um momento específico que deixaram de ter significado.

Conhecer a verdade

"Então, Jesus pôs-se a dizer aos judeus que nele tinham acreditado: 'Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres.'" (João 8:31-32)

Durante este mês, o tema da liberdade vai ser um tema recorrente aqui no blog. Gostava que não encarassem nenhum dos posts como uma solução final, ou como a explicação, mas que os encarassem como um processo de procura da verdade, em que espero que todos sejamos participantes.

Jesus disse claramente aos discípulos (os que já fazem parte da igreja), que se permanecessem fiéis à mensagem de Cristo, seriam seus discípulos de verdade, conheceriam a verdade, e essa verdade os libertaria. É engraçado que o versículo 32 é muitas vezes tirado do contexto (para variar). Dentro do seu contexto, tudo indica que a liberdade não é algo imediato no momento da conversão, mas que é um processo ao longo da vivência cristã. À medida que vamos aprendendo a ser mais fiéis à mensagem, e que vamos conhecendo essa verdade, vamos ficando cada vez mais livres. Livres da nossa natureza pecaminosa, que nos amarra e escraviza. E não só. O que acham?

Liberdade McDonalds

Seguindo a máxima de "se pensas por ti pensas mal, quem pensa por ti é o comité central", muitas denominações cristãs disciplinam os seus membros por pensarem de forma diferente. Não porque seja contra aquilo que está escrito nas Escrituras, mas porque não está de acordo com a interpretação feita pela denominação. Bom, e se não pensas como a tua denominação, ou mudas, ou mudas-te, porque ai de nós se temos pessoas que pensam de forma diferente.

Chama-se a isto liberdade McDonalds. Tu vais ao McDonalds, e tens a liberdade de escolher um Big Mac, ou um Pita Mac, ou até podes escolher um Big Mac sem pickles. Mas experimenta ir lá pedir feijoada. Tudo bem, estamos a falar de restaurantes, na realidade temos liberdade de ir a qualquer restaurante ou fazer a comida que quisermos.

Na vivência cristã, também deveria ser assim. Tudo bem, existe um limite de liberdade. Da mesma forma que só podemos/devemos comer comida, também só podemos/devemos praticar o que está de acordo com as Escrituras. O problema é quando nos querem dar apenas as comidas preparadas por uns determinados cozinheiros, e impedir-nos de comer outras comidas. Aí, passamos a ter uma semi-liberdade, em que começamos a ser olhados de lado se pensamos de forma diferente. E esta semi-liberdade é uma forma de controlo, exercido por uma organização pelos seus membros, que impede qualquer possibilidade de mudança, de evolução, e que torna tudo burocrático, estagnado, previsível.

Bom, eu acho que comer feijoada de vez em quando também é bom.

Liberdade Religiosa para mim

Mas para os outros não. Infelizmente esta é a atitude de muitas pessoas, e não pode ser. Todas as pessoas têm direito à sua liberdade religiosa, e de defenderem (verbalmente) a sua religião, espaharem a sua religião, etc. A partir do momento em que dizemos que não a isso, estamos a mostrar duas coisas. Primeiro, não estamos a amar. Segundo, a convicção na nossa fé se calhar não é tão forte assim, se temos medo da influência dos outros.

Digo isto tudo apesar de eu não ver o cristianismo como uma religião, mas como uma vivência.