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Simplice

A vida é simples

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A questão do aborto

A questão do aborto gera sempre grandes discussões emocionais, e muito pouco de discurso racional. Para tentar ajudar a uma maior compreensão entre as partes opostas, proponho que pensemos nas seguintes questões:

Em que momento é que o ser humano começa a existir?

O que a maioria deve concordar, é que matar um ser humano é errado. Mas quando é que o ser humano começa a existir? Essa é que é a grande questão. Porque a partir do momento em que um ser humano começa a existir, matá-lo é assassínio. Uns acreditam que é no momento da concepção, outros que é no momento em que se torna um feto (8 semanas), outros que é no momento em que sai cá para fora.

Conforme aquilo em que acreditarem, vão achar o aborto certo ou errado. Por exemplo, alguém que acredite que o ser humano começa a existir às 10 semanas, achará que abortar um feto com mais de 10 semanas é assassínio. Mas não um de 9. Já aquele que acredita que é no momento da concepção vai achar que qualquer aborto é assassínio. Mas só quando conseguirmos responder a esta questão, é que podemos fazer a próxima.

Aquele que mata deve ser punido?

A reacção natural é imediatamente dizer que sim. Mas ao pensarmos com mais atenção, vemos que matar um ser humano é por vezes justificável. Pelo menos segundo a sociedade actual. Por exemplo, em casos de legítima defesa, ou em casos de guerra. Outras vezes, pode não ser justificável, mas mesmo assim não merecer ser punido. Por exemplo, em casos de insanidade mental.

Excluindo os casos de insanidade mental, a questão passa a ser o que é que torna o acto de matar justificável. Porque se for justificável, não deve ser punido. Mas se não for justificável, a pessoa, e os cúmplices, devem ser punidos. Será que uma condição de pobreza justifica o assassínio? Será que a legítima defesa (neste caso concreto, quando o feto põe em risco a vida da mãe) justifica o assassínio?

Conclusão

O problema, é que a resposta a estas duas questões não é unânime. Se fosse, todo o debate que existe neste momento deixaria de fazer sentido. Mas espero que ao termos em conta estas questões, ao menos tenhamos a humildade de perceber porque alguém diz sim ou não ao aborto. Mesmo que continuemos a discordar.

Aborto Reloaded

Hoje o parlamento aprovou um novo referendo ao aborto. Nada de novo, todos já esperávamos isso.

A diferença entre os apoiantes do aborto e os que são contra é simples. Os que são contra acreditam que o ser humano o é desde o momento da concepção, e os outros acreditam que só a partir das 5/10/15/20 semanas (aí há para todos os gostos). Eu sou contra o aborto, porque considero que um embrião é um ser humano. E como tal, matá-lo é um assassínio. Mas compreendo que outras pessoas tenham uma visão diferente da coisa.

Quanto ao referendo, eu vou votar não. Mas para ser sincero, o resultado do referendo para mim é irrelevante. O que é para mim relevante, é se a igreja em vez de limitar-se a criticar quem o faz, vai ter a coragem de apoiar as pessoas que não têm condições para ter os filhos. Sim, porque aquelas que abortam porque sim, pouco há a fazer. Abortam quer seja legal ou não. Mas há pessoas que gostavam de ter os filhos, e por pressões económicas, socias, ou familiares optam pelo aborto. E se a igreja decidir levantar o rabo do sofá confortável para ir ajudar essas pessoas, aí sim vamos fazer a diferença. Se a igreja não o fizer, continuará a ser apontada como os velhos dos marretas, que criticam da sua posição de conforto, e não se importam realmente com as pessoas que estão a passar por essas situações.