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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

Flicks e os novos conteúdos

Flicks é uma reportagem sobre pessoas nos Estados Unidos que foram obrigadas a mudar de casa. A história em si é muito interessante, mas não é por isso que quis destacá-la aqui. Quis destacá-la porque acho que é uma peça de reportagem fenomenal, e um sinal daquilo que vai acontecer com a imprensa fotográfica num futuro próximo.

Não só estamos em um período de transição da imprensa tradicional para a imprensa na internet, como estamos numa transição do estático para o dinâmico. O que significa que todo o conteúdo que consumimos vai ser cada vez menos estático (textos e fotos), e cada vez mais dinâmico (vídeo e som). O conteúdo estático não vai desaparecer, mas vai ser integrado no conteúdo dinâmico, e a reportagem acima referida é um exemplo perfeito disso mesmo. Se tiverem paciência, leiam mais sobre isto em The Cloud is Falling.

Mas esta passagem do estático para o dinâmico vai afectar também a forma como eu, e todos os que têm blogs, vão criar conteúdo. É verdade que os comentários adicionam algum dinamismo a um blog, mas a maioria da informação que aqui ponho é essencialmente estática. Fotos e texto. Só muito raramente um vídeozito do youtube (que não é bem a mesma coisa de que estou a falar). Com o passar do tempo, acredito que isso vai mudar na maioria dos blogs. E não estou a falar dos videocasts e dos podcasts, que têm surgido com um sucesso misto. Isso é apenas uma etapa, algo transitório. Após isso virá o conteúdo misto e integrado.

Para que isso aconteça, é necessário duas coisas: Hardware e Software acessível à pessoa comum. Uma nova geração de equipamentos de vídeo e de fotografia já estão a surgir, acessíveis a quase todos, e também podemos já ver algum software que permite a qualquer pessoa fazer uma reportagem como a do Flicks (técnicamente falando, porque talento já é outra coisa). Mas terão de se tornar mais fáceis de usar, mais rápidas de usar. Quando essas ferramentas estiverem criadas, estarão as portas abertas para este novo tipo de conteúdo.

Como em tudo o que envolve futurismo, é difícil prever quanto tempo levará a esse tipo de conteúdo a ganhar massa crítica, mas quando isso acontecer, vai espalhar-se, quase todos vão fazer o mesmo. A melhor forma de perceber um pouco de como isso vai ser, é ver a reportagem Flicks, um exemplo perfeito do que aí vem.

Blogs e comentários

Se calhar sou só eu que acho isto, mas aqui vai: Os blogs não têm razão de ser sem comentários. Até digo mais. Uma pessoa que tem um blog e que não permite que sejam feitos comentários, das duas uma, ou está na blogosfera só para mandar bocas sem querer sofrer as consequências das mesmas (ou seja, tem intenções maliciosas), ou não percebe nada do que é a blogosfera e está nisto só por moda.

Ah, e tal, não estou para aturar os comentários dos outros. Tretas. Não estão para aturar os comentários, não ponham artigos polémicos. E se os comentários são despropositados, apaguem-nos. Mas se têm razão de ser, admitam o erro. Além disso as pessoas são livres de ter opinião diferente.

Ah, e tal, recebo muito spam. Bom, essa até engulo, mas com um bocadinho de cuidado, isso resolve-se. A maioria das plataformas que existem por aí têm boas soluções anti spam. No meu blog, como fui eu que fiz, "inventei" o meu próprio filtro, que é um truque muito simples. Até agora, quase zero spam (espero que continue).

O truque no meio disto tudo, é não usar o blog para dizer coisas que não eramos capazes de dizer pessoalmente. Quer dizer, criem um blog para isso se quiserem, sem comentários. Mas para mim é uma atitude estúpida. Falem do que vos vai na alma, e respondam aos comentários que vierem com respeito, sinceridade, e de cabeça fria. Todos ganharão com isso. Os donos dos blogs, que não se tornam "detentores da verdade" e aprendem umas coisas, e os utilizadores, que podem criar uma conversação com o autor.

Porque se o que fazemos na vida não é para criarmos relacionamentos e evoluírmos, o que é que andamos aqui a fazer?

Os blogs como fonte de informação

Não sei se estão todos a par da recente polémica que envolveu o livro "O Equador" (o qual li e recomendo) de Miguel Sousa Tavares. Houve um blog que acusou o autor de plágio, mostrando alguns exemplos. Mas ao que parece não houve plágio nenhum, só que a imprensa pegou nessa informação, e transformou-a em notícia. Notícia essa que acabou por aparecer em tudo o que é jornal, em especial no Público.

Vai daí, o Miguel Sousa Tavares resolve atacar a blogosfera: "O que já sabia dos blogues confirmei: em grande parte, este é o paraíso do discurso impune, da cobardia mais desenvergonhada, da desforra dos medíocres e dessa tão velha e tão trágica doença portuguesa que é a inveja. Mas fiquei a saber, e não sabia, que os blogues, mesmo anónimos, são uma fonte de informação privilegiada e credível para o nosso jornalismo."

Permitam-me discordar. Os blogs não são o problema. Os blogs são mais uma fonte de informação, que merece, na minha opinião, a atenção da imprensa. Assim como merece o boato que surge na rua. Ou a carta anónima que é enviada para a redacção.

O problema é como essa informação é tratada. O problema, na realidade, está na própria imprensa, nos próprios jornalistas, e na forma descabida como lançam notícias sem confirmar o que as suas fontes dizem (sejam blogs ou não). Na pressa de publicar a notícia, ninguém vasculha as fontes. O que interessa é terem um destaque que venda mais que o jornal do lado.

Como já disse antes, ainda não houve uma única notícia, da qual eu tivesse conhecimento, que fosse devidamente relatada na comunicação social. Os jornalistas, na generalidade, deturpam a realidade. E porquê? Porque são maldosos? Porque não se interessam pela verdade? Porque são incompetentes? Porque interessa-lhes mais a manchete que a notícia? Talvez. Mas para mim, a verdadeira causa, é a pressa de publicar a notícia. Os jornalistas normalmente têm muito pouco tempo para analisar as fontes de uma notícia. Há uma pressão da redacção para ter aquela notícia pronta rápido. E na maioria dos casos, não é em meia-hora que um jornalista consegue avaliar as fontes, ainda mais quando tem várias notícias a reportar durante o dia.

Como em muitas áreas hoje em dia, as coisas têm de estar prontas ontem. O que interessa, infelizmente, é a quantidade (e se for espectacular ainda melhor), enquanto que a qualidade, fica relegada para segundo plano.

Do melhor

Por alguma razão, o meu artigo sobre os Blogs do Sapo foi parar ao Do Melhor. Não estava à espera disso.

Para quem não conhece o site, o conceito é bastante simples. Alguém envia um artigo para lá, e a partir daí as pessoas que acharem o artigo interessante votam nele. Quando o artigo tiver votos suficientes, aparece na homepage do site.

É uma boa forma de publicar artigos sem editores a controlar. O que aparece na homepage acaba por ser aquilo que realmente interessa aos utilizadores do site. O conceito foi retirado do Digg.