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Simplice

A vida é simples

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Portugal e a crise do petróleo 2

Esqueci-me de dizer algo importante no outro artigo.

Então os camionistas põem o País em estado de sítio, e o governo fica a olhar para a situação impávido e sereno? As forças de ordem ficam a observar? Propriedades são destruídas, pessoas são vítimas de violência, morre uma pessoa, e o estado lamenta? É o melhor que conseguem fazer? Chama-se a isto um estado de direito?

Ah, tinha-me esquecido. Estamos em tempo de férias, o estado de direito está a banhos no Algarve, as forças de ordem estão entorpecidas com o calor, e o povo embevecido com o futebol.

Portugal e a crise do petróleo

Não é meu hábito falar muito deste tipo de coisas, mas acho que a situação chegou a um ponto, que não posso deixar de falar. Olhar para o que se passa em Portugal, principalmente agora que vivo num país que funciona, causa-me algumas emoções.

Não é novidade nenhuma que Portugal está mergulhado numa crise. Tudo isto que, pensa o povinho, por culpa do petróleo. O petróleo tem aumentado devido a especulação, todos sabemos disso. E culpa-se as gasolineiras por aproveitarem-se da situação (o que num mercado livre, com a lei da oferta e da procura, seria natural). Mas se formos ver o relatório da autoridade de concorrência vemos que sim, as refinarias ficam com uma boa fatia do preço final (sempre foi assim). Mas mais de metade do valor do gasóleo vai em impostos para o estado, e bem mais de metade do valor da gasolina também. Na realidade, se fizermos bem as contas, as gasolineiras estão a fazer uma margem de 1 ou 2 cêntimos de lucro em cada litro que vendem. Posto isto, é fácil de perceber as conclusões do relatório da concorrência, é que a fatia de impostos é tão alta, que nem há espaço para uma grande variação de preços, já que estão todos a praticar preços mínimos (daí perceber os preços serem tão parecidos). Se estivessem a ter lucros de 20-30 cêntimos, e os preços estivessem iguais em todas, aí sim, era caso para desconfiar.

É claro, o povinho não faz contas. Ou melhor, faz, comparando com a vizinha espanha, que devido a baixos impostos nos combustíveis, tem preços bastante mais baixos (aqui no resto da Europa, excepto Suíça, o preço é sempre mais caro). E diz que a culpa é das gasolineiras. Na realidade, a culpa é da especulação do preço do crude. E se quisermos até podemos culpar o governo, por não ter impostos mais baixos, por ser "ladrão". Ah, mas esperem lá, o governo somos nós! Se o dinheiro não vier daí, tem de vir do bolso de todos os portugueses, aumentando o IVA, ou o IRS, ou algo parecido. Sim, porque não sei se repararam, Portugal está na bancarrota, e não deve demorar muito para afundar de vez.

E no meio disto tudo, primeiro foram os pescadores que fizeram greve, violando pelo caminho os direitos dos outros, destruíndo peixe e tudo. Agora são os camionistas que estão em greve, e andam a fazer piquetes para impedir os querem trabalhar, chegando já a várias situações de violência.

E no fim das contas, o que é que eu retiro de tudo isto? O povo potuguês é, no geral, um povo ignorante, egoísta, e bruto. Ignorante no que diz respeito às questões económicas e políticas. E egoísta porque procuram sempre só o benefício próprio, sem pensar nas repercussões que isso terá no resto dos portugueses. Bruto porque recorrem à violência para "defenderem" supostos direitos, que não são mais do que tentativas de obrigar o governo (no fundo todos os outros portugueses) a lhes darem benefícios especiais, alienando os direitos dos outros, manipulando o governo para os beneficiar em relação ao resto da população.

É a lei do mais forte, a lei da selva. O que reclama mais, e faz mais uso da violência, é o que fica com mais "direitos". Vence o bruto, o bacoco, o egoísta.

Quem me dera que não fosse assim. Que os portugueses lutassem pelos seus direitos, mas de forma consciente, e de forma unida, não se esquecendo das responsabilidades. Lutassem pelo bem de todo o povo, e não para benefício apena de si próprio ou do seu sector profissional. Que procurassem soluções para dar a volta juntos. Que em vez de lutarem para ver quem fica com mais migalhas, que lutassem para conseguirem construir mais pão.

Meus amigos, no que me diz respeito, Portugal já não existe. Aquele Portugal do povo nobre, nação valente, de conquistadores e aventureiros, isso já morreu há muito tempo. O que existe agora é a Tugalândia.