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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

Kafka à Beira-mar por Haruki Murakami

Tenho que começar por dizer que Murakami tem, para mim, um estilo de escrita realmente maravilhoso. Este é o segundo livro que leio dele, e a forma como ele descreve as diferentes cenas, não me deixa de deliciar. Cheio de pormenores que nos ajudam a ter uma imagem clara daquilo que as personagens estão a sentir. Neste momento, quando critico um escritor qualquer, Murakami e o seu estilo são a minha referência. A revista "The Virginia Quarterly Review" descreveu-o assim: "facilmente acessível, mas profundamente complexo".

Kafka à Beira-mar narra a história de várias pessoas extremamente invulgares, cujas vidas acabam eventualmente por se cruzar. Um rapaz de 15 anos, e um velhote que consegue falar com os gatos. Nesta história de demanda, os eventos vão-se desenrolando de uma forma surpreendente, abrangendo não só o mundo físico como um outro mundo paralelo.

Como nota negativa, o livro contém algumas coisas que acho dispensáveis. Nomeadamente uma cena algo macabra, e meia dúzia de cenas de sexo. Mas mesmo assim, recomendo este livro, salvaguardando que não deve ser lido por pessoas facilmente impressionáveis. Para essas, sugiro que leiam antes o Sputnik meu amor, que contém apenas uma cena de sexo não muito forte.

O fim do livro é surpreendente, e algumas coisas não se percebem muito bem. Mas como um dos personagens diz, algumas coisas não são para serem compreendidas. Aceitam-se, e pronto.

A prosperidade não é sinal de fé

"Não podes julgar se uma pessoa é boa ou má com base na sua prosperidade. Levantar-se e cair é o caminho do céu, mas o bem e o mal é o caminho do homem." (Bushido: The Way of the Samurai)

"(...), pois Ele [Deus] faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores. (Mateus 5:45)

Nos dias de hoje a doutrina da prosperidade grassa na igreja de Jesus Cristo. Estamos todos convencidos de que a prosperidade financeira é um sinal da fé da pessoa. Que Deus enche os seus filhos de bençãos, e que os outros são ignorados ou mesmo castigados por Deus.

Quem pensa assim, não compreende o verdadeiro amor de Deus, que está bem patente logo antes do versículo acima: "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem".

A fé não é mostrada pela nossa prosperidade. A fé é mostrada pela nossa atitude em relação às circunstâncias com que nos deparamos. A verdadeira fé é mostrada por Jó, que mesmo perdendo tudo o que tinha, continuou a servir e a confiar no seu Senhor. A verdadeira fé não é mostrada no meio da prosperidade, mas sim na ausência dela.

Filme visto: Voo 93

Vi ontem o filme Voo 93. Para quem não sabe, o filme é sobre um avião desviado no famoso dia 11 de Setembro de 2001, o único dos 4 que não alcançou o alvo devido à revolta dos passageiros. Não há muito a dizer sobre um filme como este, apenas que é uma experiência muito emotiva. Mesmo para quem, como eu, não é americano nem simpatizante dos americanos.

Downgrade

Hoje houve mudanças na empresa. Perdi privacidade (passei a ter pessoas atrás de mim, e pior fiquei num lugar de passagem), mas pior, perdi a vista para o jardim.

A privacidade em si não me importo muito de perder, afinal de contas não tenho nada a esconder. Mas para alguém que leva a vida a olhar para um ecrã a 50cm de distância, não ter um sítio para onde descansar a vista de vez em quando, é uma verdadeira privação.

Pode ser qua a próxima mudança esteja para breve, e que desta vez seja para melhor.

O Profeta do Castigo Divino por Pedro Almeida Vieira

Acabei de ler este livro já há algumas semanas, mas ainda não tinha tido disposição de me sentar a falar sobre ele.

A história do livro passa-se no período imediatamente anterior ao grande terramoto de Lisboa, e segue a vida de Gabriel Malagrida, um Jesuíta que foi considerado santo no seu tempo, mas que depois acabou por ser vítima da inquisição. A história segue também a vida dos reis da altura, do Marquês de Pombal, e toda questão política e económica da altura.

O livro lê-se muito bem. Apesar de volumoso, a forma como a história é contada é muito cativante e divertida. Uma escrita descritiva mas não demasiado, com uma evolução rápida dos acontecimentos. Gostei bastante de ler o livro. O único problema é que, sendo um romance histórico, por vezes temos dificuldade em perceber o que é ficção e o que é realidade. Mas isso é um problema deste género literário, e não do livro em si.

A vida continua

Tenho estado um bocado calado em relação à igreja.

Certamente alguns sentem falta das minhas críticas e propostas de solução, mas a verdade é que em um ano abrangi todos os temas que queria abordar. E as críticas que poderia fazer neste momento são críticas que não quero fazer, e que acho que não devo fazer, por envolver o comportamento ético de líderes de determinadas igrejas.

Por outro lado, em termos de igreja, estamos a passar um período de transição, o que leva a uma falta de novidades. Estamos a começar algo novo, e isso é algo que leva o seu tempo. Penso que em breve terei novidades.

Geeks e a emoção

Não é verdade que os geeks não sejam pessoas emotivas. Na realidade até são bastante, é preciso é perceber no quê.

Nada como dizer que uma determinada linguagem de programação é melhor do que a outra, para despoletar uma acesa discussão. Basta ver o post Python ou Ruby.

Outros dois temas que despoletam a mesma reacção explosiva são os Sistemas Operativos (O Mac OS X é sem dúvida o melhor) e os Editores (vi é melhor que emacs, sem dúvida).

Além desses 3 principais, outros também geram alguma discussão menor. Os browsers são um exemplo (Opera, sem dúvida), e para quem usa Linux, ainda existem as discussões de qual o Windows Manager melhor (O Gnome é que é, mas também gosto do Xfce), e qual a melhor ditribuição (gentoo para servidores, e ubuntu para desktops), e podia continuar por aí.

No fundo, as coisas não são melhores que as outras, são diferentes. E nós somos diferentes. E quando a diferença de uma coisa se conjuga com a nossa diferença, passamos a defender essa coisa. Porque no fundo, defender essa coisa passa a ser defender a nossa diferença, a nossa liberdade.

Monarch (Danaus plexippus)

Monarch (Danaus plexippus)Esta borboleta é uma espécie americana, mas que nos últimos anos começou a aparecer no sul de Portugal. Nas minhas breves férias do início de Setembro, tive a oportunidade de a ver pela primeira vez, e a fotografar.

Esta foto tem outro valor. É uma prova fotográfica de que a espécie está a reproduzir-se em Vila Nova de Milfontes. Já existem registos da sua reprodução no Algarve, mas acho que é a primeira vez que isto é registado tão a norte no nosso País.

Python ou Ruby

No fim da formação "Perl Best Practices", onde estive nos últimos dias, pensei novamente sobre o uso cada vez menor do Perl. O Perl, como linguagem antiga que é, está a morrer (já antes dei a minha opinião). Faz tudo parte do ciclo de vida das linguagens de programação.

No ambiente web, há muito que o PHP tem vindo a ganhar terreno ao Perl. Acho que é já um facto consumado no munfo open source. Noutras áreas há duas linguagens que vejo como candidatas a substituir o Perl: O Python, e o Ruby.

A minha preferida é sem dúvida o Python. Eu sei que para quem vem do Perl (e de outras linguagens da família C) a linguagem parece "esquisita". Mas para mim, o Ruby é uma linguagem "feia", que permite a criação de código difícil de perceber.

Apesar disso, a minha previsão é que o Ruby vai ser a próxima linguagem da moda no ambiente open soure. Acho que vai ganhar terreno tanto ao Perl como ao Python. Porquê? Por duas razões. Primeiro, está mais preparado para web (muito graças ao ruby on rails, mas não só. A própria sintáxe do Python, ao não ter nada que termine um bloco além da identação, impede a sua fácil utilização em web). Segundo, é a linguagem que ganhou mais "hype" nos últimos tempos. E como todos nós sabemos, no mundo profissional, as linguagens são mais escolhidas pelos gestores do que pelos programadores, e esses baseiam-se no hype de cada linguagem. O tempo mostrará se tenho razão.

The king is dead. Long live the king!

Como foi a formação Perl Best Practices

Gostei bastante da formação, penso que foi mesmo a melhor em que já estive. E para mim que não sou nenhum especialista em Perl (lembram-se disto?), aprendi imenso. O Damian Conway é um senhor. Tragam-no cá mais vezes, que eu vou novamente com todo o gosto.

A formação é baseada num livro escrito por ele, Perl Best Practices, e fala de como podemos tornar o nosso código mais coerente e legível para os outros programadores com quem trabalhamos. Não só isso, mas como organizar e documentar melhor o código que fazemos. Não li o livro, mas se for tão bom como a formação, é um must-have.