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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

O controlo e a igreja

A vontade de controlar é inacta ao ser humano. Todos temos desejo de controlar. Controlar a nossa vida (a isso chamamos liberdade), controlar o ambiente que nos rodeia (segurança), controlar as nossas acções (respeito) e por aí adiante. Logo, uma certa medida de controlo é sem dúvida saudável. Mas nós temos tendência a querer controlar além daquilo que é saudável, o que nós queremos realmente é a capacidade de controlar outros. O absoluto poder é a absoluta capacidade de controlar outros, através de pressões, hierarquias, institucionalizações, etc.

Ser cristão, é, entre outras coisas, entregar o controlo da nossa vida a Deus. Abdicar da nossa capacidade de controlar. Não o tipo controlo saudável de que falei acima, porque senão estaríamos a falar de uma fé que tudo desculpa. Mas o tipo de controlo que não devemos exercer, o controlo sobre os outros.

A partir do momento em que eu estou a exercer controlo sobre um outro cristão, estou na realidade a privá-lo do seu direito de controlar a própria vida, mas pior, a tomar o lugar de Deus. É Deus quem tem esse direito. O próprio Deus, que teria o direito intrínseco de exercer controlo sobre nós, visto que nos criou, decidiu dar-nos o livre arbítrio de decidir ser controlados por Ele ou não. Quem somos então nós para usurpar o lugar do próprio Deus?

No entanto é isso que vemos por todo o lado na igreja: Hierarquias e instituições com o exclusivo intuito de controlar. Sempre com boas intenções, claro está, com as desculpas do costume: Para proteger as pessoas, para proteger a sã doutrina, para proteger a boa moral, etc. Será que Deus tornou-se impotente, para precisar que meros humanos protejam a sã doutrina? Não será o próprio controlo exercido parte do problema?

A sede de controlo é um vício difícil de matar, mas é absolutamente necessário que isso aconteça. É numa liberdade sujeita apenas a Deus que podemos encontrar o seu poder e a sua glória.

A legitimidade do líder

Ser líder na igreja é um papel activo, não passivo. Não é um título, é muito mais que isso. O líder tem autoridade não por ter um título (pastor, padre, o que for), mas porque essa autoridade vem de Deus. Logo, quem tem autoridade não é a pessoa em si mesma. Se eu ou alguém tem autoridade é porque Deus a dá.

Na prática, eu só devo obediência a um líder se ele estiver a fazer a vontade de Deus. Importa mais obedecer a Deus do que aos homens. Como tal, o facto de um líder mandar fazer uma coisa não é razão para nos desculparmos das consequências dos nossos actos. Não basta dizer que a culpa é do líder, pois foi ele que mandou. Nós somos responsáveis por avaliar e questionar aquilo que o líder diz. E por outro lado, ser líder não é desculpa para que essa pessoa se torne autoritária, exigindo a obediência cega dos outros.

É pena que hoje seja tabu contrariar o líder, e muito menos criticar abertamente as suas acções. A pessoa que o faz é vista como um rebelde, causador de divisão. Não é suposto ser assim. O verdadeiro líder deve estar aberto às opiniões dos outros. Deve debater as diferenças para chegar a um consenso. Um líder não é um Hitler. Não foi esse o exemplo que Jesus nos deixou. Sejamos todos humildes, e submissos uns aos outros.