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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

Ser igreja

A igreja é o corpo de Cristo, e é composta pelas pessoas que são seus seguidores. Como tal, a igreja é um fenómeno universal e não local.

Diminuir a igreja a uma dimensão meramente local, composta pela comunidade onde estamos inseridos, é diminuir a natureza de Cristo. Diminuir e separar a igreja em diversas comunidades locais, é diminuir e separar o próprio Cristo.

Qual a igreja que busco?

Não é fácil responder a essa questão neste momento. Para ser sincero, ainda estou à procura da resposta a essa pergunta. Por isso, quando me fazem essa pergunta, não sei responder da melhor forma, e só consigo exprimir parte daquilo que Deus me tem vindo a revelar.

É muito mais fácil dizer aquilo que não faz parte da imagem da igreja que Deus me tem dado. Algumas das coisas que não fazem parte são:

- líderes que estão acima do outros
- reuniões (por falta de palavra melhor) que são monótonas e que seguem sempre o mesmo esquema
- cristãos que produzem uma fachada de santidade, mas que no dia a dia não mostram serem diferentes de todas as outras pessoas
- pessoas que se encontram uma vez por semana mas que não têm relacionamentos entre si
- pessoas inactivas, que não participam activamente na vida da igreja

À medida que o tempo vai avançando a visão vai-se tornando mais clara, mas se começarmos por aqui, já não é nada mau...

E quando o líder não está?

Uma das formas de medir a vitalidade de uma comunidade, é ver o que acontece quando o líder se ausenta. Uma comunidade verdadeira continua a agir e a avançar mesmo quando o líder se ausenta, ao passo que uma comunidade dependente do líder hiberna durante a sua ausência, fazendo o mínimo necessário para a subsitência da comunidade.

O líder tem o papel de motivar as pessoas a desenvolverem e praticarem os seus dons. O principal papel do líder não é mandar fazer, é mostrar como se faz e motivar outros a fazê-lo. Se as pessoas estão dependentes do líder, o principal culpado é ele próprio, pois cabe a ele inverter a situação.

Acesso directo a Deus

Jesus veio, entre outras coisas, para restaurar o relacionamento entre o homem e Deus. Graças a Jesus, hoje temos acesso directo a Deus, sem precisarmos de intermediários. Mas o homem parece ter problemas com esse conceito. Basta ver o que acontece nas várias igrejas cristãs.

Na igreja católica existem vários intermediários. O padre, os santos, e Maria. Confessam-se ao padre em vez de se confessarem directamente a Deus. Rezam aos santos e a Maria em vez de falarem directamente com Deus. Alguns chegam até a adorar Maria, quando deviam adorar somente a Deus.

Na igreja evangélica, muitos desses intermediários foram cortados. Confessam-se a Deus, e falam directamente com ele, pelo menos na maioria das vezes. No entanto continuam a ter um intermediário em muitos dos casos: O pastor. Muitos preferem pedir ao pastor que ore por eles, pois pensam que a oração do pastor tem mais poder que a oração deles. E acreditam que tem ainda mais poder se for feito no fim de um culto, na zona do altar da igreja-edifício. Como se Deus estivesse mais limitado a nos responder se a oração for feita fora desse contexto.

A culpa desta situação tem duas faces. Por um lado alguns líderes alimentam essa dependência. Por outro lado, algumas pessoas querem intermediários para não terem de se responsabilizar pelos próprios actos. E com isso perdem um dos maiores presentes que Deus nos deu, o acesso directo a ele.

A santidade do altar

Uma coisa que sempre me fez impressão é a reverência que as pessoas têm pela igreja-edifício, especialmente a zona do púlpito, a que alguns denominam "altar". Essa "reverência" não pode vir da igreja primitiva, pois eles reuniam-se em casas. Não pode vir do novo testamento, pois lá está escrito que nós é que somos o templo vivo de Deus, e não o edifício. Algures no tempo alguém se lembrou de começar a instituir essa tradição, que continua a ser seguida nos dias de hoje, sem que ninguém questione o porquê disso.

Acho esta tradição particularmente destrutiva, porque coloca o foco no edifício, em vez de colocar o foco nas pessoas, como deveria. Leva os cristãos a pensarem que só no edifício se manifesta a presença de Deus, ou pelo menos que só no edifício se pode experimentar a presença de Deus de uma forma mais intensa. Cria uma dependência no edifício para sentir a presença de Deus, para estar com Deus.

Não é o edifício que proporciona tudo isso, mas sim o facto de os cristãos estarem juntos, com o propósito de louvar e adorar a Deus, acreditando que Deus está no meio deles e que se manifestará. Podia ser feito em qualquer sítio: Num cinema, num estádio de futebol, na praia, onde quer que fosse, porque o que interessa é o povo de Deus estar junto para o adorar. O sítio onde o fazem é meramente circunstancial.

Quero isso em grande

Hoje, nas igrejas portuguesas, estamos a ver as consequências de uma política de quantidade em detrimento da qualidade. As maiores igrejas portuguesas estão em declínio, perdendo assistência a cada semana que passa.

A qualidade pode ou não gerar quantidade, mas a quantidade nunca gera qualidade. Usámos grandes campanhas evangelísticas com grandes máquinas de marketing por detrás, que venderam um cristianismo fácil, em que bastava fazer uma oração a Jesus, e todos os problemas seriam resolvidos. Um cristianismo baseado no que podemos receber de Deus, e sem sacrifícios da nossa parte.

Depois, ficámos admirados por as pessoas não se negarem a elas próprias, não se tornarem verdadeiras discípulas de Jesus, e não estarem dispostas a morrer por ele. Ficámos admirados por as pessoas terem uma atitude egoísta, em que o que importava era saber o que ganhavam com o cristianismo, e não o que podiam fazer por Cristo ou pelo próximo. Ficámos espantados por essas pessoas não se interessarem em fazer parte da força activa da igreja, e por acharem suficiente ir assistir à missa/culto de Domingo. Ficámos estupefactos ao ver essas pessoas saltarem de igreja em igreja, indo para a igreja que tinha as reuniões com a música mais fixe, ou à que estava na moda. Por fim, culpámos as pessoas de serem assim, esquecendo-nos de que as pessoas são apena aquilo que as ensinámos a ser.

Agora, é preciso começar de novo...

PS- Inspirado aqui.

Líderes precisa-se

O líder é um elemento fundamental de uma comunidade. Se as coisas não estão a funcionar bem numa comunidade, quase sempre se pode apontar o dedo à liderança (ou à falta dela). Se as coisas estão a funcionar bem, grande parte do mérito tem de ser dado ao líder, que tem a responsabilidade de dinamizar e orientar as pessoas.

Por essa razão, preocupa-me que os seminários tenham cada vez menos alunos, e que os líderes das igrejas sejam cada vez mais idosos. Qual a razão disto estar a acontecer? Porque será que a liderança não atrai os jovens? Será porque os líderes actuais não dão oportunidades aos mais jovens de se tornarem líderes? Ou será porque os jovens se sentem atraídos por outras coisas mais "interessantes"?

Não tenho uma resposta certa para este problema, mas pelas conversas que tenho tido com várias pessoas, e pelas vária igrejas que conheço, a preparação de pessoas para a liderança não é vista como uma prioridade. Não só os jovens não são incentivados a isso, como ninguém está disponível para investir neles o tempo necessário para se tornarem jovens capazes.

Precisamos de líderes, e líderes capazes. Precisamos que as lideranças actuais invistam nisso diligentemente, procurando pessoas motivadas e preparando-as. Só assim inverteremos esta tendência perigosa.