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Simplice

A vida é simples

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Causa de tropeço ou de escândalo

"Deixemos, pois, de nos julgar uns aos outros. Tomai de preferência esta decisão: não ser para o irmão causa de tropeço ou de escândalo." (Romanos 14:13)

O que é ser causa de tropeço ou de escândalo? Conforme o texto de onde este versículo é retirado, tudo aquilo que leva a que um outro irmão se afaste da fé, é causa de tropeço e de escândalo. No entanto, vejo este texto ser aplicado sempre que existe uma crítica, seja ela qual for. Sempre que se critica o status quo, somos acusados de estarmos a ser causa de tropeço.

Vamos ser claros a respeito deste assunto. Se isso fosse verdade, então Lutero e Calvino, em vez de terem criado uma reforma necessária e bem-vinda no cristianismo, foram causa de tropeço para milhares de outros cristãos. O próprio Jesus seria culpado do mesmo acto, visto que ele criticou bastante o status quo do judaísmo. Tendo em conta esses exemplos, percebe-se que não é bem a esse tipo de coisas que esta passagem se aplica.

A que tipo de pessoas se aplica então? Gostaria de dar alguns exemplos:

- O que usa ilicitamente os fundos da igreja
- O que fala de Deus aos outros mas que não é capaz de perdoar um familiar
- O legalista que exige coisas dos outros que são extra-bíblicas (não usar piercings, ir todos os domingos à missa, levar o melhor fato para a missa, etc...)
- O que usa o seu dinheiro apenas para satisfazer os seus luxos, e não se preocupa com os necessitados

Sintam-se livres de adicionar mais exemplos.

A peneira

Persian BibleHá uma verdade dura de engolir: Todos nós lemos a Bíblia com uma peneira. Essa é a peneira da nossa cultura, da nossa experiência, da nossa tradição. Ou seja, quando lemos a Bíblia, temos a tendência de procurar nela a confirmação daquilo em que acreditamos. Esse processo pode ser consciente, mas na maioria das vezes é inconsciente.

Não existe exercício mais difícil do que ler a Bíblia despidos da nossa peneira, e ainda pior, tendo em conta o contexto socio-cultural do tempo em que o texto foi escrito. É um exercício difícil, mas necessário, se queremos que a Bíblia realmente nos ensine, em vez de apenas confirmar aquilo que já pensamos.

Para que isso aconteça é importante conhecer o contexto em que a Bíblia foi escrita. Mas também é importante estarmos abertos ao diálogo com pessoas que vejam o texto de forma diferente. E estarmos abertos, significa estarmos preparados para a possibilidade de estarmos errados, e de necessitarmos mudar. Isso mexe com o nosso orgulho, daí a sua dificuldade. Mas se queremos viver o cristianismo a sério, não podemos ter outra atitude senão essa.

O problema da crítica

A igreja tem uma cultura de aversão à crítica. De vez em quando recebo comentários no meu blog de pessoas confusas ou chateadas com o facto de eu criticar tanta coisa no meu blog. Estou a falar de pessoas genuinamente interessadas no reino de Deus, pessoas que merecem todo o respeito.

Eu acho muito negativo ignorarmos os problemas que existem, que é o que acontece nos dias de hoje. Não se fala do que está mal. E ao fazermos isso, o erro é prolongado, e fica cada vez maior.

É preciso ter a coragem de falar do que está mal, e debater a solução do problema. É preciso deixarmos a apatia, a indiferença, e lutarmos por uma igreja melhor, mais perto da vontade de Cristo. Para isso é preciso falarmos do que está mal na comunidade onde estamos inseridos. Mas fazê-lo com uma atitude de amor, de humildade, de respeito. Só assim a igreja poderá tornar-se na noiva sem mancha que Jesus procura.

Não foi para mim

O problema de quando se criticar o sistema sem usar exemplo concretos, é que ao ouvirmos a crítica tendemos a pensar nos outros, e não em nós próprios. De alguma forma racionalizamos que aquilo não é para nós (afinal de contas eu estou certo!), e passamos a procurar exemplos nos outros.

Uma boa atitude a ter seria de pensar se isso se aplica a nós. Se sim, considerar que a crítica pode ter razão de ser. E se tem razão de ser, tomar uma atitude de mudança.