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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

O sabichão

Por definição, ninguém tem o conhecimento absoluto a não ser Deus. Por isso não há lógica nenhuma em o ensino ser um caminho de um só sentido, em que a pessoa que tem o conhecimento (o sabichão) partilha o que sabe com os alunos (que se limitam a ouvir). Quando tomamos essa atitude, o resultado é o seguinte:

Primeiro, o conhecimento global não é aumentado. Apenas parte do que o "mestre" sabe passa para os "discípulos". E o que passa depende da capacidade de ensino do mestre.

Segundo, os alunos não se habituam a pensar por si mesmos. A única fonte do seu conhecimento é o mestre, e nunca procuram ir além. Ficam-se pela mediocridade, e não há inovação.

Terceiro, o mestre passa a ser visto como o detentor de todo o conhecimento, o limite superior do conhecimento. Quando isso acontece, as pessoas esforçam-se a obter apenas um pouco menos que o conhecimento que o mestre tem, e nunca além dele. Não há inovação. E o mestre torna-se uma pessoa soberba, convencida.

Quarto, o aumentar do conhecimento está limitado à capacidade de ensino do mestre, e a inovação fica a cargo de uns quantos mestres ao debaterem entre si. O resultado é que essa inovação, se acontecer, só chegará ao resto das pessoas se os mestres tiverem a capacidade de transmitir a visão de uma forma apaixonante.

Se ao contrário disso todos tiverem a atitude de aprofundar esse conhecimento que está a ser debatido, no fim o conhecimento global (mestre + alunos) terá aumentado, e surgirá a inovação. E não será preciso aos mestres motivarem os alunos a seguir o caminho inovador, uma vez que fazendo parte do processo, todos estarão motivados a ir em frente. A forma mais fácil de motivação é tornar as pessoas parte de todo o processo. Todos aprenderão mais, e todos estarão motivados a agir nesse novo conhecimento (incluíndo o mestre).

Nota: Inspirado aqui.

Nota 2: Com Jesus é diferente, porque ele tem o conhecimento absoluto, logo pode ensinar num só sentido. Mas mesmo assim ele escolheu ensinar através do relacionamento e do debate, como podemos ver nas escrituras.

Sushi master

Recentemente, comprei um livro sobre Sushi, que começa a falar sobre o processo de aprendizagem de um mestre de Sushi. No início, só é permitido ao aprendiz lavar as panelas e o chão. Depois começam a poder lavar o arroz, e só mais tarde começam a poder cozer o arroz. Passados 5 anos de aprendizagem, começam a fazer o Sushi para take away. E só ao fim de 10 anos podem servir os clientes do restaurante.

Os orientais têm uma forma diferente de ensino, que na realidade era muito semelhante à que era usada nos tempos de Jesus. O ensino envolvia relacionamento entre o discípulo e o mestre, e o discípulo aprendia através de observação do mestre. E não há pressa para que o discípulo aprenda. Eles compreendem que aprender leva tempo, principalmente se for para aprender a coisa como deve de ser.

Ensinar assim leva mais tempo, mas os resultados são tremendos.