Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

A prosperidade não é sinal de fé

"Não podes julgar se uma pessoa é boa ou má com base na sua prosperidade. Levantar-se e cair é o caminho do céu, mas o bem e o mal é o caminho do homem." (Bushido: The Way of the Samurai)

"(...), pois Ele [Deus] faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. (Mateus 5:45)

Nos dias de hoje a doutrina da prosperidade grassa na igreja de Jesus Cristo. Estamos todos convencidos de que a prosperidade financeira é um sinal da fé da pessoa. Que Deus enche os seus filhos de bençãos, e que os outros são ignorados ou mesmo castigados por Deus.

Quem pensa assim, não compreende o verdadeiro amor de Deus, que está bem patente logo antes do versículo acima: "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem".

A fé não é mostrada pela nossa prosperidade. A fé é mostrada pela nossa atitude em relação às circunstâncias com que nos deparamos. A verdadeira fé é mostrada por Jó, que mesmo perdendo tudo o que tinha, continuou a servir e a confiar no seu Senhor. A verdadeira fé não é mostrada no meio da prosperidade, mas sim na ausência dela.

A dúvida e a fé

O conceito popular no cristianismo é de que a dúvida é o oposto da fé. Quem pensa assim, defende que nós devemos acreditar naquilo que os líderes dizem, sem questionar.

Acho que não. Acho que sem dúvida, não é possível ter uma fé madura. Porque a fé não pode basear-se em fábulas e mitos. A fé necessita de uma base bem mais credível. Assim, a dúvida faz parte do processo de amadurecimento da fé. Porque a dúvida leva à pesquisa, e a pesquisa a um maior conhecimento, e esse maior conhecimento leva a uma maior fé. Porque se Deus realmente existe, o aumento do conhecimento apenas poderá alimentar, aprofundar e solidificar ainda mais a nossa fé.

A fé e as obras

Se há texto na Bíblia que resume este tema, é o seguinte:

"Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo amor imenso com que nos amou, precisamente a nós que estávamos mortos pelas nossas faltas, deu-nos a vida com Cristo - é pela graça que vós estais salvos - com Ele nos ressuscitou e nos sentou no alto do Céu, em Cristo. Pela bondade que tem para connosco, em Cristo Jesus, quis assim mostrar, nos tempos futuros, a extraordinária riqueza da sua graça.
Porque é pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas obras que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos."
(Efésios 2:4-10)

Se tivéssemos de adquirir a salvação pelas obras, estávamos bem lixados. Nenhum de nós seria capaz. E é exactamente devido a essa incapacidade que Jesus teve de vir à terra. Qual é o lugar das obras? As obras não são o que leva à salvação, mas são sim um resultado da salvação, que começa no momento em que decidimos seguir Jesus.

Aquilo em que eu acredito

Todos nós temos tendência a pensar que a nossa realidade é que é a realidade correcta. A forma como eu vivo a igreja é que é a forma correcta, e por consequência, todas as outras formas são erradas.

Eu não consigo fazer esse tipo de afirmação. Não consigo porque o meu paradigma de como ser igreja já mudou bastante ao longo da minha vida. E de formas bem radicais. Aquilo que consigo afirmar, é que o cristianismo pode ser vivido de diversas formas no que respeita à forma como a igreja se junta e organiza.

No meio desse processo, as minhas crenças permaneceram as mesmas (90%, pelo menos), embora cada vez mais fortes. Continuo a acreditar que existe um só Deus, criador de todas as coisas. Acredito que esse Deus é o Deus do cristianismo. Acredito na trindade (para simplificar). Acredito que Jesus é plenamente homem e plenamente Deus. Acredito que Jesus ressuscitou e que voltará. Acredito que a salvação só é possível através de Jesus, e que é pela graça e não pelas obras que somos salvos. Mas também acredito que as obras são prova da salvação. Acredito nos dons do Espírito em manifestação nos dias de hoje. Acredito que a Bíblia é inspirada por Deus, superior a qualquer instituição, tradição ou pessoa. Acredito no baptismo e na santa ceia (embora acredite que a forma como a fazemos hoje em dia é demasiado simplificada). Acredito que Jesus nos chamou para fazer discípulos (e não apenas convertidos). E acho que se disser mais do que isto estarei a especificar mais do que é necessário.

Qualquer pessoa que perceba a diferença entre as denominações cristãs, conseguirá "catalogar-me", mas eu recuso-me a catalogar-me com mais do que: Eu sou cristão.

Justificação

Ontem, na mesma conversa do post anterior, falámos sobre a justificação. A diferença entre a forma como nós vemos a justificação, e a forma como os judeus no tempo de Cristo viam a justificação.

Uma parte da Bíblia que não tem lógica nenhuma quando pensamos no nosso conceito moderno de justificação, encontra-se no capítulo 38 de Génesis. Vale a pena ler com atenção, mas resumido diz que foi prometido a uma mulher que certo homem casaria com ela. Como a promessa não foi cumprida, ela disfarçou-se de prostituta, e enganou-o de forma a ele casar com ela. Aos nossos olhos, ela usou de engano, e não há justiça neste acto. No entanto, o versículo 26 diz que: "Judá reconheceu-os e disse: «Ela é mais justa do que eu, pois é verdade que não lhe dei o meu filho Chelá.»". A questão de justificação para o povo judeu não estava no acto ser bom ou mau, mas na questão de fidelidade. Ela foi justa porque foi fiel ao que tinha sido combinado, e não porque agiu de forma ética (até porque foi tudo menos ética).

Nós cristãos somos justificados pela fé, sem dúvida, mas a decisão que tomámos foi de sermos fiéis a Cristo. E é nesse acto de decidirmos ser fiéis a Cristo que somos justificados. É assim que o judeu nos tempos de Jesus entendia a justificação. Claro, como parte de sermos fiéis a Cristo devemos também agir de forma ética. Mas isto faz-nos lembrar estas palavras de Tiago: "De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo?" (Tiago 2:14). Não que a salvação venha pelas obras (Efésios 2:8-9), mas as obras fazem parte da fé. E não existe fé sem obras.

A fé nas obras

Ontem numa conversa com o Allan, falamos um pouco sobre as obras. Regra geral, os protestantes acreditam que a salvação (seja lá o que isso for) é adquirida pela fé, e não pelas obras. Por outro lado, os católicos acreditam que a salvação vem pelas obras. E este é um dos pontos de maior conflito teológico entre os dois movimentos.

É interessante notar que os evangélicos, como "bons" protestantes que são, acreditam que a salvação é pela fé. No entanto, alguns deles apenas o são na teoria. Porquê? Coloca-se uma série de condições antes da conversão das pessoas. Primeiro a pessoa tem de deixar de fumar, de beber, de consumir drogas, de prostituir-se, de roubar, e em alguns casos até as mulheres têm de ter o cabelo comprido, usar saias compridas (nada de calças), e por aí vai. No fundo, é uma lista de regras (obras) que as pessoas têm de cumprir antes de se converterem ao cristianismo.

Na teoria, a salvação é pela fé. Na prática, primeiro vêm as obras, para que depois possa vir a fé. Que coisa triste. É verdade que a fé vem acompanhada de obras, mas inverter a coisa é colocar na pessoa um fardo que ninguém pode suportar. Quem é capaz de mudar a sua vida pelas suas próprias forças? Antes é necessário nos entregarmos primeiro a Cristo, e deixar que ele vá limpando a porcaria que há na nossa vida.

Amarras

Ontem estive com uma pessoa. Uma pessoa sincera. Uma pessoa que busca a Deus de uma forma sincera, e que está aberta à mudança. Também uma pessoa que tem diversos problemas na sua vida.

Fiquei triste. E fiquei feliz. Fiquei feliz com a atitude dela. Fiquei triste com as amarras que ela tinha na sua vida. Amarras de uma teologia de obras, uma forma de pensar em que se algo de mal acontece a alguém, essa pessoa de alguma forma teve culpa, porque não teve fé suficiente, ou porque não é suficientemente sincera, ou porque não tem maturidade suficiente. e quando algo de mal acontece a uma pessoa que pensa assim, a pessoa questiona-se sobre o que está a fazer mal, e sente-se culpada.

Nós nunca teremos fé suficiente, nem seremos suficientemente sinceros ou maduros. Nada que nós façamos é suficiente. Porque ser suficiente significa também merecer, e nós não merecemos nada. Nós não merecemos nada. Nós não merecemos NADA! Tudo o que temos é pelo amor, misericórdia e graça de Deus. Coisas más acontecem porque o mundo jaz no maligno, e se nós somos curados ou protegidos por Deus, não é porque merecemos. É porque Deus na sua misericórdia opera em nós.