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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

A forma e os princípios

A prática pode, se quisermos, ser dividida em duas partes. Uma parte é a prática fundamental (vamos dar-lhe o nome de princípios, por falta de palavra melhor) que é imutável, e a outra parte é a forma como esses princípios são executados.

Vou exemplificar. Existe uma prática que é o relacionamento entre as pessoas. Em termos de igreja, essa é uma prática fundamental, ou normativa. Não existe igreja sem relacionamentos. A forma como esses relacionamentos existem e se desenvolvem é que varia bastante.

É importante analisar o novo testamento tendo em conta esses dois aspectos da prática. Há práticas que estão lá que fazem parte da prática fundamental da igreja, e outras que são apenas formas de desenvolver essas práticas. E os mesmos princípios que suportam a igreja do primeiro século devem suportar a igreja de hoje. Por exemplo, os relacionamentos continuam a ser importantes em qualquer época, mas se nos cumprimentamos com uma vénia ou um beijo, já são formas diferentes de viver esses relacionamentos, e não são normativas.

Outra coisa a ter em atenção é que são os princípios que influenciam as formas, e não o contrário. Nós até podemos alterar toda a forma como uma igreja se relaciona, mas se os princípios permanecerem os mesmos, mais tarde ou mais cedo a forma vai voltar ao que era antes, sem ter qualquer influência nos princípios. Por exemplo, podemos acabar com os cultos e fazer com que a igreja se reuna toda em grupos pequenos, mas isso não vai fazer com que os princípios mudem. Essa nova forma (grupos pequenos) vai ser moldada pelos princípios que existem, e esses grupos pequenos vão acabar por se tornar em mini-cultos.

Se queremos uma estratégia de mudança, é necessário primeiro trabalhar os princípios da comunidade. A forma será moldada por esses mesmos princípios mais tarde ou mais cedo.

A forma correcta

Muitas vezes nós temos esta atitude: "Eu gosto de músca rap, por isso, toda a gente tem de ouvir música rap!" A música pode tomar várias formas sem deixar de ser música.

Da mesma forma, a igreja pode tomar várias formas sem deixar de ser igreja. O importante é que a verdade central do Evangelho se mantenha. É importante afirmar que há um só Deus, mas não é importante se a igreja se reune em casas, igrejas-edifício ou naves espaciais.

Não existe uma só forma correcta. Devemos antes procurar a forma ideal dentro do contexto em que estamos inseridos. E essa forma ideal, na minha opinião, tem de ter em conta a missão da igreja de fazer discípulos. Ou seja, em vez de ser a forma que mais nos agrada, que nos é mais confortável, devemos ter a sensibilidade de procurar a forma que melhor alcança a comunidade à nossa volta. Mais do que pensar no que é melhor para mim, urge pensar no que é melhor para o próximo. E se a melhor forma de alcançar o próximo for fazer reuniões em código morse japonês em linguagem gestual, então é melhor começarmos a aprender isso.