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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

Explicação da parábola do fiel trabalhador

É a primeira vez que explico uma parábola escrita por mim, mas desta vez vou explicar. Principalmente porque agora que este blog tem quase um ano de vida, é tempo de começar a ser mais directo com algumas coisas.

Na igreja existem pessoas assalariadas. Sejam pastores, missionários, ou outra coisa qualquer. Pessoas que são pagas com ofertas dadas pelos membros da igreja em troca de um determinado serviço. Melhor dito, pessoas que são pagas para que, ao não estarem ocupadas com outro emprego, possam dedicar mais tempo à igreja e às pessoas que a compõem. O que é justo.

Mas no meio disto tudo, como em tudo, existem os espertinhos. Os que se aproveitam dos outros. Os que em vez de fazerem algo que justifique o dinheiro que ganham, passam o tempo todo com os filhos, ou em viagens, ou a fazerem o que bem lhes apetece. E quando tem mesmo que ser, aí sim, vão dar uma missa ou visitar uma pessoa. Mas se formos analisar a sua semana, vemos que não trabalham 40 horas por semana. Nem 30. Às vezes nem 20. E tudo isto quando há trabalho para fazer. Como um amigo meu diz e muito bem, é um luxo poder ter um grupo de pessoas a me dar dinheiro para eu poder educar os meus filhos sem ter de os pôr no infantário, e fazer o que bem me apetecer. Ou seja, é um luxo eu não ter que trabalhar porque um conjunto de trouxas me dão dinheiro.

Esses espertinhos são manipuladores, aproveitadores da sinceridade dos outros, egoístas, egocêntricos, preguiçosos, desleixados, pelintras, ladrões, patifes, vendilhões dos bens sagrados. Não me parece que vão ser bem recebidos quando chegar o grande dia.

Parábola do fiel trabalhador

Um rico proprietário entregou a dois trabalhadores duas propriedades semelhantes. Prometeu-lhes um salário, e dentro de um ano veria o resultado do trabalho de cada um deles, mas ele estaria ausente todo esse tempo.

Um dos trabalhadores fez aquilo que lhe competia. Trabalhou afincadamente como era suposto, dentro daquilo que era justo. Plantou quando era tempo de plantar, regou quando era tempo de regar, colheu quando era tempo de colher.

O outro trabalhador, por outro lado, viu isso como uma oportunidade de passar um ano à sua vontade. Apesar de fazer algumas coisas de vez em quando, quando realmente tinha de o fazer, a maior parte do tempo passou-o com os filhos, que assim já não tinham de ir para o infantário. Tinha tempo livre para estar com a família, e de fazer aquilo que mais gostava.

Quando chegou o tempo de prestar contas ao proprietário, viu-se bem a diferença de resultados. Enquanto uma propriedade tinha dado bastante lucro, outra tinha dado prejuízo. O mau trabalhador foi despedido, e lamentou-se da sua desgraça, considerando-se uma vítima.

Justificação

Ontem, na mesma conversa do post anterior, falámos sobre a justificação. A diferença entre a forma como nós vemos a justificação, e a forma como os judeus no tempo de Cristo viam a justificação.

Uma parte da Bíblia que não tem lógica nenhuma quando pensamos no nosso conceito moderno de justificação, encontra-se no capítulo 38 de Génesis. Vale a pena ler com atenção, mas resumido diz que foi prometido a uma mulher que certo homem casaria com ela. Como a promessa não foi cumprida, ela disfarçou-se de prostituta, e enganou-o de forma a ele casar com ela. Aos nossos olhos, ela usou de engano, e não há justiça neste acto. No entanto, o versículo 26 diz que: "Judá reconheceu-os e disse: «Ela é mais justa do que eu, pois é verdade que não lhe dei o meu filho Chelá.»". A questão de justificação para o povo judeu não estava no acto ser bom ou mau, mas na questão de fidelidade. Ela foi justa porque foi fiel ao que tinha sido combinado, e não porque agiu de forma ética (até porque foi tudo menos ética).

Nós cristãos somos justificados pela fé, sem dúvida, mas a decisão que tomámos foi de sermos fiéis a Cristo. E é nesse acto de decidirmos ser fiéis a Cristo que somos justificados. É assim que o judeu nos tempos de Jesus entendia a justificação. Claro, como parte de sermos fiéis a Cristo devemos também agir de forma ética. Mas isto faz-nos lembrar estas palavras de Tiago: "De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo?" (Tiago 2:14). Não que a salvação venha pelas obras (Efésios 2:8-9), mas as obras fazem parte da fé. E não existe fé sem obras.