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Simplice

A vida é simples

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A vida é simples

Trabalhos de Campo I

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Esta semana que passou estive em Portugal, e foi espectacular. Estive a participar na disciplina de Trabalhos de Campo I, que faz parte do curso de Ciências do Ambiente que estou a fazer na Universidade Aberta. É uma disciplina que engloba toda a parte prática do curso. Durante uma semana tivemos aulas presenciais e de laboratório, e ainda 3 saídas de campo: Praia das Avencas, Serra da Arrábida, e Serra de Sintra.

Sendo um curso à distância, foi muito especial finalmente conhecer os colegas e os professores pessoalmente. Foi um ambiente super divertido. Só foi pena durar tão pouco...

Para todas as fotos, ver a galeria de Trabalhos de Campo I.

O que comemos



Hoje estava a ver um debate aceso num fórum ambiental entre vegetarianos e não vegetarianos. Uns diziam que um verdadeiro ambientalista tem de ser vegetariano, e outros que não. Uns que só os vegetarianos é que se preocupavam com os animais, e os outros que as plantas também são seres vivos, que assim era melhor não comermos nada. Espanta-me bastante o facto de as pessoas estarem constantemente a abordar os temas de uma forma superficial, sem irem ao fundo da questão. Só falta dizer que os leões são maus para o ambiente porque comem carne.

O ambiente é um sistema global complexo, a solução não passa por soluções simplistas, como: Vamos todos tornar-nos vegetarianos! O que é realmente importante? Comer vegetais? Ou começar a reparar de onde vem aquilo que comemos? Por exemplo, a soja. Muitas pessoas não sabem que milhares de hectares da selva amazónica têm sido destruídos para a plantação de soja. Quem come soja proveniente dessas plantações, está na realidade a contribuir para a destruição da floresta, e com ela todos os seres vivos que dela dependem. Mas também é verdade que o mesmo tem sido feito para criar pastagens para o gado.

Por isso, eu acredito que não é uma questão do que se come, mas de onde vem aquilo que se come. Cada vez mais procuro saber a proveniência das coisas que consumo. Cada vez mais faço perguntas do tipo: Será que foram usados muitos pesticidas ou antibióticos no alimento que estou a comprar? Será que a carne que compro vem de produtores que tratam os seus animais condignamente? Será que o produto é local, ou veio do outro lado do planeta, gastando toneladas de combustível para chegar às minhas mãos?

Este tipo de questões têm-me levado a ter uma alimentação de maior qualidade, mas também necessariamente mais cara, visto que o preço final reflecte o custo real daquilo que estou a comprar (vejam Story of Stuff, se não percebem porquê). Também tem levado a prescindir de determinadas frutas e legumes fora de época. Mas acredito que é essa a forma justa de fazer as coisas. Afinal de contas, se não cuidarmos do ambiente, um dia ele deixará de cuidar de nós...

A destruição da terra

Swallowtail (Papilio machaon)Os cristãos não costumam importar-se com questões ambientais por uma razão muito simples: A maioria acredita que estamos nos últimos dias, e que no fim a terra será destruída de qualquer forma, por isso não vale a pena nos preocuparmos. É exactamente esta forma de pensar que leva o George Bush a ter uma política tão má em termos ambientais (Curiosamente, ao mesmo tempo que faz isso, acredita na guerra e no consumismo, duas coisas que vão contra todos os valores cristãos).

Ainda que o fim do mundo esteja às portas, e que a terra venha a ser destruída, isso não é razão para não nos importarmos com o ambiente. Deus confiou a natureza ao homem, não para que ele a explore sem qualquer tipo de ética, mas para que ele cuide dela da mesma forma que ela cuida dele, formando uma simbiose perfeita.

Nós fazemos parte do ecossistema. Quando o exploramos, exploramos a nós próprios, porque as consequências negativas fazem-se sentir globalmente. Muitas das secas, inundações, e guerras, as quais são responsáveis pela morte de milhões de pessoas, foram despoletadas pela exploração indevida do planeta. Não cuidar do ambiente é ser responsável pela causa desses males.

A nossa atitude em relação à natureza deve ser de um relacionamento saudável, e não de exploração insensível.

Produzir a nossa energia

Finalmente os governos começam a apostar nas energias renováveis, especialmente na energia eólica e solar. É bom que isso aconteça, mas não deixo de pensar que essa não é a solução ideal em termos ambientais. É sem dúvida melhor que a queima de petróleo e carvão, mas tem os seguintes defeitos:

Impacto ambiental dos parques eólicos

Os parques eólicos, apesar de produzirem energia "limpa", têm um grande impacto na população das aves. Milhares de aves morrem todos os anos ao embaterem nas hélices dos moinhos, muitas dessas pertencentes a espécies ameaçadas. Com o aumento de parques eólicos, haverá inevitavelmente um aumento de mortes.

Uso do solo por parte dos parques de painéis solares

Embora no caso da energia eólica seja possível usar o terreno para outros fins (embora com limitações), visto que o solo não é completamente coberto, no caso da energia solar já é bem diferente. Um parque de painéis solares ocupa uma extensa área de terreno, inviabilizando o seu uso, e consequentemente, a criação de habitats.

Impacto ambiental das linhas eléctricas

Num recente estudo da SPEA foram descobertos 1599 cadáveres de aves em 936 km de linhas eléctricas. As mortes foram causadas ou por electrocussão, ou por colisão, sendo a colisão responsável pela maioria das mortes. Embora a electrocussão possa ser prevenida com alguma facilidade, esse não é o caso da colisão.

A produção de energia em grandes parques significa a necessidade de uma rede de transporte dessa energia. Ou seja, mais e mais linhas eléctricas. O que implica derrube de árvores, criação de corredores dentro de habitats, e mortandade nas aves.

Produção local de energia

Qual seria então a solução ideal? A produção de energia deveria ser feita no local onde o consumidor reside. A área usada para a construção das casas seria aproveitada para a colocação de hélices eólicas (bem mais pequenas, obviamente) e painéis solares. No caso de comunidades maiores em que isso não seja possível (zonas grandemente urbanizadas, muitos prédios, etc), deveriam ser criados parques locais.

Assim, reduziríamos a área necessária para a produção de energia, assim como a necessidade de linhas eléctricas. Além disso, penso que seria bom para a economia local, criando riqueza e emprego, mais do que os grandes parques energéticos o farão. E a natureza só teria a ganhar.

Está disposto a pagar mais por energias limpas?

Esta pergunta estava na votação que se encontra na homepage do Sapo. Até agora o não está a ganhar por uma margem muito pequena.

A minha resposta é o sim, obviamente. Eu estaria disposto a pagar mais. Se surgir uma nova empresa de electricidade que só produz energia limpa, eu deixo imediatamente de ser cliente da EDP. Mesmo que pague mais na factura da electricidade.

O que as pessoas muitas vezes se esquecem, é que a energia suja (e barata) tem um preço escondido. As consequências de continuarmos a poluir o ambiente são ambientais, sociais, e mesmo económicas. Os prejuízos causados pelo aquecimento global são muito superiores ao investimento necessário nas energias limpas. Já para não falar dos problemas da dependência do petróleo.

Aplica-se aqui bem o provérbio: O barato sai caro.

Arquitectura e a vida da igreja

Imagina que estás na praia. Estendes a tua toalha, e deitas-te nela. Sentes a leve brisa do mar no teu rosto, sentes o calor do sol no teu corpo, e ouves o suave ronronar do mar. Sentes-te confortável, calmo, relaxado. Sentes-te bem.

Agora, imagina que, de repente, uma nuvem escura tapa o sol, e a brisa torna-se num vento frio. Não só isso mas por detrás de ti começas a ouvir barulho de máquinas, pois os homens da câmara voltaram agora do almoço, e estão a reparar o parque de estacionamento. A verdade é que já não te sentes nem confortável, nem calmo, nem relaxado.

O ambiente à nossa volta influencia muito a forma como nos sentimos e agimos. Algumas mudanças notam-se imediatamente, outras são tão graduais que a princípio nem reparamos. Outras coisas são assim há tanto tempo, que já nem notamos o efeito que nos causa (Como saberíamos que temos frio se nunca tivéssemos sentido o calor?).

St. Patrick CathedralMuita coisa pode ser escrita sobre estas verdades, mas hoje gostava de falar sobre a influência da a arquitectura do edifício a que chamamos igreja (na realidade, como sabem, a igreja é a comunidade dos cristãos, e não um edifício). Mas antes de o fazer, gostava de vincar que estou a falara de influências, e não de obrigações. Da mesma como a nuvem, o vento, e o barulho das máquinas não nos obrigam a sair da praia, mas ajudam bastante a que isso aconteça. Cá estão algumas das influências:

1- Falta de relacionamentos

Assim que chegamos à "igreja", somos imediatamente encaminhados para um lugar, onde nos sentamos. Daí, apenas conseguimos ver as nucas das pessoas à nossa frente, e mais à frente o palco, e se virarmos a cabeça, apenas vemos a pessoa à nossa esquerda e direita, com as quais podemos conversar, mas discretamente. A própria disposição da sala convida a uma comunicação do palco para "o povo", e não uma comunicação entre todos. Quando a reunião acaba, se realmente queremos relacionar-nos com as pessoas, teremos de sair do edifício, onde há espaço.

2- Hierarquia

A separação entre as pessoas que estão nas cadeiras (o povo) e as que estão no palco (o clero), ajuda a criar uma imagem de hierarquia, em que uns são superiores aos outros. No entanto, a Bíblia mostra claramente (1 Pedro 2:9, Mateus 20:25-28) que todos nós somos sacerdotes, que todos nós estamos ao mesmo nível. Ser líder, na igreja, não é um cargo hierárquico, mas uma função.

3- Passividade

Da mesma forma, a separação entre duas classes de cristãos ajuda à passividade. Ajuda a que aqueles que estão nas cadeiras não participem na reunião. O próprio formato da sala não ajuda a que todos participem, com profecias, com ensino, com exortações, com perguntas. Os cristãos tornam-se assim meros receptores do ministério de uns poucos escolhidos.

4- Restrinção à liberdade do Espírito Santo

Por fim, e pior do que tudo o resto, restringe a liberdade do Espírito Santo. Toda a reunião é conduzida por um homem (o pastor, o padre, etc.), e apenas ele e as pessoas no palco têm total (?) liberdade de ministrar aos outros. Se o Espírito Santo quiser manifestar-se numa reunião, será muito mais fácil fazê-lo através dessas pessoas "mais importantes".

Em suma, os edifícios que temos hoje não ajudam a vida da igreja. Pelo contrário, ajudam a atrofiar a vida da igreja. Se queremos inverter essa situação, é melhor retirarmos a nuvem e o barulho das obras. Fica mais fácil assim.