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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Israel e Palestina

Neste momento está a decorrer mais uma guerra em Israel, desta vez entre Israel e o Hamas. E como em tantas outras vezes em que isso acontece, vêem-se todo o tipo de artigos a defender Israel, ou a defender os palestinianos. Uma posição que me interessa especialmente é o facto de determinados movimentos cristãos terem o hábito de defender incondicionalmente todas as acções de Israel, sejam elas quais forem.

Quanto a mim, quando me perguntam acerca do assunto, eu normalmente respondo "Os palestinianos e os Israelitas estão bem uns para os outros." E normalmente essa frase resulta para acabar com a discussão, que é um tipo de discussão que eu detesto fazer. É que quem merece apoio incondicional são os inocentes. E a guerra, na minha opinião, é uma coisa que nunca deveria existir. Por isso, discussões de quem é que tem mais razão em usar da violência (um porque é legítima defesa, outro porque é oprimido, outro por razões preventivas) é um debate sem sentido. A resposta é bem simples, na realidade: Ninguém tem razão. Para mim, qualquer guerra é errada, e nada desculpa o recurso à guerra. E se pensam que isso é utópico, pensem em Ghandi.

O caso ainda se torna mais complexo quando se fala do assunto dentro do contexto do cristianismo. Não porque o cristianismo não seja claro em relação à resposta adequada à violência ("Digo-vos, porém, a vós que me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam.", Lucas 6:27-28), mas porque por razões políticas e históricas, o que temos agora é mais uma cristandade do que um verdadeiro cristianismo. E nesse contexto, as doutrinas foram moldadas para permitirem o recurso à violência para fins "nobres", que interessam obviamente a estados poderosos e soberanos.

Não só isso, mas existe também toda a problemática de determinadas interpretações literais de profecias presentes na Bíblia, que levam a que muitos cristãos vejam o estado de Israel como o cumprimento de várias profecias, e como consequência, como tendo sido o próprio Deus que levou a que o estado de Israel exista, e por arrasto, que de certa forma dirige todas as acções do estado de Israel. Logo, se Israel dizimar uma população qualquer, foi bem feito, porque foi a vontade de Deus. E aliás, o problema é Israel não ter logo exterminado todos os palestinianos na altura em que apareceu primeiro para conquistar a palestina, há uns 4000 anos atrás. Isso demonstra normalmente um desconhecimento do estilo apocalíptico usado nos séculos à volta do nascimento de Jesus (pormenores que não interessam a ninguém a não ser a mim e a meia dúzia de teólogos que não têm mais nada que fazer), e mesmo um desconhecimento do facto de que lá por Deus profetizar, não significa que seja Ele que o vai fazer, ou que é uma coisa da sua vontade.

Depois, claro, entra a necessidade de justificar o injustificável. E surgem peças de propaganda como esta (visto no Mukankala), que seguem o normal procedimento de mostrar algumas verdades, omitir outras, e depois tirar conclusões à la carte. Faz tudo parte de um processo de racionalização, como quando compramos um produto por impulso, e depois criamos uma razão pela qual precisávamos mesmo de o ter comprado. Este é pró-Israel, mas não pensem que não existam outros tanto pró-palestinianos, pró-Hamas, pró-Fatah, e afins. Eu é que não tive paciência para andar a procurar. Neste, falam de como os Árabes tentaram desde o início exterminar a "raça" judaica, e outras coisas. Uso este argumento a título de exemplo, só para mostrar como este tipo de informação é incompleto. Não tem em conta o facto de a maioria dos palestinianos não serem etnicamente árabes, muitos serem os originais palestinianos que Israel não matou há 4000 anos, e outros serem na realidade descendentes de judeus que se converteram ao islamismo. E também não tem em conta o facto de até ao século 8 os judeus fazerem evangelismo em massas, o que faz com que a maioria dos judeus israelitas de hoje não sejam de "raça" judaica, o que explica também porque é que há judeus caucasianos e outros negros.

Por fim, e agora olhando para a questão dos cristãos pró-judeus em especial, pessoalmente acho triste tanto apoio incondicional a Israel. Muitos vêem mesmo judeus convertidos ao cristianismo como cristãos mais especiais. Há uma idolatria doentia de Israel e da terra santa. Falta perceber que "todos quantos fostes baptizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3.27-28). Deus não tem "raças" ou nações favoritas. A mensagem de Jesus é uma mensagem de amor, e ai de nós cristãos se a nossa mensagem é diferente dessa. "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam." (Lucas 6:27-28)

O Sol e a Chuva

"Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores." (Mateus 5:43-45)

Compreender o amor de Deus, amor esse que devemos imitar, é compreender que não podemos ser discriminadores de pessoas, quer sejam bons ou maus, justos ou injustos. O amor dá sem olhar a quem.

Aceitar isto é compreender o amor de Deus.

A prosperidade não é sinal de fé

"Não podes julgar se uma pessoa é boa ou má com base na sua prosperidade. Levantar-se e cair é o caminho do céu, mas o bem e o mal é o caminho do homem." (Bushido: The Way of the Samurai)

"(...), pois Ele [Deus] faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. (Mateus 5:45)

Nos dias de hoje a doutrina da prosperidade grassa na igreja de Jesus Cristo. Estamos todos convencidos de que a prosperidade financeira é um sinal da fé da pessoa. Que Deus enche os seus filhos de bençãos, e que os outros são ignorados ou mesmo castigados por Deus.

Quem pensa assim, não compreende o verdadeiro amor de Deus, que está bem patente logo antes do versículo acima: "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem".

A fé não é mostrada pela nossa prosperidade. A fé é mostrada pela nossa atitude em relação às circunstâncias com que nos deparamos. A verdadeira fé é mostrada por Jó, que mesmo perdendo tudo o que tinha, continuou a servir e a confiar no seu Senhor. A verdadeira fé não é mostrada no meio da prosperidade, mas sim na ausência dela.

Quem é o nosso próximo?

Mikado"Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-me de beber.»" (João 4:7)

Uma frase tão simples, e aparentemente tão vazia de significado. É que a sociedade de hoje é muito diferente da sociedade judia em que Jesus estava inserido. Ao lermos esta frase, esquecemo-nos que para os judeus do tempo de Jesus, todos os outros povos estavam irremediavelmente longe de Deus, e apenas eles eram os escolhidos. E claro, era necessário ser homem para disfrutar da plenitude da religião judia, pois as mulheres estavam impedidas da participação na maioria das actividades.

E eis que surge um homem, rabi, um líder dentro da sociedade judaica, a falar com uma mulher samaritana! A deitar por baixo, com uma simples frase, todo um preconceito de vários séculos. É difícil imaginar o choque para as pessoas daquela sociedade. Através deste acto (e de outros), Jesus mostrou que não há lugar para discriminação no reino de Deus.

Ai de nós se, como os escribas e fariseus, discriminamos entre uns e outros, decidindo quem é digno de ser tratado por nós como igual, e quem é considerado inferior a nós. Se não percebemos que crente ou descrente, preto ou branco, magro ou gordo, toda a pessoa é nosso próximo (diria até nosso irmão) a quem devemos o mesmo respeito; então não percebemos a verdadeira mensagem de Cristo.

Amai o próximo como a vós mesmos. E quem é o nosso próximo? Se até aos nossos inimigos devemos amar, então nenhuma pessoa está excluída. Todos são nossos próximos. Tratemo-los como tal.

O amor

O amor é algo que não se explica. Não é algo racional. Quando amamos alguém, amamos essa pessoa apesar dos seus defeitos. Somos capazes de suportar coisas dessa pessoa que não suportaríamos de outra pessoa qualquer. Minimizamos os defeitos e aumentamos as virtudes. E é exactamente isso que torna o amor tão belo e tão desejado. Encontrar a pessoa ao lado da qual queremos passar toda a nossa vida. Pessoa essa que não precisa ser a mais bela, a mais inteligente, ou a mais simpática do mundo, mas que aos nossos olhos é isso e muito mais.

Paz, amor, liderança e unidade

"De facto, Deus não nos destinou à ira mas à posse da salvação por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo que morreu por nós, a fim de que, quer durmamos, quer estejamos vigilantes, com Ele vivamos unidos. Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como já o fazeis. Pedimo-vos, irmãos, que sejais reconhecidos para com aqueles que se afadigam entre vós, que vos governam no Senhor e que vos instruem; dedicai-lhes uma caridade acrescida devido à sua obra. Vivei em paz entre vós. Exortamo-vos, irmãos: corrigi os indisciplinados, encorajai os desanimados, amparai os fracos, sede pacientes com todos. Prestai atenção a que ninguém pague o mal com o mal; procurai, antes, fazer sempre o bem uns para com os outros e para com todos. " (1 Tessalonicenses 5:12-15)

Hoje li esta passagem, e achei interessante que aborde todos os assuntos em que tenho pensado nesta última semana. E depois de pensar um pouco, realmente tudo está relacionado, e cada um destes temas pode (e talvez deva) ser visto no contexto dos outros.

O amor deve ser o padrão que amadurece a unidade que temos em Cristo. Não a uniformidade, mas o amor. Não é o sermos iguais, mas é o amarmo-nos uns aos outros. Essa unidade em amor leva a que haja paz. E onde há amor e paz, o papel do líder torna-se claro e fácil de cumprir. Isto não é uma resposta final ao que tenho pensado, mas é mais um pensamento importante.

O amor

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita." (1 Coríntios 13:1-3)

O amor é a cola que nos une. É o que faz tudo valer a pena. É o que distingue a vida cristã da religião cristã.

Liberdade de expressão

É impossível haver verdadeira liberdade, se não houver liberdade de expressão. E quando falo de liberdade de expressão, não é ouvir, calar, e pôr a pessoa de parte porque não concorda connosco. Liberdade de expressão é debater as coisas e não quebrar relacionamentos. É aceitar os outros mesmo que não concordem connosco. É amar independentemente das coisas em que discordamos. É estar pronto a ouvir e considerar as opiniões diferentes das nossas, porque podemos vir a aprender. Não é debater apenas para convencer o outro da nossa opinião, mas tentar perceber se a outra pessoa tem razão, porque se tiver, então somos nós que temos que mudar. E se não encontrarmos razão no que o outro diz, ainda assim, devemos respeitar e amar.

Discipulos que se amam

"Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." (João 13:34-35)

É isto mesmo. A igreja é suposto ser isto: Uma comunidade de discípulos (seguidores a sério) de Cristo que se amam entre eles, e que amam aos que estão fora. E é isto que devemos procurar a cada dia.

Amar e ser amado

"The greatest thing
you'll ever learn
is just to love
and be loved in return"
(Eden Ahbez - Nature Boy)

Se virmos tudo à luz do amor, certamente não cairemos nos exageros que critiquei no artigo anterior. Amar Deus e aprender que se é amado por ele. Amar o próximo, e aprender a aceitar o seu amor por nós. E além disso, amar até aqueles que nos querem mal. Como seria diferente o mundo, se o amor fosse mais do que palavras. Senhor, ajuda-nos a amar cada vez mais.