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Simplice

A vida é simples

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A propósito dos anúncios de emprego

Esta semana, ao analisar anúncios de emprego no site Agroemprego, apercebi-me de algo que está na realidade enraizado na cultura portuguesa. Os títulos dos anúncios são algo como "Eng. do Ambiente", ou "Eng. Florestal". Ou seja, em vez de ser uma descrição da função a desempenhar, como por exemplo "Formador em ruído ambiental", ou "Gestor de qualidade ambiental", o que é colocado como título é o curso que a pessoa fez. E isso ainda acontece mais quando se trata de empresas estatais.

Não é algo que se vê com tanta frequência em outros sites de emprego, ou mesmo em anúncios de jornal, mas não é raro ver anúncios com títulos como "Eng. Informática", ou "Eng. Electrotécnico", ou algo do género.

Aqui na Suíça, onde estou há 3 anos, não se vê disso. Alguns cursos universitários interessantes para o posto de trabalho em questão estão listados no meio do artigo, mas é mais um elemento, ao mesmo nível que a experiência profissional ou outros conhecimentos.

Tudo isto aponta a importância desmesurada que se dá em Portugal aos cursos universitários. Chega ao ridículo de determinado candidato não ser considerado por ter o curso com o nome errado. Isto sei eu com conhecimento de causa. Se a pessoa teve o azar de tirar um curso que se chama "Educação e Intervenção Comunitária" e se candidata a um posto de "Educação Social", recebe logo uma cartinha a dizer que não tem o curso certo, e como tal não estão interessados. Mesmo que analisando os dois cursos a matéria ensinada seja essencialmente a mesma. Ah, tem experiência profissional na área? Pois, mas não tem o curso com o nome certo. Azarito.

Isto para mim é no mínimo ridículo, mas o pior é que é completamente discriminador, ou dito de outra forma, estúpido.

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