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Simplice

A vida é simples

Simplice

A vida é simples

A globalização e a igreja local

Na geração dos meus pais, o mundo ainda não estava tão globalizado. As famílias ficavam sempre na mesma terra, e as pessoas que conhecíamos eram todas dali. E de certa forma isso continua a acontecer fora dos centros urbanos, embora o interior esteja cada vez mais deserto.

No contexto dos grandes centros urbanos a igreja local (igreja das pessoas de uma localidade) deixa cada vez mais de ter sentido. Os nossos relacionamentos estão cada vez mais dispersos. Eu vivo em Massamá, mas a maior parte das pessoas que conheci na universidade, e que conheço na empresa onde trabalho, vivem noutras áreas da grande Lisboa. E o mesmo acontece em termos de igreja. A grande maioria das igrejas já não é local, pois as pessoas que fazem parte delas não moram todas na mesma região.

Quanto mais globalizado for o nosso mundo, menos local será a igreja.

Todo o mundo está ligado

Estamos ligados a todas as pessoas no mundo através de 6 relacionamentos, no máximo. Esta frase não é absolutamente verdadeira(1), pois tem em conta o mundo desenvolvido, mas está muito próximo da verdade.

Tendo em conta isto, pensar que influenciar os nossos relacionamentos é muito pouco, é uma visão muito limitada da nossa vida. Nós podemos influenciar apenas os nossos relacionamentos, é verdade. Mas essas pessoas conhecem outras pesssoas, que conhecem outras pessoas, e assim por diante. Se cada um de nós fizer o pouco que podemos fazer com os relacionamentos que temos, o potencial de atingir toda nossa comunidade local é imenso. Nem penso no mundo todo, nem no país todo, mas na cidade em que vivemos.

Isso deve criar em nós um sentido de responsabilidade. Responsabilidade porque tudo o que fazemos tem consequências a nível global. Por exemplo, se eu deitar lixo para o chão, posso estar a influenciar outros negativamente, que farão o mesmo. Se eu reciclar, estou a influenciar outros positivamente, que podem começar a reciclar, e eles próprios poderão ser de influência para outras pessoas que eu nem conheço.

O processo de mudança de uma sociedade começa sempre por uma pessoa que influencia outra, e que com isso gera uma acção em cadeia.

(1) KLEINFELD, Judith S. "Could it be a big world after all?"

Capacidade de nos analisarmos

Há quem diga que esta é uma capacidade apenas dos humanos. Sermos capazes de olha para nós próprios, julgar as nossas acções, e mudar o curso da nossa vida.

Sem dúvida que temos essa capacidade, mas também temos o orgulho. E o orgulho muitas vezes impede-nos de usar essa capacidade. É uma pena, porque se nós utilizarmos essa capacidade, podemos melhorar em muito a nossa vida e a vida das pessoas que estão à nossa volta.

Se os outros não fazem...

"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco." (Edmund Burke)

Esta frase aplica-se a muita coisa, mas neste momento estou a pensar mais nas questões ambientais. É verdade que cada um de nós pode fazer muito pouco para melhorar o ambiente, mas se cada um de nós fizer esse pouco, os resultados serão imensos.

Aqui está um bom sítio para ver algumas coisas que podemos fazer.

Louvar a Deus a sério

É muito fácil para mim, e penso que para todos, louvar a Deus de boca. Muito mais complicado é fazer com que a minha vida seja um sacrifício contínuo de louvor a Deus.

Se fossemos impedidos de louvar a Deus com a nossa voz, até que ponto o nosso louvor a Ele seria afectado? Pouco ou muito? Será que a nossa voz fala mais alto que a nossa vida, ou será que a nossa vida fala mais alto?

O tradição e a doutrina

Quase toda a igreja-instituição tem uma tradição. Pode ser uma tradição escrita ou não, mas têm. E as pessoas tentam seguir à risca essa tradição o melhor que podem. O problema é quando a tradição se confunde com a doutrina.

A doutrina é algo imútavel. A verdade continua a ser a verdade seja em que época vivermos. Mas a forma como vivemos essa verdade pode mudar. Se eu louvo a Deus numa casa, num jardim, ou numa nave espacial é indiferente, desde que continuemos fiéis à doutrina.

As pessoas vêem com maus olhos a mudança na igreja porque pensam que a tradição é doutrina, mas não é. Defendem a sua tradição como se de doutrina se tratasse, como se fosse a única forma de viver o cristianismo. A forma de viver o cristianismo deve seguir o evoluir dos tempos. Uma igreja estagnada no tempo é uma igreja irrelevante para os que mais precisam dela.

Todo o Mundo é composto de mudança

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
(Camões)

Todo o Mundo é composto por mudança, e aqueles que não acompanham a mudança, tornam-se irrelevantes. Por isso Jesus não criou uma igreja cheia de rotinas. A igreja pode tomar a forma que quiser, desde que continue a ser fiel aos ensinamentos de Cristo e a ser relevante à sociedade dos seus dias.

Se só for fiel aos ensinamentos, perde a capacidade evangelística. Se só for relevante à sociedade, deixa de ser cristianismo e passa a ser outra coisa qualquer.

Culto a Deus e a rotina

Continuo a pensar sobre a rotina no nosso relacionamento com Deus. Se nós queremos ter um relacionamento com Deus, então o nosso relacionamento com Ele tem de ser tudo menos rotineiro. Não podemos relacionar-nos com ele sempre à mesma hora, no mesmo lugar, com o mesmo ritual. Isso torna o nosso relacionamento com Ele cada vez mais distante e impessoal. Cada vez que repetimos a mesma coisa, o nosso envolvimento diminui.

Por isso as pessoas gostam tanto dos retiros, dos acampamentos, dos eventos especiais. Porque quebram essa rotina, e nos levam a relacionar-nos uns com os outros e com Deus de uma forma diferente. Estamos todos mais envolvidos, não porque um retiro é melhor, mas simplesmente porque é diferente, não é a mesma rotina de sempre.

Surge um novo modelo de igreja, e as pessoas abraçam-no pensando que esse modelo é melhor, porque de repente sentem-se novamente mais envolvidas com Deus. O modelo pode ser ou não melhor, mas o principal é ser diferente. Logo se tornará numa rotina, e as pessoas começarão a buscar um novo modelo. Deixamos de nos reunir em igrejas-edifícios, e passamos a reunir-nos em casas. Depois passamos a reunir-nos em jardins. Depois passamos a reunir-nos em naves. Ou então, se o problema é a "ordem de culto" (o programa), fazemos uma nova ordem de culto, que seguimos a partir daí. Mas nunca ficaremos satisfeitos.

Não imagino o meu relacionamento com a minha esposa assim. Levá-la a jantar sempre no mesmo sítio, dizer-lhe sempre as mesmas coisas, ir de férias sempre ao mesmo sítio, fazer sempre a mesma coisa ao fim de semana. Que seca seria a nossa vida.

Não será muito melhor cada vez ser uma coisa diferente? Não haver um dia marcado? Não haver uma ordem de culto? Não haver um sítio marcado?

Rotina é bom/mau

Todos nós temos rotinas. Rotinas de trabalho, rotinas de tarefas de casa, todo o tipo de rotinas. Ter um rotina permite-nos fazer algo sem nos envolvermos nisso. Se eu tenho uma rotina para o caminho que uso de casa para o trabalho e vice-versa, não tenho que estar a pensar por onde estou a ir, e posso ocupar a minha mente com outras coisas mais interessantes (com os pássaros que vejo pelo caminho, com o que vou fazer quando chegar a casa, etc). Nesse sentido ter uma rotina é bom.

Por outro lado, o que dizer de coisas que requerem o nosso envolvimento? Um relacionamento com outra pessoa nunca pode seguir uma rotina, seria algo plástico, sem vida.

Por isso eu acredito que a igreja não deve ter uma rotina de culto. Se nós nos juntamos sempre da mesma forma para fazer sempre as mesmas coisas, acabaremos por ligar o "automático", e em vez de estarmos envolvidos no que estamos a fazer, estamos a pensar noutras coisas. Quantas vezes numa reunião, em vez de estar envolvido na coisa, estava a pensar no que ia almoçar a seguir, ou onde é que ia pendurar um quadro lá em casa? E penso que todos nós podemos dizer que isso já nos aconteceu de alguma forma.

Rotina para tarefas é bom. Rotina para relacionamentos (com pessoas, com Deus) é mau.

Saída de Campo a Peniche e Lagoa de Óbidos

Este Domingo fui a mais uma saída de campo da SPEA. Foi uma saída interessante. A Paula foi comigo, como se pode ver aqui (estamos a usar o telescópio da esquerda).

A parte de Peniche foi muito boa em termos de aves marinhas. Mas sem dúvida que nesse aspecto a saída às Berlengas foi muito melhor, pois via-se os pássaros mais de perto. E ficou claro para mim que observação de aves marinhas a partir de terra, têm de ser feitas com telescópio.

A parte da Lagoa de Óbidos desapontou-me um bocado. Apesar de termos visto bastantes espécies, a maioria estava longe (essencial o telescópio). E a variedade não foi muita. Tanto o Estuário do Tejo como o Estuário do Sado são muito melhores.

Vi duas espécies novas, ampliando a minha conta para 151. A Torda-mergulheira (alca torda) e o Ganso-de-faces-pretas (Branta bernicla). Em termos de fotos foi fraco, mas ainda consegui duas mais ou menos.

Alvéola-branca juvenil (Motacilla alba):
Alvéola-branca juvenil (Motacilla alba)

Gaivota-de-patas-amarelas (Larus cachinnans):
Gaivota-de-patas-amarelas (Larus cachinnans)