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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

O dinamismo das maiorias e das minorias

Na vivência democrática dos nossos dias, seria de pensar que as minorias não só seriam marginalizadas, como desapareceriam com o tempo. Mas pensar assim é pensar de uma forma demasiado linear. É que a grande maioria das pessoas pertence a pelo menos uma minoria. E quase todas as pessoas pertencem a pelo menos uma maioria.

O mundo rege-se de uma forma muito dinâmica, com várias alianças dependendo das convicções de cada um. Alianças que se cruzam umas com as outras. As pessoas juntam-se a um grupo por determinada convicção, mas a um outro por uma outra convicção. E nesse outro grupo estão pessoas que vão contra as convicções do primeiro grupo. O processo democrático é assim um emaranhado de grupos e de relacionamentos, em que todos fazemos parte de maiorias e minorias.

Tendo em conta isso, não faz nenhum sentido estarmos a hostilizar as pessoas que pensam de forma diferente em determinado ponto, e muito menos tornar um grupo exclusivista em assuntos que não dizem respeito a esse grupo. Todos vamos acabar por discordar em determinados pontos. É impossível ter um grupo completamente homogéneo. É necessário haver liberdade de pensar de formas diferentes, e de permitir este dinamismo entre grupos.

Eu sei que isto é muito teórico, talvez venha a expandir este pensamento no futuro.

Democracia

A democracia é o mal menor. Na falta de alguém que tenha a capacidade de perceber o que é melhor para todos (nenhum ser humano o conseguirá), é uma forma de pelo menos irmos no sentido que a maioria quer. De todos os sistemas políticos humanos, é o que permite uma maior liberdade e progresso da humanidade, embora ao mesmo tempo ajude à discriminação das minorias, que dificilmente se conseguem fazer ouvir.

Um dos princípios da democracia é o voto da maioria. Acho que faz todo o sentido que assim seja no que diz respeito às decisões de futuro. O que não faz nenhum sentido é aplicar esse princípio a factos. Será que é errado matar? Isso não pode depender de se a maioria acha que é certo ou não. A verdade não pode depender do voto da maioria, ou tudo passa a ser relativo. A moral e a ética não podem ser definidas por votos. A verdade, em si, é algo que não pode ser definido democraticamente, mas sim algo que deve ser buscado diligentemente. E em nós mesmos não encontramos a resposta, precisamos de uma entidade superior que defina a verdade, o certo, o errado. Precisamos de Deus.

O Cristianismo é uma religião oriental

Neste artigo a autora mostra-se chocada por haver algumas pessoas que afirmam que o cristianismo é uma religião oriental. Bem, eu sei que algumas pessoas têm dificuldades com mapas, mas se a minha memória não me falha, Jerusalém fica no oriente, e foi lá que o cristianismo começou.

O que a preocupa, e a outras pessoas que pensam como ela, é que se o cristianismo é uma religião oriental, então, como diz Paul, talvez não seja uma religião altamente racional, teórica, permeada de pensamento iluminista, e focada em doutrina. Se calhar, como o judaísmo e quem sabe a igreja primitiva, é uma religião bastante emocional, comunitária, e focada na prática. E isso foge bastante da tradição cristã ocidental.

Não será caso que o cristianismo pode ter doutrina, e ao mesmo tempo emoção, comunidade, e prática? Ou será que o cristianismo tem de ser uma religião de rituais e doutrinas que não influenciam a vida dos cristãos na prática?

Emergent No

Hoje descobri um blog bastante interessante. Chama-se Emergent No, e é uma crítica ao movimento emergente. Acho que vale a pena dar uma olhada, porque se lemos só coisas de quem concorda connosco, o nosso crescimento será muito mais limitado. E sei lá, eles até podem ter razão, não seria bom termos a presunção de que nós estamos 100% certos.

Mais 3 anos e meio de vida

Hoje, no destak, veio a notícia de que uma pessoa que faz exercício físico intenso, aumenta a sua esperança de vida em 3 anos e meio, ao passo que a pessoa que faz exercício moderado, aumenta ano e meio. Desculpem lá, é só isso? É porque se é só isso, não vale a pena. Vamos lá a fazer as contas.

Cada semana tem 168 horas. Dessas 168, dormimos 56 horas, sobram 112 horas. Dessas 112 horas trabalhamos 40, e gastamos 7 a caminho do trabalho, pelo que sobram 65 horas. Dessas 65 horas, gastamos 14 horas em refeições, pelo que sobram 51 horas de tempo livre semanal. Nem vou contar com o tempo que gastamos a fazer coisas como perder tempo nas finanças, mas vamos arrendondar para 50 horas por semana. Como o ano tem 52 semanas, temos 2600 horas por ano de tempo livre.

Para fazermos exercício moderado, precisamos de gastar pelo menos 3 horas por semana, mas como tb há o tempo de deslocações, vamos arredondar para 4 já a contar com a delocação, partindo do princípio que o ginásio fica de caminho. Isso são 208 horas por anos. Se fizermos exercício assim dos 20 aos 50 anos, gastamos 6240 horas nisso. 6240 horas que nos valem mais ano e meio de vida, que vale 3900 horas a mais de tempo livre de vida. Ou seja, gastamos 6240 horas a fazer exercício físico para ganharmos mais 3900 horas de vida. Se é para isso, não vale a pena!

Eu acho que vale a pena fazer exercício físico sim, mas a fazer algo que nos dá gozo. E não para termos mais ano e meio de vida, mas porque nos faz sentir melhor, e assim aproveitamos melhor o tempo de vida que temos. Agora para aumentar o tempo de vida, quando ainda por cima isso não está nas nossas mãos...

O projecto secreto

No decorrer da II Guerra Mundial, os Estados Unidos criaram um projecto secreto chamado Manhattan Project. O objectivo do projecto foi criar a bomba atómica. O povo americano (e não só) não fazia a mínima ideia da existência da bomba atómica até que foi lançada sobre Hiroshima.

Infelizmente, muitos projectos na igreja são feitos assim. Apenas a liderança sabe do projecto, e de repente a bomba é lançada, e só então é que as pessoas ficam a conhecer o projecto. Isso faz todo o sentido quando estamos a falar de projectos de segurança nacional, mas não faz o mínimo sentido quando se trata de projectos numa igreja, na qual não deve haver pessoas superiores a outras, e na qual todos devem estar envolvidos.

Os resultados deste tipo de informação escondida são catastróficos. O projecto tem poucas probabilidades de sucesso por várias razões. Primeiro, porque é impossível ter a certeza de que o projecto vai ao encontro da necessidade das pessoas, visto que elas não foram consultadas. Segundo, porque a quantidade de pessoas que gostariam de se envolver num projecto já delineado por alguém, é muito inferior ao número de pessoas que gostariam de fazer parte dele desde o momento de concepção (principalmente as pessoas mais capacitadas). E por fim, causa um mal estar geral de não se estar a par dos acontecimentos, e logo, de não se pertencer.

Resultado? Os líderes acabam por ter que fazer quase tudo sozinhos, e ainda por cima passam a ser vistos com alguma desconfiança, quebrando-se o relacionamento.

A informação escondida

Diz a sabedoria popular que quem não deve, não teme. E quando alguém esconde informação, as pessoas começam a desconfiar das razões que levam a que essa informação seja escondida. E sem confiança, não há relacionamento que aguente.

Os líderes de uma comunidade não podem esconder informação dos outros membros, mesmo que seja com a desculpa de "os proteger". A informação não faz mal a ninguém. O que faz mal é esconder a informação.

Um bom exemplo de informação escondida é quando uma igreja oculta dos seus membros as informações financeiras. Quanto a igreja recebe, quanto gasta, no que é que gasta, etc. Depois admiram-se que as pessoas desconfiem da forma como o dinheiro é gerido. Se não têm nada a esconder, porque escondem?

(Levemente inspirado aqui)