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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

A paz

"«Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. Porque, se amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem já isso os cobradores de impostos? E, se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos?" (Mateus 5:43-47)

É incrível, para mim, que nos tempos mais recentes, tenha sido Gandhi a perceber a mensagem de Cristo no que diz respeito à paz, na qual se inspirou para criar o movimento Satyagraha, movimento esse que acabou por inspirar Martin Luther King Jr.. E enquanto isso a igreja no geral ignora essa mensagem, preferindo apoiar as "guerras santas" criadas pelos seus "governos cristãos".

Israel e Palestina

Neste momento está a decorrer mais uma guerra em Israel, desta vez entre Israel e o Hamas. E como em tantas outras vezes em que isso acontece, vêem-se todo o tipo de artigos a defender Israel, ou a defender os palestinianos. Uma posição que me interessa especialmente é o facto de determinados movimentos cristãos terem o hábito de defender incondicionalmente todas as acções de Israel, sejam elas quais forem.

Quanto a mim, quando me perguntam acerca do assunto, eu normalmente respondo "Os palestinianos e os Israelitas estão bem uns para os outros." E normalmente essa frase resulta para acabar com a discussão, que é um tipo de discussão que eu detesto fazer. É que quem merece apoio incondicional são os inocentes. E a guerra, na minha opinião, é uma coisa que nunca deveria existir. Por isso, discussões de quem é que tem mais razão em usar da violência (um porque é legítima defesa, outro porque é oprimido, outro por razões preventivas) é um debate sem sentido. A resposta é bem simples, na realidade: Ninguém tem razão. Para mim, qualquer guerra é errada, e nada desculpa o recurso à guerra. E se pensam que isso é utópico, pensem em Ghandi.

O caso ainda se torna mais complexo quando se fala do assunto dentro do contexto do cristianismo. Não porque o cristianismo não seja claro em relação à resposta adequada à violência ("Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam.", Lucas 6:27-28), mas porque por razões políticas e históricas, o que temos agora é mais uma cristandade do que um verdadeiro cristianismo. E nesse contexto, as doutrinas foram moldadas para permitirem o recurso à violência para fins "nobres", que interessam obviamente a estados poderosos e soberanos.

Não só isso, mas existe também toda a problemática de determinadas interpretações literais de profecias presentes na Bíblia, que levam a que muitos cristãos vejam o estado de Israel como o cumprimento de várias profecias, e como consequência, como tendo sido o próprio Deus que levou a que o estado de Israel exista, e por arrasto, que de certa forma dirige todas as acções do estado de Israel. Logo, se Israel dizimar uma população qualquer, foi bem feito, porque foi a vontade de Deus. E aliás, o problema é Israel não ter logo exterminado todos os palestinianos na altura em que apareceu primeiro para conquistar a palestina, há uns 4000 anos atrás. Isso demonstra normalmente um desconhecimento do estilo apocalíptico usado nos séculos à volta do nascimento de Jesus (pormenores que não interessam a ninguém a não ser a mim e a meia dúzia de teólogos que não têm mais nada que fazer), e mesmo um desconhecimento do facto de que lá por Deus profetizar, não significa que seja Ele que o vai fazer, ou que é uma coisa da sua vontade.

Depois, claro, entra a necessidade de justificar o injustificável. E surgem peças de propaganda como esta (visto no Mukankala), que seguem o normal procedimento de mostrar algumas verdades, omitir outras, e depois tirar conclusões à la carte. Faz tudo parte de um processo de racionalização, como quando compramos um produto por impulso, e depois criamos uma razão pela qual precisávamos mesmo de o ter comprado. Este é pró-Israel, mas não pensem que não existam outros tanto pró-palestinianos, pró-Hamas, pró-Fatah, e afins. Eu é que não tive paciência para andar a procurar. Neste, falam de como os Árabes tentaram desde o início exterminar a "raça" judaica, e outras coisas. Uso este argumento a título de exemplo, só para mostrar como este tipo de informação é incompleto. Não tem em conta o facto de a maioria dos palestinianos não serem etnicamente árabes, muitos serem os originais palestinianos que Israel não matou há 4000 anos, e outros serem na realidade descendentes de judeus que se converteram ao islamismo. E também não tem em conta o facto de até ao século 8 os judeus fazerem evangelismo em massas, o que faz com que a maioria dos judeus israelitas de hoje não sejam de "raça" judaica, o que explica também porque é que há judeus caucasianos e outros negros.

Por fim, e agora olhando para a questão dos cristãos pró-judeus em especial, pessoalmente acho triste tanto apoio incondicional a Israel. Muitos vêem mesmo judeus convertidos ao cristianismo como cristãos mais especiais. Há uma idolatria doentia de Israel e da terra santa. Falta perceber que "todos quantos fostes baptizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3.27-28). Deus não tem "raças" ou nações favoritas. A mensagem de Jesus é uma mensagem de amor, e ai de nós cristãos se a nossa mensagem é diferente dessa. "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam." (Lucas 6:27-28)