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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

O nosso destino

A minha Paula chamou-me a atenção a um artigo no site do Ricardo Gondim, que apontava para um artigo muito interessante no blog do Ed René Kivitz.

"Uma das coisas mais estúpidas que já acreditei em termos de religião foi que a composição da população do céu podia ser mensurada pelo número de pessoas que dissessem sim a um apelo de conversão a Jesus Cristo feito nas bases da tradição do cristianismo protestante evangélico anglo-americano."

Concordo plenamente. Aconselho vivamente a lerem o resto.

Evangelismo relacional

Apesar de a igreja institucional gastar imenso tempo e dinheiro na evangelização das massas, a grande maioria das pessoas que se convertem a Cristo conheciam alguém (familiar, amigo, colega) que já era cristão. É muito raro encontrar alguém que se converteu sem ter sido como resultado de um relacionamento com uma pessoa cristã. Eu só conheço um.

Não digo que a igreja só deve evangelizar através dos relacionamentos, mas parece-me que é gasta demasiada energia no evangelismo de massas, enquanto que os relacionamentos são negligenciados. Pouco se investe para que os cristãos amadureçam ao ponto de serem sal e luz junto das pessoas que conhecem. Esperamos alcançar pessoas com palavras, e não com vidas.

Quando formos o que Cristo quer de nós, as pessoas à nossa volta vão querer ter aquilo que temos.

Ênfase exagerada no evangelismo

Tenho visto vários líderes caierem no erro de dar prioridade absoluta ao evangelismo, caindo até no extremo de dizer que tudo na igreja deve girar à volta do evangelismo.

Mas não nos esqueçamos que o evangelismo é muito mais acerca do que nós somos do que o que dizemos. E se as outras áreas não forem incentivadas (ensino, comunhão, acção social, etc), não seremos aquilo que é necessário para sermos sal e luz à nossa volta.

A vida exemplar de um cristão maduro fala mais do que mil pregações evangelísticas.

O foco do cristianismo: Vida ou morte?

Acho que o cristianismo actual está demasiado focado no futuro. O grande foco do cristianismo actual, no que diz respeito ao ser humano, é o que lhe acontece quando morre? Irá para o céu ou para o inferno? E todo o processo evangelístico anda à volta disso: Converte-te ou vais para o inferno!

O foco do judaísmo, já antes da vinda de Cristo, não era o que acontece quando morremos, mas como a vida deve ser vivida. E o Novo Testamento, que retrata a igreja nos seus primórdios, foca-se também na vida, em como ela deve ser vivida. Fala-se no que acontece quando morremos, é verdade, mas principalmente em como devemos viver de uma forma que agrada a Deus. O esforço evangelístico foca-se em as pessoas se voltarem para Deus porque ele é Senhor, e não porque assim safam-se do Inferno. Havia uma grande preocupação em amar as pessoas hoje, ir ao encontro das necessidades das pessoas, porque o foco era o hoje, a vida.

Um cristianismo focado na morte é um cristianismo irrelevante, pois esquece as necessidades à sua volta. É um cristianismo que fica simplesmente à espera que tudo acabe.

O problema das frases feitas

Já tinha falado disto neste artigo, mas hoje estava a pensar um pouco mais sobre o assunto. Qual é o objectivo de andar com um cartaz a dizer "Eu sou de Jesus"? Por mais que eu consiga pensar, isso não tem qualquer objectivo evangelístico. Ninguém vai começar a seguir Jesus só porque eu levanto um cartaz com uma frase feita. Muito pelo contrário, vão rotular-me de fanático longe da realidade do dia a dia.

Depois de pensar e pensar, cheguei à conclusão que a única razão possível é para me gabar, para dizer que sou melhor do que os outros. E depois pus-me a pensar na quantidade de eventos "evangelísticos" que não são mais do que um grupo de cristãos a se gabarem daquilo que são. Entristece-me isso. Entristece-me que os cristãos estejam mais preocupados em se gabar, do que em mostrar no dia a dia o que significa ser de Jesus.

Todo o mundo está ligado

Estamos ligados a todas as pessoas no mundo através de 6 relacionamentos, no máximo. Esta frase não é absolutamente verdadeira(1), pois tem em conta o mundo desenvolvido, mas está muito próximo da verdade.

Tendo em conta isto, pensar que influenciar os nossos relacionamentos é muito pouco, é uma visão muito limitada da nossa vida. Nós podemos influenciar apenas os nossos relacionamentos, é verdade. Mas essas pessoas conhecem outras pesssoas, que conhecem outras pessoas, e assim por diante. Se cada um de nós fizer o pouco que podemos fazer com os relacionamentos que temos, o potencial de atingir toda nossa comunidade local é imenso. Nem penso no mundo todo, nem no país todo, mas na cidade em que vivemos.

Isso deve criar em nós um sentido de responsabilidade. Responsabilidade porque tudo o que fazemos tem consequências a nível global. Por exemplo, se eu deitar lixo para o chão, posso estar a influenciar outros negativamente, que farão o mesmo. Se eu reciclar, estou a influenciar outros positivamente, que podem começar a reciclar, e eles próprios poderão ser de influência para outras pessoas que eu nem conheço.

O processo de mudança de uma sociedade começa sempre por uma pessoa que influencia outra, e que com isso gera uma acção em cadeia.

(1) KLEINFELD, Judith S. "Could it be a big world after all?"

Todo o Mundo é composto de mudança

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
(Camões)

Todo o Mundo é composto por mudança, e aqueles que não acompanham a mudança, tornam-se irrelevantes. Por isso Jesus não criou uma igreja cheia de rotinas. A igreja pode tomar a forma que quiser, desde que continue a ser fiel aos ensinamentos de Cristo e a ser relevante à sociedade dos seus dias.

Se só for fiel aos ensinamentos, perde a capacidade evangelística. Se só for relevante à sociedade, deixa de ser cristianismo e passa a ser outra coisa qualquer.

Evangelismo ao natural

Eu gosto de ornitologia. Gosto de observar aves, gosto de falar de aves, gosto de pensar em aves, quero ter o melhor telescópio e binóculos para ver melhor, os melhores livros, isso tudo. Mas eu não forço isso na vida das pessoas com quem tomo contacto. Imaginem que sempre que eu conhecia alguém, começava a dizer-lhe: Tens de começar a observar aves! É espectacular! É a melhor coisa que te pode acontecer! Olha, tens aqui um livro com a lista das aves, começa a ler este livro. E tens de te associar à SPEA!

É ridículo não é? Mas por outro lado não é o que fazemos muitas vezes acerca de Jesus? Em vez disso devemos deixar que a nossa vida fale a mensagem de Cristo. E naturalmente surgirão oportunidades de falar de Jesus, porque a pessoa mais tarde ou mais cedo vai ter curiosidade de saber mais. E algumas dessas pessoas vão chegar a um ponto em que também querem Jesus nas suas vidas.

Eu sou de Jesus!

Não gosto desta frase. Nunca gostei. Mas nunca percebi o porquê de não gostar desta frase. Mas esta semana cheguei a uma conclusão a respeito disso.

Esta frase é usada por alguns cristãos para dizerem que são cristãos. A razão porque eu não gosto da frase, é porque acredito que o verdadeiro cristão não precisa apregoar aos sete ventos que é cristão. As pessoas vão ver que ele é cristão, pela forma como ele age, pela forma como ele é. Porque se alguém é verdadeiramente cristão, isso vai notar-se em todas as áreas da sua vida.

Eu sei que nem sempre estamos à altura disso, mas usar um slogan não vai ajudar.

Evangelismo e crescimento da igreja

Acho que devemos ver estas coisas como sendo diferentes. Uma coisa é evangelismo, outra é o crescimento da igreja. Em termos de crescimento da igreja, temos dois tipos de crescimento. O quantitativo, quando alguém decide se juntar a nós, e o qualitativo, quando as pessoas que compõem o grupo estão a amadurecer na sua fé. Mas quando se fala de crescimento da igreja, normalmente as pessoas estão a pensar no crescimento numérico.

E nesse sentido, evangelismo é diferente de crescimento da igreja (isto porque eu acredito que evangelismo e discipulado não são coisas possíveis de separar). Evangelismo é ajudar alguém a aproximar-se mais de Cristo, ajudando-a a apontar a sua vida para Cristo, a alinhar a sua vida com o caminho de Cristo.

O problema é que muitas vezes o cristão vê o evangelismo com sinónimo de crescimento numérico da igreja, e como tal, todo o seu esforço está em trazer pessoas à sua igreja. E a partir do momento em que consegue esse objectivo, vê a obra como concluída. Todo o seu esforço evangelísitico está em levar a pessoa a entrar numa igreja, e fazer a "oração do pecador" para conseguir a salvação. E portanto os convites para irem à sua igreja sucedem-se, mesmo que as pessoas ainda não tenham chegado ao ponto de dar esse passo.